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Vídeo: Teatro do Noroeste-CDV garante apoio da DGartes mas “vai esperar para ver”

Rádio Alto Minho

03 Abril 2018, 15:29

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O diretor artístico do Teatro do Noroeste-CDV, Ricardo Simões, congratulou-se hoje com o apoio do Programa de Apoio Sustentado da Direção Geral das Artes (DGArtes) mas disse ser como São Tomé e vai aguardar com “prudência” para que “o céu não lhe caia em cima”.



“Neste momento, estou um pouco como aos gauleses da aldeia do Asterix. Ainda tenho medo que o céu nos possa cair em cima da cabeça”, afirmou o diretor artístico do Teatro do Noroeste-CDV, Ricardo Simões.

O responsável adiantou que o “resultado provisório” do concurso é “positivo” e que a confirmar-se será “extremamente relevante” para a companhia mas preferiu parafrasear São Tomé: “É ver para querer”.

“Neste momento, é um pouco a nossa postura. Tal como há cinco anos ninguém se importou que ficássemos sem apoio, também, agora, se alguém quiser deitar abaixo o concurso ninguém se vai importar se nós estamos contemplados ou não. Vamos aguardar, naturalmente, e esperar que seja desta que a companhia vai virar uma das páginas mais difíceis da sua existência”, sustentou.

Ricardo Simões, que falava em conferência de imprensa para a apresentação da programação teatral “apenas do mês de abril”, referiu que a candidatura apresentada pela companhia para o período 2018 a 2021) prevê um investimento de “375 mil euros, por ano, sendo que a avaliação obtida “foi na ordem dos 76% em 100%”.

“O que quer dizer, na prática, que o Teatro do Noroeste-CDV está proposto para um apoio de 76% do valor que pediu”, disse, adiantando que “para 2018 o apoio proposto pela DGartes, provisório, é de 250 mil euros”.

“São 125 mil euros a menos do que o que nos propusemos fazer e temos de perceber da tutela o que propõem que nós façamos”, disse o responsável da companhia que ficou entre as mais apoiadas pelo programa, segundo os resultados provisórios.

“A proposta de decisão é de, em 2018, termos um apoio na ordem dos 250 mil euros e, nos anos, seguintes, de 280 mil euros o que perfaz, um total, de 1,096 mil euros para o conjunto dos quatro anos. É um resultado extraordinário em si mesmo, mas implica grandes alterações ao programa de atividades que nós propusemos e, ressalvo, é um resultado provisório. Até ao lavar dos cestos é vindima”, declarou.

A companhia “irá tentar, em sede de audiência de interessados, aumentar o apoio” mas manifestou-se pouco confiante no resultado dessa tentativa face ao “histórico” dos concursos em que a companhia participou, anteriormente, e que demonstraram que “raramente as decisões são alteradas, em qualquer dos sentidos quer positivamente, quer negativamente”.

“Temos que ser cautelosos e aguardar com o máximo de prudência porque há pessoas a falar em impugnar o concurso, há estruturas de representação do setor a pedir a reavaliação de tudo o que pode, eventualmente, no limite, pôr em causa todo este processo, referiu, garantindo que a companhia profissional de Viana do Castelo “está totalmente solidária” com as que ficaram sem apoio e que “irá participar em todas as manifestações que venham a ser realizadas”

“Há cinco anos quando o Teatro do Noroeste e alguns ilustres desconhecidos que ficaram de fora isso não deu celeuma, absolutamente, nenhuma. Coitadinhos, olha os de Viana ficaram sem subsídio. Este ano, são alguns pesos mais pesados. Estamos solidários com todos os colegas porque, infelizmente, sabemos muito bem o que isso é e o que pode implicar para as companhias”.

“Não iremos adotar a postura que vimos alguns colegas adotarem connosco há cinco anos que foi virar a cara para o lado e irem às suas vidas”, reforçou.

O diretor artístico disse que se o Teatro do Noroeste-CDV “recuperar o apoio perdido há cinco anos, será uma vitória enorme para aos profissionais da equipa, para os públicos da companhia, para a autarquia, que deu sempre apoio”.

Atualmente a companhia tem, “a tempo inteiro”, 11 profissionais, sendo que “um dos objetivos da candidatura passa pro “garantir melhores condições de trabalho” àquela equipa.

“Já nem falo em melhores salariais. Um dos objetivos da candidatura é combater a precariedade. Nas artes trabalha-se demasiado a recibos verdes”, frisou.



Em abril, a companhia está a promover o ‘workshop’ de Páscoa, dedicado a Almada Negreiros e com a participação de dois grupos de jovens.

No dia 07 de abril, às 21:30, sobe ao palco do Teatro Municipal Sá de Miranda a peça “Auto dos Físicos”, pela companhia Escola do Norte, de Coimbra. No final da peça, com início marcado para das 24:00, está a iniciativa “Almadíada”, para assinalar os 125 anos do nascimento de Almada Negreiros.  A “Almadíada” é uma tertúlia de homenagem ao autor, que irá decorrer na sala de ensaios do teatro municipal Sá de Miranda.

O mês de abril fica ainda marcado, entre outras atividades, pela reposição, dias 21 e 28,  da peça “24A74 – Salgueiro Maia”, no edifício do antigo BC9, em Viana do Castelo. Antes, dia 13 , a peça de homenagem ao capitão de abril vai ser representada no palácio do Bolhão, no Porto.

 

 

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