Um movimento cívico, liderado pelo arquiteto Fernando Maia Pinto vai requerer, “nos próximos dias”, a classificação do prédio Coutinho, em Viana do Castelo, como imóvel de interesse municipal. O autor e primeiro subscritor da candidatura explica que o novo pedido surge na sequência de um arquivamento anterior, decidido pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), relativo à classificação do prédio de 13 andares, com demolição prevista desde 2000, como imóvel de interesse público”.
“A resposta do DGPC chegou nos últimos dias, dando nota do arquivamento do pedido de abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional. Contudo, a DGPC enviou uma cópia para a Câmara Municipal de Viana do Castelo para ponderação de eventual classificação como de interesse municipal”, explicou Maia Pinto.
O arquiteto adiantou que o grupo de cidadãos e os moradores que ainda residem no edifício e que no início do ano avançaram com o primeiro pedido de classificação, entretanto arquivado, “aguardam uma resposta positiva da Câmara Municipal de Viana do Castelo à sugestão da DGPC para ponderação da classificação do prédio Coutinho como imóvel de interesse municipal”.
“Esta decisão salvaguardará um edifício com raízes sociais e culturais evidentes e importantes para um período histórico da região. O prédio Coutinho, projetado pelo arquiteto Eduardo Coimbra de Brito, constitui um dos exemplares mais significativos da transição dos conceitos de gestão e reabilitação urbana adotados pelo Estado Novo para os conceitos a serem aplicados no pós-25 de Abril”, sustentou Maia Pinto.
A RAM contactou o presidente da Câmara de Viana do Castelo mas sem sucesso.
Na quinta-feira passada, em comunicado, a Câmara de Viana do Castelo informou ter sido notificada, pela DGPC, do arquivamento do pedido de classificação do prédio Coutinho como imóvel de interesse público.
De acordo com aquela nota, o “parecer sublinha que o edifício Jardim/prédio Coutinho não possui um valor patrimonial de âmbito nacional, pelo que propõe o arquivamento do pedido de abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional”.
O edifício de 13 andares, que já chegou a ser habitado por 300 pessoas, está situado em pleno centro histórico da cidade e tem demolição prevista desde 2000, ao abrigo do programa Polis, para ali ser construído o novo mercado municipal.
O processo está suspenso desde janeiro, a aguardar decisão judicial da providência cautelar movida pelos últimos 14 moradores do prédio Coutinho.