Artista brasileiro pinta mural de mais de oito metros em Cerveira de homenagem a José Rodrigues
11 Outubro 2016, 19:45
Um mural com mais de oito metros, pintado por um artista brasileiro durante uma residência artística realizada em Vila Nova de Cerveira, evoca o escultor José Rodrigues, falecido em setembro, anunciou hoje a Fundação da Bienal de Arte.
Em comunicado, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) adiantou que a escolha do local para a instalação da pintura do artista brasileiro Elton Hipólito foi “premeditada”, localizando-se “em frente ao espaço ajardinado onde se encontra a escultura ‘O Esforço’ do mestre José Rodrigues”.
Em setembro passado, o presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira já tinha anunciado que no próximo dia 29 de outubro aquele jardim vai ser rebatizado numa homenagem conjunta, da autarquia e da família do escultor.
“Como forma de reconhecimento e homenagem póstuma a Câmara decidiu, na quarta-feira, por unanimidade, a alteração toponímica daquele jardim. No dia 29 de outubro às 15:00 será colocada uma placa identificativa do Jardim Mestre Zé Rodrigues”, referiu, na altura, Fernando Nogueira.
O mural classificado como “projeto de arte pública” intitula-se Lacunas da Memória e foi executado durante “quatro dias de intenso trabalho” do artista brasileiro, no âmbito do programa de Residências Artísticas 2016 da Fundação Bienal de Arte de Cerveira.
Segundo o artista natural de São Paulo, citado na nota enviada à imprensa, o trabalho “pretende contribuir para as questões que surgem de vivências pessoais e de impressões da sociedade atual inerentes ao esquecimento, à memória e à sua preservação”.
O coordenador artístico e de produção da FBAC, Cabral Pinto, também citado naquela nota, referiu que se trata de “uma homenagem a um grande ícone das artes plásticas em Portugal, um artista excecional que deixou marcas profundas e um legado cultural de excelência em Vila Nova de Cerveira”.
Em 2012, a Câmara da vila das Artes distinguiu “o trabalho e dedicação” do mestre José Rodrigues, agraciando-o com a medalha de honra do município, “pelo impulso que conferiu às Bienais Internacionais de Arte de Vila Nova Cerveira e ao seu papel enquanto diretor artístico, na VI edição”.
Considerado um dos fundadores da bienal, a mais antiga do país, que se realiza desde 1978, o escultor foi homenageado em 2011, na abertura da edição daquele ano, numa cerimónia que contou com a presença do então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Em Vila Nova de Cerveira, além do “Cervo” e do “Esforço”, José Rodrigues é ainda o autor da peça as “Navegações”, situada junto à margem do rio Minho e do espólio do Convento São Paio, na Serra da Gávea, que adquiriu, restaurou e onde viveu.
Na execução do mural o artista brasileiro Elton Hipólito “optou por se servir apenas de tinta de pigmentos naturais, sendo que a terra colhida no Parque de Lazer do Castelinho reproduziu os tons claros da obra e a terra retirada do monte da Senhora da Encarnação deu origem aos escuros, chamando à atenção para a problemática dos incêndios”.
Os brasileiros Elton Hipólito e Priscila Lopes Cantisano e a portuguesa Selma Pereira são os artistas que integram o terceiro período de residências da FBAC, cuja apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos, decorre na próxima quinta-feira, 13 de outubro, na Casa do Artista Jaime Isidoro, com entrada livre.






















