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Doutores Palhaços querem criar escola de treino e “reclamam” certificação da profissão

Rádio Alto Minho

31 Março 2016, 16:46

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Os Doutores Palhaços de todo o mundo juntaram-se para discutir a possibilidade de garantir uma forma de certificação do trabalho que desenvolvem e criar uma escola que treine os artistas e acredite a sua formação profissional.

Os “narizes vermelhos” de todo o mundo reconheceram, entre os passados dias 21 e 23, no ‘Healthcare Clowning International Meeting 2016’, que decorreu em Lisboa e juntou mais de 300 participantes de organizações de palhaços oriundas de 30 países, a necessidade de desenvolver medidas globais para o reconhecimento daquela nova profissão.

Este encontro, centrado na partilha de experiências, permitiu a identificação de boas práticas e novos contextos de intervenção junto de populações vulneráveis como crianças com necessidades especiais, cuidados paliativos, cenários de guerra e campos de refugiados.

A população idosa foi reconhecida como um novo público-alvo para as organizações de palhaços que intervêm em contexto de saúde, conforme indica a Operação Nariz Vermelho (ONV), entidade organizadora do 1.º Encontro Internacional de Palhaços que Intervêm em Saúde em Portugal.

Susana Ribeiro, responsável do núcleo de investigação da ONV, reconhece que é “necessária uma maior consciencialização relativamente ao grupo etário dos idosos, tendo em conta o envelhecimento da população e o prolongamento da esperança média de vida. Podemos ter na terceira idade um novo público-alvo que representa também para todas as organizações um desafio em termos de investigação para a melhor adequação da intervenção do palhaço”, explica.

A conversa com os profissionais de saúde levou os Doutores Palhaços a confirmar a necessidade de criar uma “linguagem comum” entre ambos os grupos, bem como a importância de ter uma estrutura que permita que comuniquem entre si, potenciando a partilha de ideias e procedimentos com vista à evolução do trabalho que todos desempenham.

No primeiro dia do encontro, a ONV apresentou o livro “Rir é o melhor remédio?”, para responder à importante necessidade de apresentar resultados de investigações sobre o impacto do trabalho dos Doutores Palhaços ao público.

A obra, que foi desenvolvida nos últimos seis anos pela ONV em parceria com o Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho, comprova os benefícios da intervenção dos Doutores Palhaços na recuperação das crianças hospitalizadas. Entre vários resultados muito significativos, o estudo demonstra que, depois das visitas dos Doutores Palhaços, as crianças “esquecem” que estão num hospital e a sua colaboração com os tratamentos e exames melhora.

O livro “Rir é o melhor remédio?” foi produzido graças ao Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants), tendo como Estados doadores a Noruega, a Islândia e o Liechtenstein. Em Portugal a gestão destes fundos está a cargo da Fundação Calouste Gulbenkian, que acolheu o Healthcare Clowning International Meeting 2016.

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