Viana vive alta tensão após condenação de 1 dos 2 acusados pelo homicídio de jovem de Areosa
21 Novembro 2019, 16:12
O centro da cidade de Viana do Castelo viveu, hoje à tarde, momento de muita tensão após a leitura do acordão que condenou apenas um dos dois homens acusados pelo homicídio qualificado de um jovem de 22 anos, em dezembro de 2018, na Areosa.
O coletivo de juízes que em outubro começou a julgar os dois homens, condenou um deles, de 29 anos a 14 anos de prisão e absolveu outro, de 34 anos.
No final da leitura do acordão, ainda na sala de audiências, os familiares do jovem de 22 anos morto à facada manifestaram revolta, gritando “palhaçada” e “injustiça”.
Os agentes da PSP presentes no interior do tribunal mobilizaram-se para impedir desacatos que vieram a ocorrer já no exterior do edifício, na principal avenida da cidade, quando o homem condenado entrou na carrinha celular.
Em declarações aos jornalistas, o pai da vítima, Vítor Coimbra, disse que vai recorrer da sentença, decisão que adiantou ter comunicado ao advogado, por considerar que “não foi feita justiça”.
“Por um crime violento, pelas costas, que não deu possibilidade de defesa levar 14 anos? Onde está a justiça no nosso país? Não querem que a família fique indignada? Eu já ficava indignado com 25 anos”, referiu o pai da vítima.
Em janeiro, a família do jovem assassinado constituiu-se assistente no processo. Segundo o pai o pedido de indemnização vai correr “num processo à parte”, porque há data do crime não era nascido o terceiro filho do jovem assassinado.
Para o advogado do homem condenado a 14 anos, Jorge da Costa, foi uma pena “excessiva” , adiantando ir “ponderar” um recurso por entender que “não existiu intenção de matar”.
No final da leitura do acórdão, a juíza do tribunal de Viana do Castelo dirigiu-se ao arguido condenado, dizendo que a “justiça não se faz assim”, referindo-se ao crime cometido.
“Não é pegar numa faca e vir por aí fora. É num momento que se desgraça a vida de várias pessoas. Este mau momento não foi para si, mas agora chegou a altura de o punir a si”, referiu.
Explicou que a moldura penal do crime de homicídio oscila entre os oito e os 16 anos, mas que neste caso “há circunstâncias que agravaram” a pena aplicada.
“A circunstância de usar o meio que usou. O facto da facada ter sido pelas costas, um meio traiçoeiro de matar. A traição do meio faz a pena passar para uma moldura dos 12 aos 25. É um mundo de tempo”, reforçou, destacando que “a conduta posterior” do arguido, que “deixou a faca no corpo da vítima”, também foi tomada em consideração.
Para a juíza a pena aplicada foi “um sinal para o exterior”.
“Não é maneira de resolver seja o que for. Não é de todo, nem sequer ao murro. A vida não é uma arena de boxe, nem um filme ‘cowboys’”, observou.




















