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Confraria para promover cordeiro assado à moda de Monção toma posse hoje

Rádio Alto Minho

21 Janeiro 2017, 9:23

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Os órgãos sociais da Confraria da Foda Pias-Monção, ex-líbris gastronómico de Monção, no Alto Minho, criada em outubro passado, vão tomar posse, hoje, para promover aquele prato servido em pequenos alguidares de barro.

Em comunicado, a Câmara de Monção adiantou que o objetivo da associação “é valorizar e o cordeiro assado no forno e preservar a feira secular de gado que se realiza na freguesia de Pias e que esteve na origem do nome dado aquele prato emblemático da gastronomia local”.

A tomada de posse da nova estrutura está marcada para hoje às 17h00, na sede da Junta de Freguesia de Pias, onde “nos dias 25 e 16 de março vai realizar-se a primeira Feira da Foda”.

Em outubro passado, aquando da criação da confraria o presidente da Junta de Freguesia de Pias, entidade fundadora da associação, Agostinho Correia, contou que a criação da confraria daquele prato típico era uma “ambição antiga” da população.

“Como presidente da Junta fiquei muito satisfeito. Para Pias foi maravilhoso, uma alegria imensa. É bom para a freguesia e para o concelho de Monção”, comentou na altura o autarca de Pias, aldeia situada no Vale do Gadanha, naquele concelho do Alto Minho.

Inicialmente associado ao consumo familiar em dias festivos, o cordeiro à moda de Monção, de arroz pingado e com nome “Foda à Monção”, tornou-se, desde há vários anos, uma referência na gastronomia do concelho e é servido em pequenos alguidares de barro.

O prato está em processo de certificação, aguardando o parecer da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN). A Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) é uma das entidades responsáveis pela certificação do prato registado como Especialidade Tradicional Garantida (ETG).

Segundo Agostinho Correia, o objetivo da confraria é “valorizar e promover” um prato típico da gastronomia do concelho e ainda “preservar a feira secular de gado que ainda hoje se realiza” e que deu origem do nome dado à iguaria.

A história prende-se com o hábito dos habitantes do concelho que não possuíam rebanhos de se dirigirem à feira de gado de Pias para comprar o cordeiro para a Páscoa.

“Os produtores de gado, quando levavam o gado para a feira queriam vendê-lo pelo melhor preço. Para que os animais parecessem gordos, punham-lhes sal na forragem, o que os obrigava a beber muita água. Na feira, apareciam com uma barriga cheia de água e pesados, parecendo realmente gordos. Os incautos que desconheciam a artimanha compravam autênticos sacos de água e, quando se apercebiam do logro, exclamavam à boa maneira do Minho: ‘que foda!'”, explicou, adiantando que o termo se vulgarizou e o prato passou a ser designado por aquele termo.

Para o autarca a criação da confraria é “muito importante para não se perder uma tradição que caracteriza a freguesia e o concelho” e para “dinamizar a economia local”.

“Com criação confraria vai ter um impacto económico muito maior no concelho”, disse, explicando que se trata de um prato “único”.

“É especial porque o prato tem ser condicionado com carneiro, ovelha ou anho. Vai ao forno num alguidar de barro e a gordura da carne pinga no arroz. Nós até usamos a expressão: O arroz até se corta à faca. É muito saboroso”, garantiu.

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