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Câmara lança plano para transformar Viana numa cidade “cada vez mais cosmopolita” sem exclusão

Andrea Cruz

15 Novembro 2018, 14:20

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O presidente da Câmara disse hoje que Viana do Castelo "já tem uma comunidade migrante alargada"  e que  a cidade quer ser “cada vez, mais cosmopolita”. José Maria Costa garantiu  que o acolhimento dos migrantes tem de ser feita de forma “responsável” para evitar “situações de pobreza e discriminação”.

“Está provado cientificamente que as cidades com maior diversidade cultural e étnica são as mais criativas, abertas e Viana do Castelo está a assumir isso. Queremos fazê-lo de uma forma responsável, acima de tudo recebendo bem, evitando situações de pobreza e discriminação, qualquer que ela seja”, frisou José Maria Costa a propósito do Plano Municipal para a Integração dos Migrantes (PMIM) 2018-2020.

Em conferência de imprensa, realizado do edifício do Serviço de Atendimento ao Munícipe (SAM), o autarca socialista apontou os dados do Instituto Nacional de Estatística de 2016 para dizer que, “no concelho, a comunidade migrante representa cerca de 1,3% da população residente, 1. 114 cidadãos entre 85.445 habitantes”.

Das 63 nacionalidades de migrantes que residem no concelho destacou como “as cinco comunidades mais representativas a brasileira (24,2%), a espanhola (13,7%), a ucraniana (8,7%), a francesa (8,4%) e a chinesa (7,1%)”.

“Presumo que agora estes valores estejam desatualizados e que tenhamos também uma forte presença da comunidade búlgara e romena. Só nos estaleiros navais da West Sea há trabalhadores de 17 nacionalidades diferentes”, afirmou José Maria Costa.

O autarca referiu que o concelho “já tem uma comunidade de migrantes muito alargada, em muitas áreas das mais qualificadas às menos qualificadas, fruto “das condições de empregabilidade e da necessidade de recursos humanos”, garantindo que o “número de estrangeiros irá crescer, cada vez mais”.

“Daí a necessidade de termos plano de apoio para acolher bem, criando as condições básicas que gostaríamos de ter se fossemos para fora”, referiu.

Para o autarca este plano reflete a “preocupação que o município tem com a integração e valorização das diferentes culturas”.

O PMIM hoje apresentado pela vereadora da Coesão Social, Carlota Borges, integra 13 áreas de intervenção e 58 medidas. As atividades previstas no plano municipal pretendem contribuir para “o desenvolvimento dos cidadãos, desde o emprego, juventude, voluntariado, à saúde, segurança, entre outros”.

O plano centra-se nas áreas “Acolhimento e Integração”, “Mercado de Trabalho e Empreendedorismo”, “Cultura”, “Cidadania e Participação Cívica”, por se considerar que são as áreas que mais contribuem para o fomento da coesão social, do diálogo intercultural e do sentimento de pertença, essenciais para garantir a dignidade humana e fundamentais para a concretização efetiva das políticas de acolhimento e integração dos cidadãos Nascidos em Países Terceiros (NPT).

Carlota Borges explicou que o plano foi desenvolvido “com a ajuda de um leque muito alargado de parceiros”, destacando a Caritas Diocesana, a Escola Superior de Saúde (ESS) e a Escola Desportiva de Viana (EDV).

Entre as medidas “prioritárias” daquele plano, a vereadora da Coesão Social, destacou “as aulas de português, ministradas por voluntários, entre eles professores reformados, a três turmas, com 30 alunos cada”.

“A língua é uma das grandes dificuldades que se colocam a uma integração mais rápida, senão a maior dificuldade, daí a importância destas aulas”, destacou Carlota Borges.

A responsável apontou ainda “as aulas de desporto, a ajuda na procura de emprego, de habitação, o acesso á saúde e a apoios sociais”.

“Queremos acima de tudo que estas pessoas se sintam em casa. Não estão, mas estão a ser recebidas pelos vianenses e por Viana do Castelo com muito amor”, disse a vereadora no encontro com os jornalistas onde marcam presença duas das três jovens que dão a cara a uma campanha que a autarquia lançou a propósito do Dia Internacional da Tolerância, que se comemora, na sexta-feira.

Num dos acessos à cidade foi colocado um ‘outdoor’ gigante, com a mensagem “Viana acolhe com amor” e que retrata três mulheres imigrantes.

Ghalia Barazi, com 22 anos, da Síria, vive em Viana do Castelo há quatro anos e meio e estuda Arquitetura na UBI – Universidade da Beira Interior.

Outro dos rostos do cartaz é Sadkshya Sharma, de 23 anos, do Nepal e vive em Viana do Castelo há 14 meses e trabalha na área da restauração.

Gizielda D’Alva, natural de São Tomé e Príncipe vive na capital do Alto Minho há um ano e frequenta um curso profissional.

 

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