Autarca de Monção ao lado de produtores de Alvarinho contra possibilidade de novo imposto sobre o vinho
07 Outubro 2016, 16:00
O presidente da Câmara de Monção, concelho que é o maior produtor de vinho Alvarinho, criticou hoje a intenção do Governo de aumentar o imposto sobre os vinhos, considerando que a medida “implicará dificuldades acrescidas ao setor”.
“A Câmara não produz vinho mas tem plena consciência da importância social e económica que representa para o concelho. A nossa posição é estar ao lado dos produtores”, sustentou o socialista Augusto Domingues em nota hoje enviada à imprensa.
O autarca considerou tratar-se “de uma intenção pouco equilibrada e muito injusta com repercussões nefastas num setor que garante rentabilidade económica ao país e ajuda o turismo e a restauração a crescerem”.
“Esta possibilidade, que espero não passe disso, terá consequências muito negativas no concelho de Monção”, alertou.
Augusto Domingues destacou que Monção “tem mais de duas mil famílias a produzirem vinho”.
“Umas vivem exclusivamente deste trabalho. Outras encontram aqui uma fonte de rendimento complementar. No tempo de vindimas, grande parte da população participa na recolha das uvas. Trata-se de uma ajuda económica mas também de preservação da nossa história e tradição”, reforçou.
Monção tem cerca de 900 hectares de terrenos dedicados exclusivamente à produção de vinho Alvarinho. Aquele município, juntamente com o concelho vizinho de Melgaço integra, desde 1908, a sub-região demarcada do Vinho Alvarinho.
A portaria 152/2015 que veio regulamentar o alargamento da produção de Alvarinho a todos os concelhos da Região dos Vinhos Verdes (RVV), resultou de um acordo alcançado em janeiro de 2015 pelo Grupo Trabalho do Alvarinho (GTA), constituído pelo anterior governo PSD-CDS para negociar a denominação daquele vinho, cuja exclusividade de produção era detida por aquela sub-região.
O acordo alcançado pelo GTA, liderado pela Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes (CVRVV), prevê o alargamento da produção daquele vinho aos 47 municípios que a integra a Região dos Vinhos Verdes (RVV).
O acordo que prevê o alargamento da produção de Alvarinho e que deu origem à nova legislação foi aceite por Monção. Já os 600 produtores de Melgaço, acionistas da empresa “Quintas de Melgaço”, cuja maioria do capital é detido pela autarquia local, contestam o acordo por considerarem que “prejudica” a sub-região.
“Como no passado, com o alargamento da exclusividade do vinho Alvarinho, estou ao lado dos produtores e a posição da autarquia que lidero não será diferente da posição defendida por estes”, sublinhou Augusto Domingues.





















