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Crescimento das sex shops e apps de namoro durante a pandemia

Rádio Alto Minho

05 Novembro 2021, 10:36

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2020 foi um ano desafiante em vários sentidos - foi o ano em que vimos as nossas liberdades serem postas à prova, mas foi também um ano de explorar novas liberdades, como foi o caso da sexual. Todos, sem exceção, tivemos de nos readaptar à “nova realidade” e os mercados tiveram de se reinventar. Esse foi, precisamente, o caso do mercado online dos brinquedos eróticos e das apps de namoro, que viu em 2020 o maior crescimento de que há memória.

Um mercado a chegar ao clímax

Um relatório do Grand View Research indica que, em 2020, o mercado mundial dos brinquedos eróticos valorizou-se em 33,64 mil milhões de dólares e parece não vir a mostrar sinais de abrandamento dado que, entre 2021 e 2028, o estudo prevê uma taxa de crescimento de 8,04%.

Fomos procurar informação sobre o uso de brinquedos eróticos em Portugal e segundo um estudo feito pela LELO, marca sueca de brinquedos eróticos de luxo, 75.42% dos inquiridos admite que a entrada de objetos eróticos na sua vida sexual contribuiu para que esta tenha melhorado. Entre 2019 e 2020 houve um crescimento de vendas de sex toys de 600% e segundo um relatório feito pela Technavio, prevê-se um crescimento de cerca de 9,83 mil milhões de dólares de 2020 a 2024.

No caso das plataformas de namoro, o cenário não foi diferente. De acordo com o Dating.co, houve um aumento de 82% no namoro online global em março de 2020, quando as medidas de isolamento entraram em vigor em diversos países. O levantamento revela que os utilizadores norte-americanos são os que mais dão “match” no mundo, com seis ou mais conversas a acontecer simultaneamente. O Top 5 inclui também Índia, Irlanda, Reino Unido e Espanha.

Mas a que se deve esse crescimento?

Impossibilitados de conviver, afastados pela distância ou apenas motivados pela necessidade de apimentar a sua relação, muitos foram os que se deixaram seduzir pelos brinquedos sexuais, tudo em nome da saúde mental e também da sexual.

A este respeito, Pedro Correia, CEO e Senior Partner da sexshop online em Portugal – Vibrolandia, em entrevista à EAN, afirma que em 2020 “o mercado erótico teve a oportunidade de se reinventar, transitar para o online ou reforçar a sua presença neste canal. As redes sociais adultas aumentaram em número de seguidores e oferta, como o Only Fans e conteúdos pagos semelhantes. Os casais em confinamento tiveram de reacender a chama da sua relação, e tudo isto contribuiu para o mercado erótico se manter ativo.”

O fim do Patriarcado

Um dos principais motivos para o crescimento deste mercado, foi o facto do perfil dos consumidores também se ter alterado um pouco, como sublinha o responsável da Vibrolandia, em 2019 em entrevista ao Correio da Manhã, os “homens dos 25 aos 45 anos” eram os seus clientes mais regulares.

Atualmente, há mais mulheres a comprar sex toys como se pode comprova pela entrada no setor de caras bem conhecidas do grande público. Existem cada vez mais empresas e produtos pensados para o sexo feminino, como é o caso de Dakota Johnson, protagonista do filme “Fifty Shades of Grey” em parte responsável pela abertura deste mercado ao público feminino, que em Novembro investiu na Maude (marca de produtos de bem-estar sexual) e assumiu o cargo de co-directora criativa. Também Cara Delevingne passou a ser uma das proprietárias e conselheira criativa da Lora DiCarlo.

Explorar a sexualidade longe de olhares curiosos

Uma boa parte do êxito do crescimento de brinquedos eróticos, deve-se ainda ao facto de existirem cada vez mais lojas online que permitem adquirir esse tipo de artigos com uma série de vantagens como: comodidade, descrição e variedade.

Apesar de a sexualidade ser algo natural ao ser humano, existe muito pudor e tabu associado ao ato sexual e por esse motivo, as lojas online tornam-se num veículo perfeito para explorar a sexualidade longe de olhares curiosos, podendo manter privada, a sua vida intima. Normalmente, nas lojas online consegue encontrar todo o tipo de artigos sexuais, desde lingerie a vibradores e lubrificantes, tudo à distância de um clique, fazendo com que esta opção seja a mais cómoda e discreta.

Um amor remoto

Durante a pandemia, o amor, tal como o trabalho, tornou-se remoto. Exemplo disso é o aumento da popularidade de brinquedos eróticos que utilizam tecnologia de ponta, como é o caso dos teledildónicosos que podem ser manipulados à distância, visto que funcionam através da internet e via Bluetooth. Independentemente do género ou orientação sexual, muitos foram os que procuraram relacionar-se de forma virtual, recorrendo a sex toys e dating apps.

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