Autarca de Viana informa executivo da aquisição da sede do Vianense
17 Março 2016, 19:53
O presidente da Câmara de Viana do Castelo informou hoje, em reunião camarária, o executivo municipal da vontade de adquirir sede do Sport Clube Vianense, intenção que José Maria Costa anunciou, no domingo passado, na sessão solene comemorativa dos 118 anos do clube.
O autarca adiantou que a proposta formal será apresentada nas próximas semanas porque ainda está à espera dos “valores definitivos” para que o negócio se concretize.
A vereadora da CDU, Ilda Figueiredo afirmou que a compra da sede do Vianense “vai ajudar a resolver um problema premente, mas não vai resolver os problemas de fundo do Vianense”.
“Estamos de acordo porque face à situação que se está a viver a compra da sede resolve um problema premente. O Vianense vai perder património mas da maneira menos grave, porque o imóvel permanece na esfera pública. A compra do imóvel não vai prejudicar o município porque o prédio vale mais do que a Câmara vai pagar por ele”, sustentou a vereadora comunista.
Ilda Figueira destacou ainda “o problema do campo de jogos que está em más condições”.
“Tal como o município participou na recuperação de alguns campos de jogos também deve ver a forma de apoiar a recuperação deste campo de jogos. Que se estude essa possibilidade”, apelou.
José Maria Costa defendeu que a Câmara tem sido entidade pública “que mais tem apoiado o Vianense, nomeadamente na formação”, mas defendeu que a atual direção deve “repensar o futuro do clube”, apontando para a necessidade de uma “remodelação” do clube.
“A trajetória dos últimos anos é uma trajetória de colisão. Temos muito carinho e apreço pelo clube, mas agora tem que haver clarividência da direção e da massa associativa para rever o posicionamento do clube relativamente ao futuro”, alertou, apelando à participação da sociedade civil.
O líder da bancada social-democrata, Eduardo Teixeira, disse estranhar “a mudança de atitude do autarca”, que há cerca de 15 dias recusou conceder um subsídio ao clube.
“A minha preocupação é que há 15 dias fechou a porta a possibilidade de ajudar o clube. O que mudou em 15 dias?”, questionou Eduardo Teixeira, ao que o presidente da Câmara respondeu afirmando que as autarquias estão impedidas de conceder subsídios aos clubes de futebol à exceção da formação.
Já Eduardo Teixeira considerou que a intenção do município de aquisição não passa de “engenharia financeira que permite ao município comprar por metade do valor o património do clube”.
“Está a pagar dívidas acumuladas e não o valor do imóvel. Esta proposta só ajuda a pagar a dívida mas não ajuda a resolver o problema do vianense”, disse.
“A Câmara compra o imóvel por metade do seu valor, faz obras de requalificação na sede de um clube desportivo desportiva e depois concessiona o edifício a essa mesma coletividade”, sustentou.
A hasta pública para a venda de vários imóveis do Sport Clube Vianense ocorreu no início de fevereiro no âmbito de uma execução lançada por uma instituição bancária que reclama o pagamento de um empréstimo, em atraso.
Em causa está um empréstimo de 286 mil euros (acrescido de juros), contraído pela direção do Vianense em 2011, mas cujas prestações mensais, devido às conhecidas dificuldades financeiras do centenário clube de Viana do Castelo, estão em atraso desde novembro de 2014.
O procedimento, que decorreu no dia 23 de fevereiro, ficou deserto, sem que tivesse sido apresentada qualquer proposta de compra.
O anúncio da compra do imóvel pela autarquia ocorreu no dia em que o clube cumpriu 118 anos de existência.
Atualmente a dívida global do clube ascende a mais de 700 mil euros.
Em comunicado, em fevereiro passado, os atuais dirigentes do clube, eleitos em outubro de 2015, esclareceram que este processo, “interposto pela Caixa de Crédito Agrícola, que culminou na penhora e execução de imóveis, decorre do não cumprimento das condições do empréstimo contraído pelo clube junto daquela instituição bancária”.
Explicaram que a dívida se prende com um empréstimo de 300 mil euros (acrescido de juros), contraído pela direção do Vianense em 2010, “para reestruturação de dívidas”, mas cujas prestações mensais, devido às dificuldades financeiras do clube de Viana do Castelo, estão em atraso desde novembro de 2014.
Além daquele empréstimo, “em agosto de 2012” foi contraído outro de “26 mil euros”, para “fundo de maneio”.
“A dívida total, incluindo capital, prestações em atraso e juros de mora, ascendia, em novembro de 2014 a 328.946 euros”, adiantaram.





















