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Turistas norte-americanos crescem 9,3% no Norte enquanto Lisboa e Algarve recuam

Rádio Alto Minho

11 Setembro 2026, 16:51

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Em julho de 2026, Portugal registou menos 19.300 dormidas de turistas residentes nos Estados Unidos face ao mesmo período do ano anterior. Quase todas as regiões sentiram a queda. A exceção foi o Norte.

Norte resiste à queda e americanos já lideram no Douro

Segundo o Jornal Económico, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes a julho mostram que a Grande Lisboa perdeu 16.900 dormidas de turistas norte-americanos, uma queda de 6,0% face ao período homólogo. O Algarve recuou 6,7%, menos 6.300 dormidas. Enquanto isso, a região Norte acumulou mais 10.700 dormidas desse mercado, um crescimento homólogo de 9,3%, tornando-se a única região de Portugal Continental a registar sinal positivo.

O dado mais surpreendente vem do interior. No Douro, os turistas norte-americanos já são o mercado número um em dormidas, ultrapassando todos os outros, incluindo os mercados de proximidade. É um resultado que Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TNPNP), reconhece como extraordinário, mesmo com a ressalva de que, para a região Porto e Norte no seu conjunto, os americanos ficam ainda atrás dos turistas espanhóis em volume total.

“É impressionante. Estamos a falar de um mercado de longa distância. Não chegam aqui com a mesma rapidez que o turista espanhol, francês ou inglês. Se este crescimento continuar, poderá acontecer algo incrível que é os americanos serem o número um da região”, afirmou Martins.

Como um destino remoto entra no itinerário de um viajante distante

A equipa editorial da Crush Roulette, que acompanha de perto a forma como as pessoas se ligam e trocam recomendações através de plataformas de conversa online por todo o mundo, assinala um paradoxo nos dados: os americanos lideram no Douro sendo o mercado geograficamente mais distante da região, quando comparado com espanhóis, franceses ou britânicos. A questão que fica por responder nos números do INE é a de como chegam sequer a colocar uma sub-região tão específica no seu radar antes de reservar.

A resposta, na perspetiva da Crush Roulette, passa frequentemente pelas conversas casuais com desconhecidos noutros países. Boa parte dos viajantes de longa distância ouve falar pela primeira vez de destinos como o Douro nesses intercâmbios informais. conversar pelo CrushRoulette com alguém do outro lado do mundo pode ser precisamente o mecanismo que coloca o Norte de Portugal no itinerário de um turista norte-americano meses antes de qualquer pesquisa formal.

“Porto e Norte não tem uma visão egoísta. Antes pelo contrário, tem uma visão de que quanto mais juntas as regiões, mais complementares somos e maior interesse ganhamos.”

A observação de Martins sobre a complementaridade entre regiões aplica-se também à forma como os destinos ganham visibilidade: não através de um único canal, mas de uma rede de referências que se constroem à distância.

Rotas aéreas diretas que explicam os números

Para Luís Pedro Martins, a explicação estrutural do crescimento reside nas ligações ao aeroporto Francisco Sá Carneiro. “Sem elas era impossível termos estes números, nomeadamente no mercado de longa distância”, declarou o presidente do TNPNP ao Jornal Económico, identificando as rotas aéreas como um fator crítico de sucesso.

Entre as ligações relevantes contam-se a entrada em operação da Air Canada, os voos da TAP para Newark e uma transformação significativa na rota TAP Porto–Boston. “Não é só a semestral, é agora uma rota diária”, sublinhou Martins, referindo-se à passagem dessa ligação de voo semestral a rota diária anual. A Delta Airlines inaugurou também a primeira operação entre o JFK, em Nova Iorque, e o Porto.

O crescimento das rotas tem ainda mais capítulos em preparação. “Posso anunciar que em 2027 passamos a ter outra companhia americana, a American Airlines, a fazer a ligação Filadélfia–Porto e também a perspetiva de podermos vir a ter mais uma rota da TAP, entre Washington e o Porto”, disse Martins. O aeroporto Francisco Sá Carneiro processou 17 milhões de passageiros em 2025 e está a crescer 7% em 2026, operando cerca de 130 rotas com mais de 30 companhias. Há 30 anos, o seu recorde era de 400.000 movimentos.

Lisboa como contraponto: cobertura negativa nos EUA e benefício indireto para o Porto

A situação do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, tem sido um fator de pressão adicional. O funcionamento da infraestrutura lisboeta tem merecido cobertura negativa em canais televisivos norte-americanos em horário nobre, e Martins não hesita na avaliação das consequências.

“Claro que isto prejudica. Um turista que vem de Nova Iorque não quer fazer uma viagem que demora 04h30 a 05h00 e depois passar o mesmo tempo dentro de um aeroporto”, afirmou. A perspetiva de melhoria a curto ou médio prazo não o convence. “Porque de certeza absoluta que não vamos ter aeroporto [em Lisboa] nem daqui a uma década. Isto não é culpa de quem está neste momento a liderar o processo, é culpa de muitas gerações, de quem liderou”, acrescentou, descrevendo a tendência como estrutural.

Proveitos em alta e promoção nos dois lados do Atlântico

Os números financeiros acompanham o desempenho em dormidas. Em julho de 2026, a região Porto e Norte atingiu 130,2 milhões de euros em proveitos totais, um crescimento de 5,2%, com 1,08 milhões de dormidas de não residentes, mais 5,3% face ao homólogo. No acumulado desde o início do ano até julho, a região somou 659,5 milhões de euros em proveitos totais, crescimento de 5,9%, e 5,4 milhões de dormidas de não residentes, mais 5,3%.

Por detrás destes resultados está também um esforço de promoção externa organizado. As ações do TNPNP cobriram, nos Estados Unidos, Washington, Nova Iorque, Chicago, Boston, Los Angeles e San Diego, e no Canadá, Montreal, Toronto, Vancouver e Edmonton, sempre acompanhadas de empresas e grupos privados da região.

A ambição declarada por Martins vai além dos mercados anglófonos. A estratégia aponta para uma diversificação que inclua a Ásia-Pacífico, reduzindo a dependência de um ou dois mercados dominantes. A frase que deixou sobre a complementaridade entre regiões resume bem a visão de fundo: quanto mais juntas, maior o interesse que geram. É nessa lógica que o Norte de Portugal parece estar a construir a sua posição no mapa do turismo internacional.

 

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