Vespa asiática chega a Lisboa e Portugal “acorda” para praga que afeta o Alto Minho há oito anos
20 Setembro 2019, 13:10
Alberto Dias lamenta que só oito anos depois de ter chegado a Portugal, o país só agora tenha "acordado" para o problema da vespa asiática. A praga atingiu a capital e , segundo o presidente da APIMIL, virou um "problema nacional".
O presidente da Associação Apícola de Entre Minho e Lima (APIMIL) lamentou que o Alto Minho tenha iniciado “sozinho” o combate àquela praga.
“Neste momento percebemos que o problema já é de Portugal. Pode ser que, dentro em breve, se possa juntar uns parceiros e fazer alguma coisa com princípio, meio e fim.Portugal é Lisboa e o resto é o resto do país. Desde 2011 que andamos a puxar a carroça, sozinhos. Éramos uns coitadinhos, uns anormais estávamos a levantar problemas onde não existiam”, frisou.
Alberto Dias alertou que a “realidade está a mostrar que a praga vai crescer, evoluir, expandir e criar muitos problemas”.
“Não será só na parte apícola e frutícola. Também o ser humano vai ser afetado porque a vespa vai conviver nos nossos locais, daí as mortes que tem havido até, efetivamente percebermos que a vespa se está a adaptar lindamente a tudo”, reforçou.
Viana do Castelo é o concelho do Alto Minho com maior número de casos de ninhos daquela espécie. Segundo números avançados à Lusa pela Companhia de Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo, desde 2012, foram destruídos 2.551 ninhos desta espécie, 263 só em 2019.
O presidente responsável pela associação mais interventiva do distrito de Viana do Castelo aquando da chegada desta espécie invasora e dos prejuízos que causou na produção de mel da região, lamentou que a região tenha sido “ignorada” e criticou “a falta de maturidade para perceber que esta praga é um problema global”.
“Isso acontece quando as pessoas não percebem nada. Não percebem o que é trabalhar em grupo para um fim comum. Por isso é que tudo o que sejam pragas neste desgraçado deste país serão sempre grandes pragas”, observou.
Alberto Dias destacou que o Alto Minho foi “pioneiro” na criação e equipas multidisciplinares para “controlar”, a praga.
Mais de que “queimar” os ninhos alertou para a necessidade de “apostar na prevenção, na primavera, altura do ano em que as vespas fundadoras dão início aos ninhos”.
Alberto Dias explicou que a prevenção é “simples”, recorrendo a armadilhas artesanais, feitas a partir de garrafas de plástico de 1,5 litros.
“Corta-se a garrafa a meio, o gargalo é colocado no sentido inverso. No interior, coloca-se mel ou cerveja. Elas entram na garrafa, mas já não conseguem sair”, explicou, garantindo que com este método “caseiro é possível reduzir consideravelmente o número de ninhos”.




















