Pastelaria de Viana que Jorge Amado imortalizou está entre lojas que a Câmara vai preservar
02 Junho 2017, 16:13
Com mais de 70 anos uma pastelaria de Viana do Castelo, que o escritor brasileiro Jorge Amado imortalizou nos seus livros, através das bolas de berlim, vai ser preservada pela Câmara Municipal que hoje lançou o projeto “Lojas Memória”.

“Toda a gente concorda que é preciso manter as bolas de berlim do Manelzinho Natário mas há ourivesarias com mais de 100 anos e casas comerciais, muito antigas, que dizem muito aos afetos das pessoas”, explicou hoje à Lusa, o presidente da Câmara Municipal.
José Maria Costa, que falava a propósito da apresentação pública do projeto “Lojas Memória” adiantou que o objetivo é “preservar a identidade e memória da cidade e do concelho”.
“Tal como os centros históricos são a alma das cidades, algumas lojas, antigas, são também a alma do próprio comercio e é preciso preservar porque isso é que distingue as cidades e os concelhos”, especificou.

O autarca socialista adiantou que o projeto vai começar com um levantamento de “todas as lojas com potencial”, apontando como exemplos “a riqueza patrimonial, as memórias associadas ou os próprios produtos que vendem”.
Feita essa identificação, o município “vai criar um conjunto de instrumentos financeiros e regulamentares que permitam a manutenção dessas casas e a sua valorização, do ponto e vista de marketing territorial”.
“Necessitávamos de uma estratégia clara, de instrumentos financeiros e urbanísticos para apoiar não apenas os proprietários como os comerciantes”, frisou o autarca, destacando o apoio à manutenção de edifícios ou ao arrendamento dos espaços.
A iniciativa municipal, hoje apresentada publicamente na biblioteca da cidade, “pretende promover a classificação de estabelecimentos comerciais, atribuindo uma identificação distintiva e definindo um conjunto de incentivos e apoios que garantam a dinamização e sustentabilidade económica destas atividades e a proteção e promoção dos estabelecimentos”.
O projeto, que conta com o apoio da Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC) e da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT), destina-se “a estabelecimentos comerciais e unidades de cafetaria, restauração e similares que se destaquem pela sua singularidade, valor patrimonial ou sentimental e pela sua contribuição para a identidade da cidade e qualidade da paisagem urbana de Viana do Castelo”.
A classificação vai ser orientada por fatores distintivos – lojas que comercializam produtos de excelência, que mantenham a mesma atividade há 50 ou mais anos, que constituam espaços de referência artística ou arquitetónica, que adquiram especial relevância na história da cidade, enquanto lugar de acontecimento histórico, por ser a única resistente num determinado tipo de atividade ou por ser referência na linguagem comum dos residentes – e considera vários parâmetros e critérios de avaliação, associados designadamente ao estabelecimento/atividade e ao património.
O projeto prevê a constituição de um grupo de trabalho que “irá, entre outros, identificar todos os estabelecimentos com enquadramento no projeto e que deverão ser avaliados (todos com mais de 50 anos na área urbana da cidade), efetuar a recolha de dados e documentos pertinentes para a caracterização do comércio, cafetaria e restauração da cidade em geral e dos estabelecimentos selecionados em particular, definir níveis de classificação e tipos de proteção, considerando o enquadramento legal, a disponibilidade orçamental do programa e os critérios de avaliação, entre outras”.
FOTOS : Bruno Pereira e Olhar Viana do Castelo





















