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Cerca de 40 paroquianos em manifestação contra padre de Darque

Rádio Alto Minho

18 Março 2018, 14:30

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Cerca de 40 pessoas concentraram-se, hoje de manhã, no adro da igreja de Darque, Viana do Castelo, à hora da missa dominical num protesto “silencioso” de contestação ao pároco local.

“Não acusamos o senhor padre de nada, a não de falta de apoio para as atividades que o grupo desenvolve. É falta de apoio, literalmente”, afirmou Vânia Ferreira, do grupo Sagitta, “suspenso” desde o último domingo da animação das missas da paróquia.

“Somos vistos como grupo residual e não como um grupo paroquial. Nesse sentido, assinamos a petição que corre na internet e, por esse facto, fomos informados não poderíamos continuar cantar na eucaristia”, explicou a jovem que pertence à direção do grupo Sagitta Darque, constituído há cinco anos e composto por cerca de 13 elementos.

Questionada pelos jornalistas sobre se objetivo da contestação passa pelo afastamento do pároco, Vânia Ferreira disse “não ser viável trabalhar com uma pessoa assim”.

“A igreja é que manda. Aqui, ou noutra paróquia, vamos continuar a trabalhar porque o nosso fundamento não é o padre. Temos fé, acreditamos em Deus e temos ido cantar a outras paróquias”, frisou.

Contactada pela RAM,o  bispo da diocese de Viana do Castelo, Anacleto Oliveira, através secretariado para a comunicação social, fez saber que “não comenta o assunto”.

No início de março, um grupo de cidadãos lançou uma petição pública na internet a pedir o afastamento do pároco face às “inúmeras atitudes lamentáveis para com a população” daquela freguesia da margem esquerda do rio Lima.

A petição, assinada por mais de 275 pessoas, destaca “a indignação perante tanta falta de humildade, cidadania e caráter” do pároco de 40 anos, nomeado para aquela freguesia em julho de 2015, tendo assumido o cargo no final do verão desse ano.

A petição foi lançada na sequência de um caso registado no final de fevereiro. Numa denúncia pública feita através das redes sociais, um jovem da freguesia lamentou o facto de o pároco ter realizado, conjuntamente, a missa do sétimo dia do falecimento do pai e as celebrações dos 25 anos de casamento de um casal da freguesia, sem que, em ambos os casos, os paroquianos tenham sido informados previamente da situação.

“Não somos nós os autores da petição”, sublinhou Mário Carvalho. O jovem, também da direção do grupo Sagitta, referiu que, em três anos, “nunca houve grande interação” com o pároco.

“Ele nunca se manifestou disponível. Mesmo depois da cariação da petição pedimos para nos reunirmos com ele. Não respondeu. Nunca teve grande ligação connosco”, afirmou, dizendo desconhecer quem convocou o protesto de hoje.

As cerca de 40 pessoas que participaram no protesto abandonaram o adro da igreja antes do fim da missa para “evitar atritos com os apoiantes do padre, por não ser esse o objetivo da ação”.

No interior do templo, cerca de 400 pessoas assistiram à homilia, tendo sido distribuídos flores brancas aos presentes e lida uma mensagem de apoio a Manuel Pinto.

“Oferecemos estas flores brancas, despidas de qualquer maldade, representativas de uma maioria silenciosa que se recusa, terminantemente, a esconder-se, confortavelmente, atrás de um qualquer dispositivo eletrónico, tais como as redes sociais para insultar, injuriar e magoar o outro”, refere a mensagem lida por uma paroquiana.

No documento, a que a Lusa teve acesso, pode ler-se que “uma maioria silenciosa anseia por um ambiente de paz, tranquilidade, respeito e serenidade na casa do senhor, livre de intrigas, desafios e provocações”.

No final da missa, em declarações aos jornalistas, o padre Manuel Pinto disse desvalorizou o protesto, afirmando tratar-se de “pessoas que têm feito ruído e atuado através de redes sociais, com   petições ‘online’, por interesses que só eles saberão quais são”.

Questionado sobre a origem da contestação, o pároco afirmou residir na “incapacidade do grupo de jovens se inserir em igreja, no seio da comunidade paroquial”, referindo que durante a visita pastoral do bispo da diocese, há um mês, “ninguém apareceu”.

Manuel Pinto adiantou ter apresentado queixa na PSP por ter sido ameaçado num dos comentários feitos na petção ‘online’.

“Espero que siga para o Ministério Público para que as pessoas aprendam que têm de respeitar para serem respeitadas”, sublinhou, garantindo ter reunido com o bispo Anacleto Oliveira.

“O senhor bispo está ao corrente de toda a situação. Está por dentro de tudo isto. Sabe muito bem quais são as motivações que estão inerentes a toda esta situação. São problemas de muitos anos que, eu já sabia que existiam quando cheguei a esta paróquia. Naturalmente, quando se tem de trilhar um caminho de rigor as coisas por vezes não são entendidas assim”, referiu o padre que é também juiz no tribunal eclesiástico de Viana do Castelo em causas de nulidade do matrimonial.

Na sexta-feira à noite, mais de três centenas de paroquianos juntaram-se num jantar de apoio ao pároco realizado no anfiteatro do Centro Pastoral Paulo VI, residência do bispo da diocese.

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