Área do Museu de Artes Decorativas aumenta 80% com obras de 1ME
30 Agosto 2017, 13:02
O presidente da Câmara de Viana do Castelo anunciou hoje, em conferência de imprensa, um investimento de um milhão de euros na ampliação do Museu de Artes Decorativas (MAD) . As obras começam em 2018, tem prazo de execução de um ano, e permitirão aumentar em 80% a área do museu.










A ampliação, a candidatar aos fundos do Norte 2020, implicou a aquisição, pela autarquia, de “um terreno e de uma casa” que permitirão aumentar a área expositiva em cerca 80 por cento.
“Ou seja, vamos ter mais 2.700 metros quadrados de área museológica, o que nos permite aumentar a zona de reservas (139%) e área expositiva em mais 1.361 metros quadrados”, disse o autarca, revelando que o projeto prevê “a criação de um novo auditório com 103 lugares”.
Segundo José Maria Costa o novo auditório servirá para a realização de “diversas atividades culturais, como sessões cineclubistas e os ciclos de cinema que já se fazem na cidade e que precisam de melhores condições”.



Revelou também que o projeto vai dotar o MAD de “uma sala com cerca 600 metros quadradas para grandes exposição de arte contemporânea”, dando resposta à parceira que o município tem com Fundação de Serralves e que “quer alagar a outras instituições culturais da região Norte e do país”.
“Viana do Castelo está a prepara-se para novos desafios na área museológica, na criação de espaços mais atrativos e adequados para exposições itinerantes mas, acima de tudo, para dar maior visibilidade ao espolio do MAD”, destacou, sublinhado que este projeto tem como objetivo incluir o novo MAD na candidatura de Viana do Castelo a Capital Europeia da Cultura, em 2027.
“O projeto de execução está a ser ultimado. A intenção é iniciar as obras no próximo ao, em 2018, para que o espaço seja integrado na candidatura de Viana do Castelo a Capital Europeia da Cultura a formalizar em finais de 2020”, afirmou José Maria Costa.
O autarca socialista revelou que a comissão técnica que vai elaborar a candidatura, que integra o ex-embaixador Seixas da Costa e a coreógrafa Olga Roriz, “está já a desenvolver um trabalho de rede para reunir as parcerias internacionais essenciais” à formalização da candidatura de Viana do Castelo.
Os concursos para a atribuição do título de Capital Europeia da Cultura começam seis anos antes, pelo que, no caso de Portugal, tal só acontecerá dentro de quatro anos, em 2021.
Presente no encontro com os jornalistas, a vereadora da Cultura, Maria José Guerreiro, disse que a amplaição do MAD vem dar resposta “à falta de condições para expor todo o seu espólio riquíssimo” e adiantou que a ampliação agora anunciada representa “uma aposta na dimensão da arqueologia subaquática”.
“Temos um espólio muito raro, as pirogas encontradas no rio Lima que estão em Lisboa, ao cuidado do Museu Nacional de Arqueologia e da Direção Geral do Património Cultural (DGPC). O nosso objetivo é trazer as pirogas para Viana do Castelo.
As pirogas, embarcações monóxilas feitas a partir de um tronco de árvore escavado, conhecido na Europa desde a pré-história e mais precisamente desde o neolítico, foram utilizadas no Rio Lima e, por serem embarcações construídas através de uma tecnologia muito particular, merecem grande relevo e assumem enorme importância para a comunidade científica portuguesa e internacional.
Em Viana do Castelo foram encontradas seis pirogas entre as freguesias de Moreira de Geraz do Lima e Mazarefes, sendo que as cinco identificadas foram, na altura, enviadas para a divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática para restauro, estudo e conservação.
O museu mais antigo de Viana do Castelo, no espaço atual desde 1923, já tinha sido alvo, em 2015, de obras de recuperação orçadas em cerca de 320 mil euros, financiadas em 85% pelo Programa Operacional Regional do Norte (ON2).
A empreitada visou a recuperação estrutural do edifício e a reorganização dos espaços do MAD, assim designado desde 2012.
O museu foi formalmente criado em 1888, mas só em 1923 é que passou a funcionar no espaço atual, no largo de São Domingos, com a aquisição do Palacete dos Barbosa Maciel pela autarquia de então.
O espaço reconstitui parte do ambiente do palacete do século 18, com sala de visitas, sala de estar, quarto, capela e sala de jantar, apresentando nos restantes espaços coleções que vão desde o mobiliário indo-português ao mobiliário português, dos séculos XVIII e XIX.
Integra ainda “valiosas” coleções de faianças, como de louça de Viana dos séculos XVIII e XIX, proveniente da fábrica de Darque, em Viana do Castelo, e outras provenientes das olarias de Lisboa e Coimbra ou ainda louça do período pós-pombalino, produzidas nas fábricas do Porto e Vila Nova de Gaia.
Expõe também uma coleção de pintura e desenhos com obras representativas das escolas portuguesas e espanholas dos séculos XVI ao século XIX, de temática religiosa, nomeadamente com trabalhos de Domingos Sequeira, Vieira Lusitano, Vieira Portuense, Carolino Ramos, Pedro Alexandrino, Soares dos Reis, João Glama Strebel, Airylo Wolkmar Machado, Augusto Roquemont, António Alves, Gorge Loukomsky, entre outros.
Em 2002, o então designado Museu Municipal de Viana do Castelo foi certificado pelo Instituto Português de Museus e passou a integrar a Rede Portuguesa de Museus.





















