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Entrevista: Autora de “Momento de Inspiração” da RAM lança hoje primeiro livro intitulado “Beleza Natural”

Rádio Alto Minho

30 Abril 2016, 13:49

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A autora do programa “Momento de Inspiração” da RAM, Maria do Céu Painhas, vai lançar hoje o seu primeiro livro intitulado “Beleza Natural”, na Fnac.

Em entrevista exclusiva à RAM, a escritora de 49 anos desvenda alguns segredos escondidos nas mais de 200 páginas que falam sobre “o poder curativo e regenerador da natureza” através da utilização de produtos naturais.

 

Rádio Alto Minho: Como é que surgiu a ideia do livro e porquê?

Maria do Céu Painhas: A ideia do livro surgiu porque um dia estava a partilhar com uma das minhas amigas de coração, da alma e de juventude, as minhas receitas e ela propôs-me organizar tudo e, com esse material, escrever um livro, que poderia interessar a muita gente. Eu nessa altura tinha muitas receitas, todas elas em livros, em notebooks, em moleskines… e estava tudo muito separado. E eu comecei a fazer essa organização em 2005, a dividi-las por temas – limpeza, exfoliação, hidratação, nutrição, pés, mãos, olhos, lábios, etc – todas por capítulos, e punha-lhes uma nota – funciona, não funciona. De 2005 a finais de 2008, sensivelmente, tentei encontrar a melhor dosagem. Primeiro que funcionasse rápido, depois que desse uma consistência equilibrada e finalmente que, com a continuidade, desse resultados visíveis. É claro que eu sou muito autocrítica e após esta melhoria constante das receitas, comecei a dar a todas as minhas amigas para testar e à minha filha mais velha também. Aliás, tanto a minha filha mais velha como as mais novas são sempre as minhas cobaias. Depois disto, e até 2009, quando o livro começou a ganhar forma, com uma estrutura mais ou menos parecida com a que tem, organizei tudo por temas e apareceu o primeiro rascunho. Este primeiro esboço tem muito mais páginas e muitas mais receitas do que as que estão neste livro, e todas elas têm notas de resultados, tanto meus como das minhas amigas. Agora, o que eu aconselho e digo sempre a toda a gente que vê e lê o livro: é preciso ter responsabilidade na utilização de qualquer ingrediente, em qualquer mistura. Antes de fazer uma receita qualquer temos que a testar 12 horas antes, colocar no antebraço, e deixar ativo para verificar se realmente aparecem borbulhas ou algum tipo de rugor. Nesse caso temos de ter cuidado e não arriscar. Este é dos conselhos que eu mais sublinhei em todo o livro e que está sempre presente: o cuidado e a responsabilidade que nós devemos ter com as receitas.

Antes desse cuidado, e isto tem a ver também como surgiu o livro (e é muito importante), é fundamental ter em conta a escolha dos produtos. Nós muitas vezes pensamos que estamos a fazer uma alimentação cuidada e super saudável, e na verdade não é tão bem assim. Nós compramos as frutas e os vegetais nas grandes superfícies – não é que eu esteja a fazer publicidade contra as grandes superfícies – mas é importante nós utilizarmos os legumes e a fruta da época, frescos. Ou seja, eu não estou a ser regionalista nem “pequenina”, mas realmente se nós tivermos uma feira ou um mercado e se pudermos comprar estes alimentos diretamente às pessoas que os produzem, a qualidade é incomparável.

 

RAM: Este é um livro que demorou o seu tempo a ser construído, desde 2005… qual é a grande diferença que encontramos relativamente a outros do mesmo género?

MCP: Este livro é um registo, verbal e por escrito, de cuidados e hábitos que, na minha casa, eram os que se praticavam. E é claro que, hoje em dia, – pode parecer estranho mas eu tenho quase 50 anos – e há muitos anos atrás não tínhamos esta facilidade em encontrar produtos, cremes e medicamentos como temos hoje. Desde pequenina me lembro que, primeiro a minha bisavó e depois a minha mãe, sempre lidaram consigo com produtos de casa, sempre com flores ou outras ervas, faziam de tudo. E nós crescemos em casa, e de facto é o que fica para a vida, com a importância da vitamina C, de beber muita água, de ingerir bastantes alimentos verdes, de dormir e de hidratarmos a pele. A minha bisavó era de origem espanhola, morreu com 96 anos, tinha alguns problemas cardíacos, de tensão e de pele, e sempre se tratou com produtos naturais, as ditas “mezinhas”. Infelizmente morreu porque caiu e partiu uma anca. Não foi com nenhum daqueles problemas, que ela sempre tratou. Tinha uma alimentação extremamente curiosa, não comia nem muita carne, nem muito peixe. E é curioso, também tinha o cuidado de comer muito pouco à noite. Lembro-me destas coisas e por isso acho que todos nós – eu e mais quatro irmãos – somos “sumo-laranja dependentes”, ou vitamina C dependentes, porque desde pequenos sempre tivemos presente que a vitamina C era fundamental para a vida. É curioso como, quase 40 anos depois, se faz a apologia da vitamina C como um poderoso antioxidante, muito mais do que para evitar constipações ou outras coisas. Sobre o que é que aconteceu desde 2005 até agora… Foi colocar em papel a mistura que mais se adequasse, mais rápida e mais eficaz. Foi procurar a receita mais prática, mais acessível, a custo zero ou quase, porque vai ao frigorífico e usa aquilo que tem em casa, com instrumentos que tem em casa. Não precisa de comprar nem pincéis, nem garfos, nem nada. Vai à cozinha e usa o que tem. E a diferença das diferenças, entre o meu livro e outros livros que já saíram e que estão à venda, principalmente em Espanha, no Brasil e nos Estados Unidos (e em Portugal também já há alguns) é que eu nunca utilizei nem nunca procurei criar um blogue com esta temática, ou colocar um ou outro post no youtube sobre a imagem ou sobre como é que se faz ou não se faz. Eu acompanhei o aparecimento das tecnologias da informação, das redes sociais, de todas estas ferramentas e dos mass media. Hoje vamos ao youtube ou ao google e temos desde a Rússia, ao Brasil, até à Lourinhã, eventualmente, pessoas a fazerem receitas deste tipo e de tudo. A dificuldade está em encontrar o equilíbrio entre aquilo que se vê na televisão, em que tudo corre muito bem, em que as pessoas são giras e a pele está fantástica, e entre uma receita que aparece por escrito. Este equilíbrio entre uma imagem de uma receita e como é que funciona em si, acho que é o principal resultado deste livro. Porque, obviamente, de toda a transmissão que a minha bisavó me deu, de todos os produtos que ao longo da minha vida a minha mãe me deu a experimentar, até fazer pesquisa no youtube, no google, e até ver outros livros, aquilo que eu consegui arranjar foi a minha forma de fazer as coisas. E é uma forma que é fácil, é acessível, e realmente com o tempo vêem-se resultados. No entanto, é uma forma que não lhe impõe a si uma diretriz, aquilo que eu quis mesmo foi que as pessoas, se não têm uma tigela, que usem um prato; se não têm um garfo de madeira, usem as mãos. Nós temos que ser cada vez mais práticos relativamente aos nossos cuidados. Fazê-los com continuidade, de uma forma sistemática e consistente. Você está a ver televisão? Aquece um bocadinho de azeite e enquanto vê televisão pode ter as unhas em azeite. É fantástico porque hidrata, nutre, protege-as. A mesma coisa pode fazer com um limão. Abre o limão e está ali com as mãos em limão. Para além de toda a vitamina C, é extraordinário porque retira as manchas, dá-lhe todas as proteínas de que precisa, hidrata e as unhas ficam muito mais fortes. E por isso eu sou a favor, cada vez mais, da otimização do tempo. Nós não devemos fazer ginástica só pela ginástica. Devemos fazê-la e associar-lhe alguma coisa, porque quanto mais associarmos às nossas coisas, mais o todo faz sentido para nós e conseguimos manter uma atividade continuada no tempo a partir do momento em que achamos que tudo faz sentido para nós.

 

RAM: Portanto, há uma preocupação mais de partilha, digamos que social… Muito mais do que simplesmente transmitir algumas dicas…

MCP: É, sim. Porque todas as pessoas, de uma forma ou de outra, se estão interessadas por este registo mais natural e de viver de uma forma mais simples… O fazermos tudo o que podemos para a nossa saúde e bem-estar. E isto não é só para as mulheres! É para os homens, para as crianças. O livro pretende mostrar às pessoas que é muito mais fácil nós cuidarmos de nós, com resultados evidentes e a custo mínimo. Nós não vamos ter de comprar nada para fazer uma máscara. E se não temos pêra-abacate fazemos outra coisa qualquer, porque receitas não faltam. E uma das coisas também, e não sei se no livro está muito presente, mas cada vez é mais importante nós usarmos os produtos da época. Tudo bem que podemos comprar o que quisermos, mas já está mais que investigado que as vantagens de nós utilizarmos aquilo que a natureza nos dá, no local onde vivemos, é um dos segredos para a saúde e para uma alimentação com qualidade.

 

RAM: É um livro que espelha um estilo de vida. Até porque um dos pontos que aborda é a introdução à meditação…

MCP: Com toda a simplicidade do mundo, eu acho que este livro é muito mais do que um livro de receitas. Este livro é, digamos assim, a partilha da minha vida. E que não pensemos que é muito fácil porque a partir do momento em que queremos deixar alguma coisa por escrito e que tenha alguma veracidade, nós temos que a testar. E obviamente nós podemos testar, mas a família passado algum tempo… no primeiro mês é engraçado, aos dois meses passa a ser aborrecido e depois é uma seca. Porque nós estamos sempre a testar e estamos a pedir as opiniões e estamos sempre a fazer catálogos. Nós temos que fazer as coisas com alguma responsabilidade e depois a beleza e o bem-estar, o nós gostarmos de nós próprios, é uma construção com muitos componentes. É a alimentação, é a água, é o sono, é escolher os alimentos que ingerimos com alguma qualidade, é começar a estar mais abertos para novas ideias e experimentá-las, ver como é que funcionam, como é que nós reagimos a elas, e depois, também fundamental e em paralelo, nós descobrirmos quem somos e o que é que estamos aqui a fazer. O ser humano tem que estar social e socialmente ele gosta de estar bem apresentado. Daí as receitas e todas estas coisas que, a custo reduzido, fazem com que as pessoas tenham uma pele muito mais bonita e hidratada. Isto não quer dizer que cure “as rugas”, claro que não. Mas pelo menos vai dar à pele a alimentação, os nutrientes e os princípios ativos que ela precisa para atuar contra o seu envelhecimento natural. O livro pretende estimular as pessoas, ser tipo um “grilo falante” para verem que há muitas mais coisas na vida. Elas são muito mais fáceis, muito mais acessíveis e todos nós poderíamos estar mais satisfeitos connosco próprios e a pensar que fazemos o que podemos para estar bem dentro da nossa pele.

A meditação, juntamente com a alimentação, com dormir, com beber, com o sumo de laranja, por exemplo, para mim, é fundamental. Eu vejo a meditação como lavarmos o lixo do nosso cérebro. Nós todos os dias tomamos banho e, portanto, vejam aquela imagem fantástica de, se não tomar banho, fica a cheirar a suor, fica a cheirar mal. Agora veja, se não faz meditação, como é que está o seu cérebro? A meditação é só limpar o cérebro de todas as coisas que nos fazem mal. Todas as toxinas, todo o lixo, é assim que as coisas são. Por muito que haja o programa “Momento de Inspiração”, onde tenho falado imenso dos benefícios da meditação, muitas pessoas até são críticas relativamente a estudos que nós já explicamos da neurociência, em que evidencia que a meditação é fundamental para a neuroplasticidade do cérebro. Ou seja, se você tem uma ideia e se a alimenta com impulsos e com motivação, daqui a algum tempo essa ideia é apreendida e rapidamente adquire todas as habilidades e novos conhecimentos, a partir do estímulo constante. E o estímulo constante pode simplesmente ser dado através da assentada com mantras, ou ouvir música ou a respiração, ou a fazer contagens. É fundamental para a neuroplasticidade do cérebro, fica muito mais mente aberta, muito mais predisposto para aprender. Também quero, com o livro, mudar um bocado o registo do que alguém pode fazer por nós e começarmos nós a assumir as rédeas da nossa vida. Se quero uma pele bonita, vou fazer uma máscara. Se quero umas unhas limpas, vamos lá pô-las em limão. Estou a dizer isto porque é assim na ótica mesmo simples que está escrito este livro. E a meditação é tão importante quanto fazer exercício. Todos os cuidados que eu tenho comigo são estes, e outros, ou muitos outros… É a minha vida.

 

RAM: É para sair um segundo livro?

MCP: É para isso também… é para sair um segundo livro. Porquê? Porque nós estamos a evoluir de uma forma constante e a ideia é simplificar ao máximo cada receita a partir do mais natural que nós possamos encontrar. O cuidado com a água, o sono e a alimentação é indissociável à meditação e ao exercício. Eu acredito que nós estamos aqui para aprender, para sermos só felizes. E o meu objetivo é fazer com que as pessoas acordem para as infinitas possibilidades que têm à frente e não as usam. Nós somos energia, somos eletricidade. A partir do momento em que não somos energia, morremos. Se estiver triste ou angustiado e souber que pode tirar as meias e os sapatos, ou fazer uma ou duas respirações, realmente as coisas mudam. Tem que mudar o foco, tem que sair do ciclo negativo e vicioso em que vive para mudar e fazer uma opção, ou simplesmente para ver a vida de uma forma diferente. O livro “A Beleza Natural” é exatamente isso: é irmos ao nosso baú, onde temos ideias fantásticas, estratégias maravilhosas, para as pessoas pelo menos experimentarem outro registo de estar na vida, que não tem a ver com religião, nem política nem com futebol, e que tem a ver só com o ser humano.

Se houver um próximo livro é sinal que a minha ideia de ser um “grilo falante” e de que as pessoas têm o poder para fazer alguma coisa a seu favor funcionou. Porque o livro não pode ser interpretado só como um simples livro de receitas. Porque não é. No fundo, este livro procura ajudar a descobrir o verdadeiro sentido da vida, a ser feliz e, sobretudo, que você só é na medida em que dá. E quando se põe um livro à venda, obviamente que se pensa em ter lucro, ou em vender. E partir para uma segunda edição significa que se obteve sucesso na primeira. Claro que eu quero que o livro venda e obviamente que eu quero fazer uma segunda edição. Eu acho que o livro é muito válido e mesmo por isso é que vou fazer algumas exposições e apresentações públicas. Gostava de um segundo livro muito mais no meu registo de vida atual, ou seja muito mais simples, com muito mais teorias e estratégias no âmbito da espiritualidade, para as pessoas lidarem com os revezes da vida porque é para isso que nós estamos aqui. Eu gosto muito de um senhor chamado Ralph Waldo Emerson, que fez a melhor, mais fabulosa e sublime definição do que é uma vida com sucesso. Ele escreveu (não ipsis-verbis) que uma vida com sucesso pode ser só tornar a vida de alguém – pode ser um ser humano, uma planta, um animal – mais feliz só porque você existiu. Nem que seja só um/a. Tudo aquilo que nós pensamos é uma forma energética que nos ultrapassa e você é muito grande só que não sabe, você tem muito valor só que não percebe. Nós temos que entrar num caminho e não estar a pensar e a procurar, de forma obsessiva, esta paz interior, porque ela vai fugir. Esta paz interior vai surgir num belo dia quando menos se espera. E isto também tem a ver com a não exposição, porque não se trata de vender uma ideia. Trata-se de ser, e quem tem olhos verá, e quem tem ouvidos ouvirá, porque não se trata de vender nada. Nós temos a tendência de, quando vemos uma luz ao fundo do túnel, ou quando temos uma epifania de “é mesmo isto”, temos a noção de querer que toda a gente acredite na nossa ideia e no caminho. Não é nada disso e não façam isso. Cada qual vai descobrir o caminho e o seu silêncio e a sua coerência de vida são fundamentais para que a luz permaneça. Você é uma vela, e se for coerente, consistente, persistente e leal consigo mesmo, a sua luz vai brilhar cada vez mais e ter cada vez mais oxigénio, porque você próprio está a lapidar-se para que a luz possa aparecer naquele espetro das sete cores fantásticas do arco-íris. Nós estamos aqui no mesmo registo que todos, para aprender, e todos os dias, uma coisa que eu acho absolutamente fundamental, é que fechemos os olhos e pensemos “estou contente com aquilo que eu sou, a qualquer momento posso ir embora”. Isto faz de nós seres muito mais pacíficos e tranquilos.

 

RAM: Uma vez que está próximo o lançamento do livro, quais são as expetativas?

MCP: A expetativa é… não se fixem muito nas imagens estereotipadas (não) fantásticas daquilo que poderá (ou não) surgir. Experimentem vocês e vejam. Eu sou muito avessa à imagem e à exposição pública, porque nós devemos valer por aquilo que estamos a transmitir e não pela imagem que temos e que pode funcionar a favor ou contra nós. E eu gostava que as pessoas acordassem. Este livro está muito ligado ao “Momento de Inspiração”, que é toda aquela parte espiritual, fundamental para ser bonito, ou seja, eu acho que a beleza natural é só ter um momento de inspiração para nós vermos que somos seres humanos únicos, verdadeiros diamantes, e não sabemos. E por isso, este livro é exatamente como o “Momento de Inspiração”, é um “grilo falante” que lhe vai dizer na cabeça “acorde para a vida”, “pegue na sua vida, mude-a”, “você pode ser feliz”, “você é capaz”, “a sua existência é verdadeiramente imprescindível para vida exatamente como a conhece e sem si as coisas não seriam como são”.

Não há acasos, não há coincidências, há certezas e toda a nossa certeza é a nossa vida. E por muito complicada que ela seja, olhe para o espelho e fale consigo para aumentar a auto-estima e o auto-conhecimento. Nós não devemos ver aquela nossa mente negativa, estar todos os dias a martelar contra nós, e tudo aquilo que tentamos abstrair ou anular, ganha muita força com a nossa resistência. Então nós temos que fazer uma coisa fantástica chamada aceitação. A partir do momento em que você acredita… Convença o seu ego, fale com ele enquanto está a por uma receita, a fazer um tratamento, a tirar as meias, quando vai à casa de banho respirar fundo… e diga-lhe “se eu for feliz, tu vais ser mais feliz porque vais ser mais importante”, porque o ego só quer importância. Houve muitas estratégias, em termos da psicologia e mesmo do auto-conhecimento, terapias holísticas, que passaram por diferentes registos, desde a anulação, à sublimação, ultrapassar, fazer de conta que não existe… e neste momento é a aceitação.

Acho que neste momento (e há muitos momentos atrás), quando nos damos conta, existem imensos livros, trabalhos, workshops, empresas que só trabalham isto e têm ‘experts’ a desenvolver muitos projetos, que quando chegam às nossas mãos parece que descobrimos o “ovo de Colombo”. Não é verdade, eles [livros, trabalhos, projetos…] já existem, chegam às nossas mãos no momento em que têm que chegar. Mas a aceitação, no meio de tudo aquilo que existe, é fundamental para nós conseguirmos ser felizes e é a estratégia mais inteligente do ser humano. Porque quer aceite quer não aceite, as coisas não vão mudar, então junte-se. Junte-se à força que orienta uma vida e que não dá muitas alternativas senão a aceitação. Quando você aceita aquilo que existe e que é, seja bom ou mau, você ganha paz de espírito inabalável.

 

RAM: Relativamente à promoção do livro, como vai ser feita?

MCP: A promoção do livro tem esta parte muito social, muito pública. Eu gostei sempre de ser muito discreta e não me incomodar muito com as opiniões da sociedade, mas estou a promover um livro e isso implica que eu tenha uma imagem. O problema é que eu não gosto da minha imagem refletida, nem nas fotografias, nem na televisão. E por isso, para mim, isto vai ser um grande desafio. Como é que eu, e todas as minhas camadas de cebola, vamos agora viver estes momentos que se vão seguir, porque o meu ego hoje está em força e é extraordinário. A divulgação do livro será pública, no dia 30 [de abril] terá na Fnac o lançamento, no passado dia 19 foi colocado à venda e, de vez em quando, terei umas idas à televisão. E vamos ver uma coisa… Fazer um programa no registo do “Momento de Inspiração” na televisão faz sentido para mim. Porquê? A rádio faz todo o sentido, e a televisão neste registo também, por uma questão de ser cada vez mais interventiva no sentido de ajudar pessoas a encontrar novos caminhos, novas estratégias, um rumo para descobrir o que é que a pessoa está aqui a fazer e que, afinal, tem todas as razões do mundo para ser grata, feliz, e não é. Saber utilizar a experiência com sabedoria e inteligência emocional e não viver revoltado. Eu acredito que nós só podemos ser felizes aqui, e só o podemos ser se partilharmos o pouco que sabemos com o mundo. Eu acho que o “Momento de Inspiração” tem a ver com a “Beleza Natural”, com tudo o que podemos fazer e que está ao nosso alcance, que não depende de terceiros nem de quintos, que está nas nossas próprias mãos. Nós somos todos diamantes em bruto, somos pós de estrelas, e só estamos aqui para lapidar, para deixar que a nossa luz brilhe. E à medida que vamos transformando as experiências negativas em emoções, em motores para descobrirmos que afinal há outra forma de estar na vida, que não somos vítimas, que as pessoas estão aqui para nos ajudar, que aquelas mensagens negativas no fundo só podem querer dizer “isto não é meu”, “não me pertence”, “não faz sentido para mim” e “eu não quero isto para mim”. A partir do momento em que você verbaliza que não quer, experimente, isso sai. Quando formos só luz, nós vamos para casa. É sinal que cumprimos a nossa missão.

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