Covid-19: Valença defende recolher obrigatório “imediato”
02 Novembro 2020, 15:38
O presidente da Câmara de Valença defendeu hoje a implementação "imediata" do recolher obrigatório entre as 23:00 e as 06:00 para travar a propagação da pandemia de covid-19, considerando que as novas restrições decretadas pelo Governo são "avulsas".
“A montanha pariu um rato. Não há uma diretriz que se diga que vem de raiz. Vamos tomar medidas sérias porque isto é muito sério. Andamos aqui com medidas avulso e isto agrava-se no dia-a-dia. Assim não vamos a lado nenhum”, afirmou hoje à agência Lusa o social-democrata Manuel Lopes.
No sábado, o primeiro-ministro anunciou que 121 municípios vão ficar abrangidos, a partir de quarta-feira, pelo dever cívico de recolhimento domiciliário, novos horários nos estabelecimentos e teletrabalho obrigatório, salvo “oposição fundamentada” pelo trabalhador, devido à covid-19.
Seis dos 10 concelhos do distrito de Viana do Castelo são abrangidos por aquelas medidas. Além de Valença, foram considerados concelhos de elevado risco Viana do Castelo, Ponte de Lima, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira e Caminha.
Para o presidente da Câmara de Valença, no distrito de Viana do Castelo, os autarcas “deviam ter a possibilidade de gerir a situação das suas localidades”.
“Não é a medida vir de cima e ser igual para todos. Hoje podemos estar mal, amanhã podemos estar mal e assim poderíamos aplicar ou aliviar as medidas de maneira a gerir a economia. Se eu pudesse implementar o recolher obrigatório implementava já”, afirmou.
Manuel Lopes defendeu que a evolução da pandemia de covid-19 não será travada se não forem acionadas “medidas drásticas”, como o recolher obrigatório entre as 23:00 e as 06:00.
“Sou apologista de aplicar esta medida já. Paciência. Doa a quem doer. Para acabar com o ócio noturno, com os ajuntamentos. Com o recolher obrigatório esta malta nova deixar de fazer festanças na casa de um e de outro. Os cafés vão sofrer, mas paciência. É uma medida transitória. Não podemos é continuar a empurrar o problema com a barriga, não é correto”, sustentou.
Para o autarca, é preciso “olhar para os dois lados”, ou seja, “para a epidemia e para a economia”.
“Não caminham os dois no mesmo sentido. É como uma manta que nos cobre a todos. A manta é curta. Se puxarmos para o lado da economia destapamos a pandemia, se puxarmos para o lado da pandemia destapamos a economia”, reforçou.
Sobre a aplicação do teletrabalho, Manuel Lopes considerou ser “preciso não cair no ridículo”.
“Neste momento, o que estamos a fazer é a cair no ridículo. Um município como o de Valença, que tem 300 funcionários, não pode colocar todos em teletrabalho. Não podemos colocar os 150 funcionários das escolas em teletrabalho, nem com horários diferenciados. Nem podemos pôr os funcionários que tratam dos jardins, das águas e das obras em teletrabalho”, especificou.




















