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Alvarães acende forno para cozer telha à moda antiga após paragem de 25 anos

de Andrea Cruz (RAM)

atualizada às 18:05,Qui, Agosto, 2017

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Em Alvarães, o único forno de cozer telha, artesanalmente, ainda a funcionar  foi reacendido hoje para produzir, até sábado, cerca de seis mil telhas e 12 mil tijolos, depois de 25 anos de paragem.

“O forno começou hoje a ser aquecido. Já estão enfornadas entre cinco a seis telhas e 11 a 12 mil tijolos que vão cozer até sábado. No sábado, os fornos começam a ser arrefecidos para ser retirado o produto final”, disse o presidente da Junta de Freguesia, Fernando Martins.

O forno telheiro de Alvarães, ainda em funcionamento, foi construído na primeira metade do século XX e está classificado pelo Instituto Português de Arqueologia (IPA), encontrando-se atualmente vedado. Nas proximidades existiram outros fornos semelhantes, que foram progressivamente destruídos.

A recriação da cozedura artesanal de telha é organizada pelo Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Alvarães para assinalar o cinquentenário da sua fundação e ajudar “preservar a memória antiga da freguesia que chegou a ser a subsistência de famílias inteiras, sobretudo dos habitantes do lugar da Costeira, onde estavam situados os vários fornos”.

“A cozedura de telha é emblemática na freguesia, faz parte das nossas raízes e construiu muitos dos nossos costumes em Alvarães. Tínhamos vontade de ver estes fornos novamente a funcionarem e com esse momento abrir as memórias das nossas gentes, dessa forma descobrir como faziam, o que cantavam, o que vestiam, como trabalhavam”, explicou presidente do grupo folclórico, José Manuel Faria.

A recriação da cozedura da telha à moda antiga “é morosa e são várias as etapas até se chegar à telha, ao tijolo e à tijoleira cozidas”, sendo “necessárias mais de 28 horas, com o forno a altas temperaturas, até à conclusão do processo”.No lugar da Costeira existem, atualmente, três fornos centenários mas só um está ainda funcional. Os restantes necessitam de reabilitação.

A Junta de Freguesia já adquiriu, por 25 mil euros uma habitação, por acabar, com a intenção de a transformar em museu, estimado em cerca de 150 mil euros.

Segundo aquela autarquia da margem esquerda do rio Lima, a documentação recolhida ao longo dos anos “atesta a existência de fornos de fabrico de telha na freguesia desde o século XVI, mas é quase certa a sua anterioridade, pois há indícios de ter sido aqui que se fabricou alguma da telha que cobriu o Mosteiro da Batalha”.

O fabrico de materiais cerâmicos na freguesia fica a dever-se a “uma grande quantidade de jazidas argilosas que possui, cuja qualidade é comprovada pelo facto de, num passado ainda recente, virem industriais de Leiria e Alcobaça comprar barro à freguesia de Alvarães”.

 

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