Jovens de paróquia de Darque pedem audiência a bispo de Viana para exigir afastamento de padre
11 Março 2018, 17:14
O grupo Sagitta Darque pediu uma audiência ao bispo Anacleto Oliveira para reclamar o afastamento do pároco local que acusam de tomar “atitudes indignas”, disse hoje Lusa um dos seus elementos.
“Queremos reunir com o senhor bispo para lhe pedir o afastamento do padre de Darque que toma atitudes que não são dignas de um pároco. Queremos um novo padre porque em Darque o descontentamento é geral”, afirmou Mário Miguel, da direção do grupo Sagitta Darque.
Segundo Mário Miguel o pedido de audiência enviado Anacleto Oliveira surge na sequência da “suspensão”, hoje, da atividade que o grupo de jovens católicos realiza quinzenalmente na celebração dominical.
“Hoje, antes do início da celebração, estávamos a fazer os preparativos para cantar durante a missa e fomos chamados à sacristia pelo ajudante do senhor padre. No interior da sacristia o senhor padre comunicou-nos que o nosso grupo estava “suspenso” e abandonou o local e fomos destratados pelo seu ajudante”, especificou Mário Miguel.
“Vimos por este meio informar que hoje, dia 11 de março de 2018, pelas 10:25, fomos expressamente proibidos de cantar nas celebrações da nossa paróquia por expressar a falta de apoio que temos sentido pelo pároco e pela comunidade paroquial”, lê-se na publicação na página de Facebook do Sagitta Darque, constituído há cinco anos e composto por cerca de 13 elementos.
O padre Manuel Pinto disse tratar-se de “um grupo residual no meio da comunidade paroquial”.
“A vida da comunidade paroquial tem decorrido dentro da normalidade. Nenhuma celebração deixou de se fazer. Tudo corre dentro da normalidade. Essas pessoas em vez de esclarecem pessoalmente têm-no feito nas redes sociais, tecendo considerações caluniosas e insultos”, afirmou.
Questionado sobre o pedido de audiência enviado pelo grupo de jovens ao bispo da diocese, o pároco disse tratar-se de “um direto que lhes assiste”.
O bispo da diocese de Viana do Castelo, através secretariado para a comunicação social, fez saber que “Anacleto Oliveira dedicou o domingo a uma visita pastoral à serra d’Arga e que só depois de conhecer o teor do pedido de audiência e após avaliação do mesmo, decidiria sobre o assunto”.
Na semana passada, um grupo de cidadãos lançou uma petição pública na Internet a pedir o afastamento do pároco face às “inúmeras atitudes lamentáveis para com a população” daquela freguesia da margem esquerda do rio Lima.
A petição, assinada por mais de 260 pessoas, destaca “a indignação perante tanta falta de humildade, cidadania e caráter” do pároco de 40 anos, nomeado para aquela freguesia em julho de 2015, tendo assumido o cargo no final do verão desse ano.
“Não foi isto que Deus nos ensinou”, diz o documento intitulado “Queremos outro pároco na freguesia de Darque”, com 7.817 habitantes, acrescentando que “cada vez mais os darquenses se afastam da casa de Deus”.
Já Mário Miguel esclareceu que o grupo Sagitta Darque “nada tem nada a ver” com aquela iniciativa mas disse ter “assinado o documento por se rever nos argumentos por ele invocados”.
“Vamos até ao fim na nossa pretensão. No próximo domingo, alguns elementos do grupo vão participar na manifestação silenciosa, em frente à igreja paroquial, que está a ser preparada na freguesia. Sei que o protesto “ordeiro” está marcado para as 10:00 de domingo. Quero estar presente para mostrar o meu descontentamento. As atitudes do padre são lamentáveis”.
A petição foi criada na sequência de um caso registado no final de fevereiro. Numa denúncia pública feita através das redes sociais, um jovem da freguesia lamentou o facto de o pároco ter realizado, conjuntamente, a missa do sétimo dia do falecimento do pai e as celebrações dos 25 anos de casamento de um casal da freguesia, sem que, em ambos os casos, tenham sido informados previamente da situação.
“Aquela cerimónia que seria um momento de homenagem ao meu pai deixou de o ser. O seu nome apenas foi referido no início da cerimónia (talvez porque o padre foi exageradamente pago para isso) e, após esse momento, a outra família começou a sua celebração. Enquanto uns choravam a morte de um familiar e amigo, outros festejavam e tiravam fotografias desse momento”, lê-se na publicação de Rui Pires.
Foto retirada da página do grupo Sagitta no facebook





















