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Opinião

A Rádio Alto Minho avança mais um passo na sua missão criando este espaço de opinião nas suas plataformas online

Privado: César Brito

01 Junho 2021, 9:00

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A Rádio Alto Minho avança mais um passo na sua missão criando este espaço de opinião nas suas plataformas online, acontecimento que aclamo e para o qual me sinto honrado pelo convite à participação. O naipe de colaboradores escolhido, alguns dos quais meus “velhos” amigos com quem já partilhei espaços semelhantes, é heterogéneo, com diferentes convicções e experiências de vida, o que promete tornar esta projecto diversificado e interessante.

Ao receber o convite para uma actividade que já não exercia há uns anos, dei comigo a pensar em como tanta coisa mudou, entretanto, neste domínio. A Internet teve um exponencial crescimento, a comunicação social clássica adaptou-se aos tempos e disponibilizou novas plataformas e canais. Paralelamente, comentadores, influenciadores e afins multiplicaram-se, o rigor jornalístico e as regras da confirmação de fontes e do contraditório foram cedendo à pressão da notícia ao minuto, a concorrência desenfreada foi esbatendo as mais básicas regras da ética profissional e da distinção entre informação de interesse público e mera exploração emocional de situações privadas. A facilidade e baixo custo de publicar no ciberespaço, a par da completa e desregulada liberdade de o fazer, foi pasto para o crescimento de novas estratégias comunicacionais, mudou hábitos de procura de informação e cimentou as redes sociais como formas de propagar massiva e rapidamente qualquer informação, verdadeira ou não, como reais notícias. Desde cidadãos individuais até aos serviços de inteligência estatais, passando por grupos políticos, religiosos, corporativos ou de crime organizado de maior ou menor dimensão, todos sem excepção puderam passar de meros consumidores de informação para produtores ou comentadores da mesma. Com isso, começamos a ter contacto com novos ou, pelo menos, renovados fenómenos de que antes estávamos relativamente protegidos: contra informação, fake news, desinformação, teorias de conspiração. Como a educação para o espírito crítico e as competências para uma análise capaz de destrinçar o que realmente interessa e é credível perante a sufocante quantidade de informação que nos chega em cada minuto não foi proporcional, o resultado está à vista: confunde-se informação com conhecimento, notícia com opinião, ciência com crença. Para as gerações mais jovens, a internet sacralizou-se, o resultado de qualquer pesquisa no Google é mais certo do que o que a escola ensina, os valores da comunidade cibernética que seguem ou a que pertencem são mais fortes do que os transmitidos pela família e pela sua comunidade real.

Assim, para que não restem dúvidas sobre ao que venho, ficam expressos para memória futura nesta espécie de “crónica número zero” os propósitos no que à minha participação neste painel diz respeito:

  • Todos os textos de opinião que aqui publicarei são simplesmente isso mesmo: opiniões sobre o tema em apreço baseadas no pensamento pessoal, naturalmente formatadas pelos valores, convicções e experiência que a vida me foi dando e, como tal, contestáveis e discutíveis. Em qualquer caso, vinculam-me apenas a mim e nunca qualquer organização ou instituição a que estivesse ou esteja ligado e que seja do conhecimento público.
  • Não pretendo contribuir para essa espécie de Efeito Dunning–Kruger que se generalizou em boa parte dos comentadores no espaço público. Portanto, nunca deverão os leitores achar que sou especialista em tudo o que falo nem ousarei assumir tal postura quando escrevo, salvo se o assunto for da minha específica competência técnica profissional o que, de resto, não creio que venha a acontecer dado o âmbito temático deste espaço.
  • Não me furtarei a eventuais debates, discordâncias e confronto de opiniões divergentes desde que se mantenha um nível de lisura e educação aceitáveis e não sejam envolvidos, por arrasto, terceiros que não tenham possibilidade de nelas participar e se defenderem como tantas vezes se vê nos comentários de plataformas como esta. Podem contar comigo para uma saudável polémica, jamais esperem que me envolva numa decadente “peixeirada”.

Posto isto, espero que se divirtam a ler os meus textos tanto quanto, de certeza, me divertirei a escrevê-los.

 

César Brito

 

Por opção pessoal o autor escreve segundo a antiga ortografia

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