Mostra coletiva “Chieira” abre no Museu do Traje com peças únicas de artista de Viana feitas de utensílios do quotiano
29 Julho 2016, 14:58
Um infusor de rede para fazer chá ou cozer alimentos, um ralo de lava loiça , lã, acrílico ou metais são alguns dos materiais utlizados por Fernanda Vilas Boas nas peças que ciar inspiradas nas festas da Agonia e no traje de Viana
O infusor de rede, em forma de esfera e feito de alumínio utilizado para fazer chá, cozer arroz ou legumes e o ralo de lava loiça compõem duas das peças de joalharia contemporânea inspiradas nos gigantones e cabeçudos, este ano o tema escolhido para o cortejo histórico-etnográfico da Romaria d’Agonia, que vai decorrer de 19 a 21 de agosto.
“Na criação das minhas peças de joalharia contemporânea ou nos acessórios de moda utilizo os mais diferentes materiais. Tudo o que encontro no meu quotidiano serve para criar”, afirmou a artista plástica .
“A riquíssima cultura vianense, que das vestes coloridas aos objetos de enfeite, do ‘glamour’ do campo ao perfume do mar, me faz despertar um saudável inconformismo, é o mote desta exposição”, disse, referindo-se a mostra intitulada “Chieira” (termo minhoto que significa orgulho) que inaugura sábado, às 10:00, no Museu do Traje, em pleno centro da cidade.
A exposição coletiva incluiu ainda a nova coleção de vestuário de uma criadora local, Sofia Araújo, que inspirada nas tradições da cidade criou a marca “Biana” em parceira com o fotógrafo Vítor Roriz.
Os colares criados a partir de utensílios domésticos por Fernanda Vilas Boas fazem parte dos trabalhos de joalharia contemporânea, que incluem brincos, pulseiras e outros adornos e acessórios como uma carteira confecionada com o mesmo material, jornais e cola, com que são feitos os gigantones e cabeçudos, figuras humanas grotescas que acompanham os grupos de bombos, emblemáticos das festas da cidade.
“Adoro trabalhar o património local. Viana é a minha terra natal e é um orgulho muito grande para mim fazer trabalhos inspirados nessa temática”, afirmou a artista de 52 anos que também faz escultura.
O traje à Vianesa, a filigrana, o coração de Viana e a cerâmica são também elementos do património da cidade utilizados nos sapatos e carteiras que Fernanda Vilas Boas preparou para a exposição, a primeira coletiva em que participa.
“Reinventar as obras-primas de uma herança que tanto me orgulha é apenas adicionar de forma permanente, a autenticidade das evocações à sua identidade”, sublinhou.
Há mais de três anos que a professora de Artes Visuais expõe o seu trabalho sem intenção de o comercializar.
“São peças únicas que não quero vender. Faço uma ou outra cópia, porque me pedem e só são vendidas no Museu do Traje”, explicou.
Na exposição a inaugurar no sábado, Fernanda Vilas Boas assina ainda uma instalação artística.
“É um vídeo em 3D sobre as contas, peça em ouro dos colares usados pelas mordomas e lavradeiras desde que nascem”, adiantou.
A exposição da criadora Sofia Araújo inclui cerca de 40 peças de vestuário com cerca de 30 imagens do fotográfico Vítor Roriz que retratam as festas, o traje e o património de Viana do Castelo.
“Esta coleção é mais rica que as anteriores até pela responsabilidade de expor no Museu do Traje. Alarguei o leque de temas que usei nas peças como por exemplo o estuque e os azulejos e reforcei o cuidado com os acabamentos e tecidos”, explicou a empresária.

























