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Cultura

Alvarães assinala 12º aniversário de elevação a vila com escultura de homenagem a fabrico da cerãmica

Rádio Alto Minho

06 Dezembro 2016, 17:45

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A inauguração, no próximo sábado, de uma escultura em bronze, em homenagem aos trabalhadores do barro de Alvarães, vai dar início à criação de um museu em memória do fabrico artesanal de telha naquela freguesia de Viana do Castelo.

Em comunicado, hoje, aquela autarquia da margem esquerda do rio Lima, revelou que o monumento vai ser inaugurado no dia em que Alvarães comemora 12 anos de elevação a vila.

A peça, concebida pelo artista plástico Filipe Neiva, com cerca de dois metros de altura e outros tantos de largura vai ser instalada, cerca das 10:00, no lugar das Costeira, no Monte de Infias, onde era extraído o barro.

“A escultura é composta por duas mãos. Uma simboliza a dureza do trabalho do barro e da sua transformação em telha. A outra representa quem recebe e acolhe. Na altura, existia, no trabalho, muita união entre o povo”, explicou o autor da instalação artística de 25 anos de idade, citado naquela nota.

Filipe Neiva, natural da freguesia mas há mais de uma década a residir no Brasil, afirmou que a obra resultou de “um desafio” lançado pelo presidente da Junta e manifestou a “enorme satisfação” por passar a ter um trabalho da sua autoria “na terra natal”.

Formado pela Faculdade de Belas Artes, no Porto, Filipe Neiva referiu que a mensagem da obra assenta “na grande dureza” do fabrico artesanal na telha que ocupava, “sobretudo mulheres e crianças”.

“Há uma ligeira inclinação entre as duas mãos para dar a sensação do trabalhador que está dentro do forno a fazer a telha e um outro no exterior a receber o produto final”, explicou.

O futuro museu irá nascer da reconversão de uma casa, por acabar, adquirida pela Junta de Freguesia por 25 mil euros, e que está situada junto a três antigos fornos, um ainda funcional e os restantes a necessitar de reabilitação.

O presidente da Junta de Freguesia, Fernando Martins adiantou que a documentação recolhida ao longo dos anos “atesta a existência de fornos de fabrico de telha na freguesia desde o século XVI, mas é quase certa a sua anterioridade, pois há indícios de ter sido aqui que se fabricou alguma da telha que cobriu o Mosteiro da Batalha”.

O autarca acrescentou que o fabrico de materiais cerâmicos na freguesia fica a dever-se a “uma grande quantidade de jazidas argilosas que possui, cuja qualidade é comprovada pelo facto de, num passado ainda recente, virem industriais de Leiria e Alcobaça comprar barro à freguesia de Alvarães”.

Para Fernando Martins, a criação do futuro núcleo museológico, é de “grande importância”, não apenas “do ponto de vista do seu aproveitamento turístico e, principalmente, pedagógico, como para perpetuar uma atividade artesanal que se encontra praticamente extinta”.

O forno telheiro de Alvarães, ainda em funcionamento, foi construído na primeira metade do século XX e está classificado pelo Instituto Português de Arqueologia (IPA), encontrando-se atualmente vedado. Nas proximidades existiram outros fornos semelhantes, que foram progressivamente destruídos.

 

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