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Bispo de Viana do Castelo “não admite chantagem” com fé de pescadores na Senhora d’Agonia

Rádio Alto Minho

19 Agosto 2019, 10:09

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O bispo de Viana do Castelo “não admite” chantagem com a fé dos pescadores “para não lhes concederem os seus direitos”, referindo-se a um eventual boicote, amanhã, à procissão ao mar em honra da Senhora d'Agonia.

Na origem de uma eventual forma de luta dos pescadores que poderão não participar naquele número religioso da Romaria d’Agonia está a instalação do Windfloat Atlantic (WFA), um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), ao largo de Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis.

“Não admito que se faça chantagem com a fé e religiosidade dos pescadores para não lhes concederem os seus direitos”, afirmou Anacleto Oliveira.

O bispo de Viana do Castelo sublinhou que não se irá “intrometer” no diferendo, mas disse não gostar que “se aproveite a fé para enganar os pescadores”.

“Isso acho que é violento, desumano e é contra a vontade de Deus”.

Na semana passada, no final de uma reunião com pescadores da região que decorreu na Câmara de Viana do Castelo, o secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, disse terem sido “identificadas” 28 embarcações de pesca local, “diretamente”, afetadas pela instalação do parque eólico flutuante.

José Apolinário adiantou que “a EDP Renováveis disponibilizou uma verba de 200 mil euros” destinada a compensar essas embarcações.

“Estamos a trabalhar, com a EDP Renováveis e a Rede Elétrica Nacional (REN), para que haja uma compensação financeira e, por outro, a possibilidade de gerir as atividades das diferentes comunidades que confluem para esta zona”, referiu.

Aquelas embarcações reclamam a atribuição de uma compensação pelos prejuízos causados pela interdição da pesca na envolvente (0,5 quilómetros de cada lado) do cabo submarino, com cerca de 17 quilómetros de extensão, que vai ligar o parque eólico flutuante à rede, instalada em Viana do Castelo.

Para as embarcações de pesca costeira, a Windplus, titular da Utilização do Espaço Marítimo Nacional, negociou uma compensação 16 armadores potencialmente afetados pela instalação do parque.

O bispo de Viana do Castelo acrescentou que não se querer “intrometer” nem “influenciar” os pescadores, mas irá “respeitar” as decisões que tomarem.

“Pelo que estou informado, e posso estar enganado, os pescadores que ameaçaram com um boicote tem um real problema e é grave porque estes pescadores são pobres. Se há pessoas que nós, na Senhora d’Agonia, temos de venerar e ajudar são os pequenos pescadores. Não me vou intrometer nas decisões deles e nem quero influenciá-los. Agora irei respeitá-los”.

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