Aldeia de Bravães recria representação pascal secular
10 Abril 2017, 13:17
Mais de 100 dos 600 habitantes da aldeia de Bravães, no concelho de Ponte da Barca, vão participar na quinta-feira Santa na encenação das últimas horas de Cristo na terra, uma tradição secular do concelho .
O encenador daquela representação pascal, Jaime Ferreri, explica que o evento “mobiliza a aldeia inteira, já que há, pelo menos, um elemento de cada família de Bravães que participa”.
“Os atores, os figurantes, os elementos do coro e as mulheres que cantam uma novena de ementar (evocar) as almas e todos os que ajudam na montagem da representação são de Bravães”, destacou.
Jaime Ferreri, que há 15 anos encena aquela tradição pascal, acrescentou que, pelo segundo ano consecutivo, vão ser instaladas bancadas para que o público possa assistir ao teatro de uma forma mais confortável”.
“A montagem das bancadas foi testada o ano passado e foi uma ótima experiência. Penso que a alteração veio para ficar porque cada vez há mais gente a vir assistir a esta representação, oriunda de vários pontos do país e até da Galiza”, especificou.
A representação da “Mui Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo” vai acontecer dia 13, quinta-feira Santa, às 21:30, em cinco palcos diferentes montados junto ao mosteiro românico de Bravães.
A peça tem como guião “A Mui Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, da autoria do padre Francisco Vaz.
O espetáculo, com duração de cerca de duas horas, começa no chamado “Palco de Caifás”, onde é feita a primeira acusação a Jesus Cristo.
Prossegue no “Palco do Jardim das Oliveiras”, onde Judas entrega Cristo aos judeus e aos romanos, que o mandam a Pilatos, a Herodes e novamente a Pilatos, seguindo-se, após a condenação, uma espécie de via-sacra, que termina com a crucificação no “Palco do Monte do Calvário”.
Cristo será personificado por um jovem que terá de carregar aos ombros a cruz onde no final será “pregado”, naquele que se pretende seja o momento mais emotivo da representação.
O momento mais “arriscado” ocorre quando as três cruzes – uma com Cristo e as outras com o bom e o mau ladrão – são levantadas em simultâneo, num “número” que exige a colaboração de pelo menos 20 homens.
O trajeto, desde a condenação ao Monte do Calvário, será acompanhado pelo grupo Coral de Bravães, que recuperou um canto religioso tradicional com mais de 100 anos.
Todos os atores e figurantes estarão vestidos a rigor, com trajes usados na época dos acontecimentos.
Trata-se de uma produção da Associação Cultural “os Canários” de Bravães, em parceria com a Junta de Freguesia local e com Câmara de Ponte da Barca.
Tal como em 2014 será incluído no texto daquele auto o poema de Guerra Junqueiro ” A Caridade e a Justiça”.
Antes da representação, tem lugar, num dos palcos, uma outra tradição, com cerca de 30 mulheres da freguesia a cantar uma novena de ementar (evocar) as almas, tal como acontecia nas freguesias do Minho há meio século.





















