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Fé em São João Baptista leva milhares de peregrinos a mosteiro na serra d’Arga

Rádio Alto Minho

27 Agosto 2017, 19:00

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A fé em São João Baptista vai levar milhares de peregrinos a subir, no dia 28, até ao mosteiro que lhe foi erguido na serra d’Arga, Caminha, para cumprir promessas numa romaria secular, considerada das mais típicas em Portugal.

Octávio Pires é um dos residente na aldeia e diz que  o que tornou esta romaria “tão especial foi a fé que o povo do Alto Minho sempre teve em São João Baptista”.

“A forma como pagavam a sua fé, com grandes sacrifícios, dando as voltas à capela, de joelhos, deixando transparecer expressões de grande sofrimento”,  um dos moradores da aldeia de Arga de São João, Octávio Pires.

Aos 67 anos, aposentado de uma multinacional espanhola, Octávio Pires, regressou à terra natal “para cuidar dos pais” e lamenta que “uma romaria com origens próximas da fundação da nacionalidade, tenha perdido a devoção de outros tempos”.

“Hoje é outra coisa. Há menos fé e mais folia. A romaria em honra de São João tornou-se mais comercial, virada para os jovens. São as modernices”, desabafou.

Isolado em plena serra d’Arga, o mosteiro data do século XII e, segundo a classificação do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), é “um dos mais importantes testemunhos medievais da região, não obstante a sua pequenez e simplicidade”. Em 2015, foi alvo de obras de beneficiação orçadas em mais de meio milhão de euros.

A capela que integra o mosteiro terá sido construída no século XIII, pertencendo ao “românico tardio”, e é “simples e decorativamente despojada”.

Na noite da próxima segunda para terça-feira o templo irá receber, milhares de peregrinos, alguns mantêm a tradição de percorrer a pé várias dezenas de quilómetros.

A 800 metros de altitude, “os romeiros pedem a São João cura para quistos, verrugas e doenças de pele, ou mesmo para arranjarem casamento”.

Outros procuram a festa para ouvir as concertinas, o despique das bandas de música que tocam no adro com pouco mais de 1.300 metros quadrados de área, ou simplesmente para beber “chiripiti”, uma mistura de mel, produzido naquela serra, com aguardente “para espantar o frio”.

Os enchidos, e o arroz doce ajudam a matar a fome numa noite longa numa aldeia onde vivem 70 pessoas, a maioria idosos.

 

Fotos: Viver Viana, tudo sobre o Alto Minho, Blogue do Minho,  Olhares – Sapo

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