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Autarca de Ponte da Barca inicia contactos para tentar resolver situação de jovem do concelho retida num navio atracado no México

Rádio Alto Minho

15 Maio 2020, 23:59

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O presidente da Câmara de Ponte da Barca, Augusto Marinho, iniciou esta sexta-feira à noite contactos com a jovem Margarida Sá, que se encontra retida há 76 dias, juntamente com outros 13 portugueses que integram a tripulação de um navio atracado no México, a aguardar autorização do governo daquele país para desembarcar num porto. Navio tem seguido curso, sem hóspedes, mas os pedidos de desembarque da tripulação têm sido sucessivamente recusados.

“Iniciei contactos com a jovem para me  inteirar da sua situação e poder desenvolver todas as diligências no sentido de poder ajudar. Primeiro quero perceber o que se está a passar e depois, com mais propriedade, contactar  o Ministério dos Negócios Estrangeiros e, outras entidades, que possam ajudar a resolver esta situação da Margarida Sá”, disse Augusto Marinho.

A história do grupo de 14 portugueses  foi revelada na quinta-feira através do Facebook por Joana Ferreira, natural de Felgueiras, no Porto, mas viveu em Viana do Castelo durante oito anos,. Licenciou-se em Design no Instituto Politécnico, tal como Margarida Sá, natural de Ponte da Barca, licenciada em Turismo.

 

 

Na publicação que fez na sua página no Facebook, intitulada “Alguém nos consegue ouvir?”Joana Ferreira conta a história dos 76 dias retida num navio da linha de cruzeiros Seabourn, atracado em Puerto Vallarta, no México. Além dos 13 portugueses, estão outros tripulantes de diferentes nacionalidades.

A jovem conta que a empresa tem-se desdobrado em esforços para tentar repatriar os seus funcionários, mas não tem conseguido as autorizações dos vários portos por onde o navio tem passado, para que o desembarque aconteça. O motivo prende-se com a pandemia de covid-19.
Os hóspedes conseguiram desembarcar a 18 de março quando chegaram à Austrália, mas a tripulação manteve-se a bordo. Seguiram depois viagem até ao Havai, Los Angeles e agora México, onde foi sempre negado o desembarque de qualquer elemento da tripulação que não fosse originária do país de permanência.

“Durante todo este tempo nunca tivemos um único caso a bordo. Estamos todos saudáveis e em boa forma. Portanto, não entendemos qual a razão que leva todos os países a que chegamos, para recusar o nosso pedido de desembarcar, para nos recusar a oportunidade de regressar aos nossos países. Não entendemos porque estamos a ser tratados por governos e políticos – mas especialmente pelas redes sociais – como se fôssemos principalmente responsáveis pelo transporte do vírus, apesar de casos estatisticamente a bordo ou relacionados representarem apenas 0,07 % do mundo. Não entendemos porque não nos é dada a oportunidade de regressar às nossas famílias e entes queridos. Devemos ser nós que temos medo de ir ao mundo, considerando que estamos vivendo em um lugar sem casos zero, e indo para um lugar com milhões, mas em vez disso é o mundo que tem medo de nós. Estamos todos a chegar a um ponto em que nos perdemos, a nossa sanidade mental e o nosso sentido de certo ou errado. Já houve quatro suicídios de tripulantes em navios diferentes. É assim que fica desesperado quando não se faz nada de errado e, no entanto, você está impotente no que chega aos seus direitos como ser humano. E mesmo com tudo dito ainda estamos pacientemente à espera, dia após dia, por aqueles que têm poder para tomar medidas em nosso nome. Só queremos ir para casa. Isso é pedir demais?”, lê-se na publicação.

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