Moradores voltam a sair do Coutinho depois de oito dias de “sequestro”
01 Julho 2019, 19:23
O relógio marcava 18:05. Os nove últimos moradores do prédio Coutinho, voltaram a sair de casa, onde dizem ter estado "sequestrados", e reencontraram-se no espaço exterior. Entre lágrimas e abraços receberam o apoio de familiares e amigos depois do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga ter aceite a providência cautelar que interpuseram e que suspendeu o despejo iniciado pela sociedade VianaPolis, no dia 24.
A sociedade VianaPolis já anunciou que vai pedir a “revogação do despacho” da providência cautelar movida pelos moradores no prédio Coutinho.
Em comunicado, a sociedade refere ter sido notificada da decisão, mas adianta que irá contestar a mesma por considerar que “a ação é igual à anterior providência cautelar que já foi decidida pelo mesmo Tribunal e totalmente favorável à VianaPolis”, em 2018.
A VianaPolis afirma que vai ainda hoje “informar o juiz da decisão anterior do Tribunal”, “apresentar uma resolução fundamentada” e pedir ao TAF “para revogar o despacho da providência cautelar provisória”.
Em declarações aos jornalistas, Maria Pontes, uma das moradores disse ter vivido estes dias com “muita ansiedade” por não saber o desfecho deste caso, garantindo ter “sobrevivido” como pode.
“Isto não se aceita num estado de direito. Não somos ladrões. Até os presos têm direito a água e alimentos. Foi uma barbárie aos direitos humanos e constitucionais. Para mim foi um sequestro na minha própria casa, uma coisa incompreensível”, sustento, afirmando que ainda só foi restabelecido o fornecimento de eletricidade.
Maria Pontes adiantou que os moradores “não têm chaves da entrada no prédio”, depois de na semana passada, a sociedade VianaPolis, ter substituído as fechaduras.
“Os tribunais que decidam. Nós estamos à espera dos tribunais. Confiamos no tribunal. Não estou aqui por dinheiro. Estou aqui pelos meus direitos”, reforçou.





















