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Branco Viana demite-se da União de Sindicatos de Viana “indignado” com a CGTP

Rádio Alto Minho

12 Abril 2016, 18:26

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Branco Viana, que durante 17 anos foi coordenador da União de Sindicatos de Viana do Castelo(USVC), demitiu-se do cargo “indignado” com a CGTP. Em declarações à RAM o agora ex-coordenador explicou que a demissão, com efeito desde 01 de abril, ficou a dever-se ao facto da estrutura sindical do Alto Minho ter sido “afastada” do Conselho Nacional da CGTP no último congresso da Central Sindical. Branco Viana disse ainda que a forma como foi conduzido o caso dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) esteve na origem do “afastamento” da USVC  daquele órgão da CGTP.

“A USVC é a única no país que deixou de ter representação do Conselho Nacional da CGTP”, garantiu o sindicalista de 60 anos que exerceu o cargo de coordenador daquela estrutura sindical durante 17 anos e que acumulava com o de presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, assumido ainda quando era trabalhador dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

“É uma situação inédita desde o 25 de abril de 1974”, acrescentou.

Em fevereiro de 2014, Branco Viana liderou uma delegação de representantes sindicais locais, nomeados pelos trabalhadores dos ENVC para negociar com o anterior ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, o plano social do despedimento coletivo dos cerca de 600 funcionários da empresa pública de construção naval, subconcessionada ao grupo português Martifer.

Questionado sobre as razões do “afastamento” da USVC do Conselho Nacional da CGTP admitir estar relacionado com o processo de subconcessão dos ENVC e do despedimento dos 600 trabalhadores da empresa pública de construção naval.

“Sim com certeza que tem a ver. Não se pode dissociar uma coisa da outra, afirmou.

Branco Viana, que entretanto foi substituído nas funções de coordenador da USVC por Ludovina, garantiu ter feito o que deveria, preservando os direitos dos trabalhadores, e preservando o setor da construção naval em Viana do Castelo” .

“É evidente que não estaríamos cá para encaminhar os trabalhadores, como alguém queria que assim fosse, para um beco sem saída. Hoje seria terrível se essa posição tivesse sido assumida. Às vezes, a política quer sobrepor-se a outras coisas, e nós estamos cá para defender os trabalhadores”, disse.

“Nunca houve uma orientação, nem uma indicação como se deveria conduzir essa situação de uma forma diferente. Agora é muito bonito dizer as coisas (…). Teve que ser o movimento sindical no distrito a encontrar as melhores soluções”, frisou.

Sobre a razão da tomada de decisão dois anos depois do fim do processo dos ENVC afirmou: “Foi o tempo para digerirem”.

“Entenderam agora porque sabiam que não o podiam fazer antes, não tinham razões para o fazer e agora arranjam um bode expiatório, o congresso da CGTP, para justificar o injustificável”.

Em fevereiro de 2014 quando liderou a delegação que negociou com Aguiar-Branco o plano social de despedimento dos trabalhadores dos ENVC, os elementos da Comissão de Trabalhadores (CT) acusaram aqueles representantes sindicais de “não ter seguido as orientações da intersindical” neste processo.

“Os trabalhadores sentem-se traídos”, afirmou na altura o responsável pela CT dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), António Costa que chegou mesmo a apelar à demissão destes elementos sindicais.

Foto retirada do facebook

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