Real Confraria da Carne Cachena nasce em Arcos de Valdevez dentro de três meses
28 Fevereiro 2018, 17:33
Os estatutos foram hoje aprovados. Dentro de três meses deverá ser oficialmente apresentada a Real Confraria Gastronómica da Carne Cachena. Terá como missão “preservar e valorizar” aquele produto típico de Arcos de Valdevez.
Para o presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves trata-se de um produto com um “papel preponderante” na economia local.
“A constituição da confraria será mais um contributo para fixação de população, criação de rendimento aos produtores e de dinamização turística do concelho com propostas associadas à carne Cachena, nomeadamente a criação de uma ementa assente neste produto”, afirmou o autarca à margem de uma degustação de propostas gastronómicas com carne cachena, confecionadas por alunos do polo local da Escola Profissional do Alto Minho(Epralima).






Típica do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), a carne de vaca Cachena tem Denominação de Origem Protegida desde 2002.
A vaca cachena da Peneda é a mais pequena raça bovina portuguesa e uma das mais pequenas do mundo. O animal atinge uma altura máxima de 110 centímetros e sobrevive ao frio nas serras da Peneda, Soajo e Amarela, no Parque Nacional na Peneda-Gerês (Norte de Portugal).
A sua carne distingue-se por ser suculenta, tenra, de cor rósea clara, com uma consistência firme, ligeiramente húmida e com pouca gordura intramuscular.
João Manuel Esteves acrescentou que, este ano, o município vai candidatar a carne cachena às “Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa. A edição 2018 do concurso tem como tema “Portugal à mesa”, sendo que as candidaturas decorrem até 7 de março.

Já o presidente da Cooperativa Agrícola de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, José Carlos Gonçalves destacou o aumento da produção daquela espécie para dar resposta à procura que tem registado nos últimos sete a oito anos”.
“Há cerca de oito anos produzíamos seis a sete animais por ano. Atualmente produzimos 400 face á procura que este produto tem registado. A carne cachena é hoje comercializada no mercado abastecedor do porto, em vários talhos e restaurantes do país”, afirmou, destacando os vários prémios que o produto tem conquistado em vários concursos nacionais e internacionais.
A cooperativa, que representa cerca de 30 produtores de carne cachena, disse que o objetivo é continuar a “aumentar a produção”, garantindo um “apertado” controlo da qualidade da carne da que é sujeita a um sistema de certificação desde o produtor até ao consumidor final.
A constituição da confraria resulta de uma parceira entre a Câmara de Arcos de Valdevez, a Cooperativa Agrícola, entidade que gere a denominação de origem da carne Cachena da Peneda, a Associação dos criadores da Raça Cachena, a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo e o PEC Nordeste, empresa do grupo Agros, que opera no apoio à produção pecuária nacional.
Esta raça é explorada em regime extensivo, por vezes quase semisselvagem e é atualmente parte “integrante do património genético de Portugal”.
A confraria, “sem fins lucrativos e de duração ilimitada, terá por objeto a valorização, divulgação e promoção da gastronomia tradicional da carne cachena, produto emblemático, com uma forte ligação cultural, social e económica ao território e às populações”.
A nova entidade pretende ser “um forte dinamizador da gastronomia para valorizar e promover a carne cachena, através da preservação da autenticidade da gastronomia local, da estimulação da aposta na diferenciação, através da capacitação, qualificação e inovação dos produtores, restauração e agentes económicos”.
A confraria quer ainda constituir-se como “um incentivo à revitalização da cadeia produtiva, desde a produção à comercialização dos produtos locais, contribuindo para a dinamização da economia local, da promoção de mostras, encontros e concursos de gastronomia e outras iniciativas de caráter social, formativo, promocional e cultural da gastronomia tradicional, dos produtos locais e da carne cachena”.





















