EMISSÃO ONLINE
OUVIR..
Regional

Valença quer preservar testemunhos de mulheres que arriscavam a vida no contrabando

Rádio Alto Minho

07 Fevereiro 2022, 17:25

Acessibilidade

Publicidade

A Câmara de Valença quer preservar os testemunhos das últimas trapicheiras, mulheres que de um lado e do outro da fronteira entre o Alto Minho e a Galiza arriscavam a vida no contrabando para garantir o “ganha-pão” das famílias.

De acordo com Ana Paula Xavier, vereadora da Câmara de Valença, “é fundamental preservar este património imaterial do concelho. A memória coletiva é importantíssima. O nosso objetivo é dar a conhecer o passado, para saber o presente e, acima de tudo, delinear o futuro”.

Contactada pela agência Lusa a propósito do arquivo audiovisual realizado há 13 anos pela cineasta Diana Gonçalves, a vereadora acrescentou que o município está a estudar a “estratégia de valorização deste elemento identitário da vida da fronteira, das mulheres da fronteira, do contrabando, e das trapicheiras”.

Diana Gonçalves estreou o documentário “Mulleres [Mulheres] da Raia” em 2009. Concorreu e ganhou o prémio do festival galego Caminhos. Até hoje tem sido requisitado para testemunhar histórias, no feminino, feitas de luta e coragem.

Portugal vivia em pleno Estado Novo e em Espanha adivinhava-se uma guerra civil, e a média metragem, de 42 minutos, conta, na primeira pessoa, a vida de mulheres que asseguravam a subsistência das famílias desde 1930/40 até à década de 80” e que introduziu o termo trapicheira, que resulta de trapiche na linguagem galaico-portuguesa, associado ao contrabando de pequena escala.

Mesmo após a entrada em vigor, em 1993, do mercado único, com livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais, as marcas deixadas por uma forma de vida fora da lei não foram facilmente ultrapassadas.

Durante a investigação que conduziu ao filme, a realizadora recolheu mais de 60 horas de conversa com 14 trapicheiras, portuguesas e galegas. Atualmente apenas cinco estão vivas, e com “saúde frágil”.

Diana Gonçalves teme que o “material recolhido e guardado em gavetas, sem as devidas condições, possa perder-se se não for digitalizado”.

Ana Paula Xavier revelou que, esta semana, irá reunir-se com a realizadora “para perceber de que forma é que o município, enquanto entidade pública, pode contribuir para a valorização deste património imaterial”, que poderá passar por uma candidatura aos vários programas comunitários que apoiam este tipo de ação.

Para a responsável, a valorização da “identidade local, através de uma tradição que estava enraizada nos dois territórios vizinhos, poderá “abranger várias vertentes, desde a sua disponibilização à população, à apresentação em iniciativas promovidas pela autarquia, até formato literário e de suporte às escolas”.

“A preservação que pretendemos irá envolver a escola, que é a base da sociedade. É muito importante ensinar a matemática, o português, a biologia, a física e a química, mas é igualmente importante ensinar a componente da memória coletiva, da cultura e história do contexto onde a escola está inserida”, destacou.

O papel da mulher como sujeito da história de Valença, a sua relação com a prática do contrabando realizado entre Valença e Tui, foi debatido recente numa conferência promovida pelo Consórcio Minho Inovação, que integra as três Comunidades Intermunicipais (CIM) do Alto Minho, Cávado e Ave.

 

Publicidade

Rádio Alto Minho - Blisq Creative – Agência de Comunicação
Rádio Alto Minho - Casa Peixoto

Publicidade

Rádio Alto Minho - Petropneus NOTICIAS
Rádio Alto Minho - adam
Rádio Alto Minho - Hospital Particular 01

Publicidade

Rádio Alto Minho - UNIPVC – Candidaturas

Publicidade

APP ALTO MINHO

APP - Rádio Alto Minho

Publicidade