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Câmara de Melgaço lamenta morte de Jean Loup Passek, um “amigo” da terra

Rádio Alto Minho

04 Dezembro 2016, 22:39

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A Câmara de Melgaço lamentou hoje a morte do investigador e historiador de cinema Jean-Loup Passek, um “amigo” da terra,  cujo espólio esteve na base da criação do Museu de Cinema daquela vila do Alto Minho, inaugurado em 2005.

“É indiscutível a amizade que nos unirá para sempre. Jean Loup Passek será para toda a eternidade lembrado como um grande Amigo de Melgaço – a quem recentemente homenageamos com o título honorífico de Cidadão de Honra”, sustentou o município em nota hoje enviada à imprensa.

Jean-Loup Passek foi distinguido em setembro com a Medalha de Mérito Cultural, na Cinemateca Portuguesa, que lhe foi entregue pelo secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado. O cinéfilo francês não esteve presente no ciclo, devido a problemas de saúde.

Segundo aquela autarquia Jean-Loup Passek morreu na madrugada de sábado, aos 80 anos.

“Foi quando filmava, no início da década de 1970 nos arredores de Paris, um documentário sobre a imigração, que Jean Loup Passek entrou em contacto com vários membros da comunidade portuguesa, entre os quais se incluíam dois habitantes do concelho de Melgaço com quem viria a estabelecer laços de profunda amizade. Este encontro marcou o início de uma relação profunda com Portugal, que, com o correr do tempo, se viria a tornar numa segunda pátria”, especificou a autarquia mais a norte do país.

Na nota, a Câmara liderada pelo socialista Manoel Batista adiantou que “ao longo de mais de um quarto de século de atividades no domínio do cinema, como diretor editorial do Dictionnaire Larousse du Cinéma, conselheiro para o cinema do Centre Georges Pompidou, fundador e director do Festival de la Rochelle e coordenador da “Caméra d Or” du festival de Cannes, Jean-Loup Passek colecionou inúmeros objetos, testemunhos, documentos, raridades da Sétima Arte: mais de cem mil fotografias, milhares de cartazes, livros, um magnífico conjunto de aparelhos do período do designado pré-cinema”.

Durante muitos anos sonhou com a fundação de um “museu sentimental” onde se pudesse apresentar a sua coleção. O apoio dos seus amigos portugueses da primeira hora e a confiança e a simpatia do Presidente da Câmara permitiram que o projeto se concretizasse, num lugar idílico, mesmo sob o resguardo das históricas muralhas que rodeiam o castelo que domina a vila.

“Mais do que uma mostra sistemática da indústria cinematográfica, o Museu de Cinema de Melgaço pretende oferecer aos seus visitantes uma abordagem singular, que reflete um olhar personalizado e afetivo sobre a memória do cinema”, conclui o documento.

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