Cancro da mama não significa parar: projeto da UNIPVC acompanha 30 mulheres
02 Novembro 2026, 17:06
Não há dois percursos iguais depois de um diagnóstico de cancro da mama. E, no projeto HER, também não há um programa de exercício igual para todas as mulheres. A iniciativa da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) acompanha atualmente 30 participantes, com sessões em pequenos grupos e exercícios adaptados à condição clínica, às capacidades e às necessidades de cada uma. Em atividade desde 2022, o projeto continua a apoiar mulheres durante e após os tratamentos oncológicos e pretende criar condições para chegar a mais participantes.
A fadiga, a perda de força muscular, as limitações de mobilidade e o receio de praticar exercício físico são algumas das dificuldades que podem acompanhar o diagnóstico e os tratamentos do cancro da mama. É precisamente para responder a estas necessidades que o HER desenvolve um programa de exercício adaptado, procurando contribuir para a recuperação ou manutenção da condição física, o bem-estar psicológico e a qualidade de vida das participantes.
O projeto teve início em fevereiro de 2022, ainda com aulas online devido às restrições associadas à pandemia de COVID-19. Desde então, tem mantido uma intervenção contínua, com atividade entre setembro e julho e uma pausa durante o mês de agosto.
Coordenado e operacionalizado por Sílvia Rodrigues, docente da Escola Superior de Desporto e Lazer (ESDL-UNIPVC), e por Margarida Marinho, estudante de doutoramento em Ciências do Desporto da UNIPVC, o HER decorre atualmente nas instalações do Spotlight, entidade parceira que disponibiliza o espaço para a realização das sessões, em Viana do Castelo.
O exercício adapta-se a cada mulher, não o contrário
Uma das características centrais do HER é a atenção às necessidades individuais. Antes de iniciarem a prática, todas as participantes realizam uma avaliação que inclui a recolha da história clínica, testes físicos e funcionais e questionários relacionados com sintomas de ansiedade e depressão e com a qualidade de vida.
Com base nessa informação, a equipa define um programa de exercício ajustado à condição clínica e física de cada mulher. O acompanhamento prossegue ao longo das sessões, permitindo adaptar a intensidade e os exercícios à evolução, aos sintomas e à forma como cada participante se sente.
As aulas decorrem em pequenos grupos, habitualmente de cinco a seis mulheres, uma opção que permite conciliar a prática coletiva com uma atenção individualizada.
“Sabemos que, durante os tratamentos, sobretudo a quimioterapia, a fadiga é uma das principais barreiras à prática de atividade física e pode influenciar a perceção do esforço. Por isso, trabalhamos com grupos pequenos, de cinco a seis participantes por sessão, o que nos permite assegurar um acompanhamento próximo e individualizado”, explica Sílvia Rodrigues.
A docente sublinha que esta proximidade é uma das características que a equipa pretende preservar, mesmo perante o objetivo de alargar o projeto a mais participantes.
Recuperar capacidades físicas, confiança e bem-estar
A prática de exercício físico adaptado pode trazer benefícios durante e após os tratamentos do cancro da mama. Entre eles destacam-se a redução da fadiga, a manutenção ou melhoria da força muscular, da capacidade cardiorrespiratória e da mobilidade articular do ombro, fatores que podem contribuir para uma maior autonomia nas atividades quotidianas.
O exercício pode também ajudar a diminuir sintomas de ansiedade e depressão, melhorar o sono e contribuir para a qualidade de vida.
No HER, a componente física cruza-se com uma dimensão social igualmente valorizada pela equipa. As sessões em grupo proporcionam momentos de convívio e partilha entre mulheres com experiências relacionadas com a doença, ajudando a contrariar o isolamento e a reforçar a motivação para a prática de exercício.
Ao longo dos últimos anos, a equipa tem acompanhado diferentes indicadores da condição física, do bem-estar psicossocial e da qualidade de vida das participantes, realizando avaliações que permitem ajustar continuamente a intervenção.
Parte deste trabalho tem também expressão científica, com resultados publicados no âmbito do doutoramento de Margarida Marinho, reforçando a ligação entre a investigação desenvolvida na UNIPVC e a sua aplicação em contextos reais de intervenção.
O HER constitui ainda um espaço de aprendizagem para estudantes do Mestrado em Fisiologia do Exercício e Promoção da Saúde, que têm participado nas atividades do projeto e encontrado neste contexto uma oportunidade de aplicar conhecimentos relacionados com a prescrição de exercício clínico em pessoas com diagnóstico de cancro.
Um projeto que quer chegar a mais mulheres, sem perder a proximidade
Desde o início da atividade, o HER já avaliou um número de mulheres superior às 30 atualmente acompanhadas. Nem todas, contudo, conseguiram integrar o programa, sendo a localização das sessões um dos principais obstáculos identificados pela equipa.
Alargar a intervenção é um dos objetivos para o futuro próximo, mas o crescimento terá de ser acompanhado pelas condições necessárias para manter a qualidade do trabalho desenvolvido.
“Gostaríamos muito de alargar o projeto a mais mulheres, mas esse crescimento exige um equilíbrio entre a divulgação do projeto e a nossa capacidade de resposta para garantir a qualidade do acompanhamento”, afirma Sílvia Rodrigues.
O programa destina-se a mulheres com diagnóstico atual ou anterior de cancro da mama, independentemente da fase dos tratamentos ou do tempo decorrido desde a sua conclusão, desde que não apresentem contraindicações para a prática de exercício físico.
A participação começa com uma avaliação individual, que permite conhecer a situação de cada mulher e adequar o exercício às suas necessidades.
Para aquelas que sentem receio de começar, sobretudo devido à fadiga ou ao desconforto, Sílvia Rodrigues deixa uma mensagem: “Não precisa de estar em boa forma física para dar o primeiro passo. No projeto HER, começamos por conhecer cada mulher, a sua história clínica, as suas capacidades e as suas dificuldades.”
E acrescenta: “Há dias em que é possível fazer mais e outros em que precisamos de ajustar, e isso faz parte do processo.”
Como participar no projeto HER
O HER funciona de setembro a julho, nas instalações do Spotlight, parceiro da UNIPVC, com sessões nos seguintes horários:
- Segunda-feira: 19h30
- Terça-feira: 16h00, 18h00 e 19h00
- Quinta-feira: 18h00 e 19h00
- Sexta-feira: 19h00
As mulheres interessadas em conhecer o projeto, esclarecer dúvidas ou manifestar interesse em participar podem contactar a equipa através do endereço eletrónico silviars@esdl.ipvc.pt. A integração de novas participantes é articulada com a equipa responsável, tendo em conta a avaliação individual e a capacidade de acompanhamento disponível.






















