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Pescadores do rio Minho dizem que ainda há pouca lampreia mas acreditam numa “boa” safra em 2018

de Andrea Cruz (RAM)

atualizada às 9:30,Sex, Janeiro, 2018

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O presidente da Associação de Pescadores do rio Minho e do Mar, Augusto Porto, diz que a lampreia “ainda é escassa” mas acredita que a chuva dos últimos dias e que deverá continuar a fazer-se sentir no Alto Minho veio criar condições para uma “boa” safra, contrariando os “piores receios” dos pescadores que temiam uma “crise” em 2018.

“Por estar a ser um ano seco pensámos que haveria crise de lampreia, mas a chuva dos últimos tempos veio ajudar a afastar esse receio e estão reunidas as condições para ser uma boa safra. Para já, o número de exemplares capturados está dentro do normal para a época do ano. Janeiro é sempre um mês complicado porque a lampreia é escassa”, explicou Augusto Porto.

O responsável adiantou que os exemplares até agora capturados estão a ser vendidos a 50 euros, valor que justificou com a escassez “típica do primeiro mês de abertura da faina.

A faina decorre na altura em que a espécie volta a entrar nos rios, na direção da nascente, para cumprir a fase de reprodução.

A atividade decorre em cerca de 35 quilómetros daquele rio internacional, variando em função da arte utilizada, já que pode ser feita com “lampreeiras”, a bordo de embarcações artesanais, ou com pesqueiras armadas arte denominada botirão e cabaceira (estruturas antigas, em pedra, existentes no rio).

A pesca começou no dia 03 e prolonga-se até meados de abril. A lampreia pode medir mais de um metro e pesar cerca de dois quilogramas, sendo considerada uma verdadeira iguaria da região do Minho.

A Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho (ADRIMINHO), que integra os seis municípios do Vale do Minho (Melgaço, Monção, Valença, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira e Caminha) promove a partir de domingo e até 15 de abril, a iniciativa “Lampreia do Rio Minho – Um Prato de Excelência”.

O evento conta com a participação de uma centena de restaurantes dos seis concelhos que, ao longo destes três meses, prometem apresentar aquele prático típico confecionado de várias formas, desde o arroz de lampreia, à lampreia à bordalesa, fumada ou grelhada, assada no forno, recheada ou sushi.

Segundo a coordenadora técnica da Adriminho, Ana Paula Xavier apesar de não estar quantificado, o retorno financeiro do evento “é muito significativo”, não só no setor da restauração como na hotelaria.

“É um evento muito importante para a economia local, que atrai muitos visitantes, sobretudo da vizinha Galiza, uma tendência justificada pela proximidade. Os portugueses são, também, em grande número de várias zonas do país. Do Porto, Lisboa, Coimbra ou Trás-os-Montes. Vêm, de propósito, para comer a lampreia do rio Minho”, afirmou a responsável.

Além da participação dos restaurantes, o evento, organizado durante um fim de semana, por cada um dos seis municípios do Vale do Minho, inclui animação e outras atividades culturais, desportivas e de lazer.

Foto: YouTube

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