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C/Vídeo: Na fronteira entre Valença e Tui só passam trabalhadores e mercadorias

Rádio Alto Minho

16 Março 2020, 18:50

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Nas duas pontes sobre o rio Minho entre Valença, no Alto Minho, e Tui, na Galiza, a polícia espanhola só deixa passar veículos que transportam trabalhadores transfronteiriços ou pesados de mercadorias, como hoje constatou a Lusa no local.

Tanto na ponte rodoferroviária desenhada por Gustave Eiffel e inaugurada em 1885, como na outra travessia que abriu ao trânsito em 1993, a Guardia Civil espanhola está, desde hoje de manhã, a controlar a circulação rodoviária naquela região transfronteiriça, separada por apenas 400 metros, por causa da pandemia de Covid-19.

Do lado português, fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, hoje contactada pela Lusa, referiu que esse controlo deverá começar a partir das 18:00.

“Recebemos instruções para nos prepararmos para começar a atuar a partir das 18:00, mas ainda aguardamos indicações sobre como e onde será feito esse controlo e em que moldes”, afirmou a fonte.

No acesso à Galiza pela antiga ponte metálica, onde passam apenas veículos até 3.500 toneladas, o trânsito é travado logo no final da travessia, junto ao Centro de Cooperação Policial e Aduaneira Tui/Valença, partilhado pelas forças policiais dos dois países.

Agentes da Guardia Civil, uns com proteção no rosto e todos mantendo a distância de segurança imposta pelo novo coronavírus, explicam que só “entram trabalhadores transfronteiriços”.

“Não é permitido abastecer nos postos de combustíveis, não é permitido ir aos supermercados e à farmácia só com justificação”, afirmou o agente espanhol à Lusa, ordenando o regresso a Portugal, através de Valença.

No lado espanhol da ponte internacional, há controlo nos dois sentidos e são dadas as mesmas instruções aos automobilistas, sendo que nesta travessia os veículos pesados de transporte de mercadorias “têm via aberta para seguir”, como confirmaram à Lusa dois motoristas portugueses que fizeram a pausa para almoço na zona de descanso situada do lado português, em Valença.

É nesta travessia rodoviária que se concentra um maior número de polícias galegos.

Durante o tempo de paragem – e com vista para a ponte internacional -, tanto Johnny Martins, de 25 anos, de uma transportadora de Pombal, no distrito de Leiria, que carrega componentes automóveis para Vigo (Espanha), como António Machado, da Guarda, com uma carga de madeira proveniente de Nelas, no distrito de Viseu, e com destino a Vilagarcía de Arousa, na província de Pontevedra, constaram a livre circulação de colegas motoristas.

“Por vezes forma-se fila por causa de algum ligeiro que é parado pela Guardia Civil, mas nada de maior”, referiu Johnny.

No centro de Valença, segunda cidade do distrito de Viana do Castelo, que desde 2012 forma com Tui uma eurocidade, as ruas estão praticamente desertas, sem o habitual movimento de espanhóis. O mesmo cenário é visível na fortaleza, o principal ex-líbris do concelho visitada por mais de dois milhões de pessoas por ano.

Contactada pela Lusa, fonte da Câmara de Valença disse que “cerca de 70%” dos estabelecimentos comerciais situados no interior daquele monumento nacional “estão fechados ou a trabalhar com restrições”.

Nas ruas antigas do monumento, “até aqui sempre cheias de gente, entre portugueses e galegos, vai passando uma ou outra pessoa”.

Para o presidente da Câmara, Manuel Lopes, este é um motivo de “orgulho” pela “responsabilidade social” que a população tem demonstrado para resposta à pandemia de Covid-19.

A autarquia reforçou as operação de desinfeção das ruas, do centro de saúde e dos parques de estacionamento das superfícies comerciais.

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