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Cancelamento de principais festas e romarias do Alto Minho gera perda de receitas superior a 30 milhões de euros

Rádio Alto Minho

18 Junho 2020, 10:14

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O cancelamento das principais festas e romarias que decorrem nos meses de verão no distrito de Viana do Castelo vai gerar, este ano, uma perda de receitas na economia local que poderá ultrapassar os 30 milhões de euros. Os cálculos são de cinco autarcas do Alto Minho que ressalvam não existirem estudos sobre o impacto económico destas festividades. As estimativas podem, por isso, ficar aquém do valor real dos danos causados nos setores da hotelaria, restauração e comércio, dos mais afetados pela pandemia de covid-19.

No distrito de Viana do Castelo, entre maio e dezembro realizam-se mais de mil festas, feiras e romarias, sendo que só na capital, Viana do Castelo, e em Ponte de Lima o cancelamento da Romaria d’ Agonia e das Feiras Novas, respetivamente, as perdas podem ascender os 20 milhões de euros.

O presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, estima que o cancelamento, no formato habitual, da edição 2020 das Festas d’Agonia representará uma “perda direta de receita de 10 milhões de euros, sobretudo nos setores do comércio, restauração e hotelaria.

Antes da pandemia provocada pelo novo coronavírus, e segundo José Maria Costa, “passavam pela cidade, durante os cinco dias das festas, cerca de 1,5 milhões de pessoas que ficavam alojadas, faziam refeições, compravam ouro e outros produtos tradicionais nas lojas de comércio local e que movimentavam toda a economia”.

“Estamos a falar de uma quebra de receita de cerca de 10 milhões de euros. Se juntarmos o cancelamento de outros eventos que habitualmente decorrem em agosto, como por exemplo o festival de música eletrónica Neopop, no total, os prejuízos podem chegar aos 12 milhões de euros”, especificou.

Em Ponte de Lima, o cancelamento, no modelo habitual, dos cinco dias das Feiras Novas, implicará, segundo as estimativas do autarca Vítor Mendes “uma perda de receitas na ordem dos quatro milhões de euros”.

“A hotelaria costumava ter taxas de ocupação de 100% nesse período, mas os prejuízos estendem-se à restauração, comércio e a todos os negócios que vivem, direta ou indiretamente, das festas. E não são só as Feiras Novas a serem afetadas. Foram canceladas a Vaca das Cordas, feiras do cavalo e do vinho verde. No total, o impacto negativo será, seguramente entre sete a oito milhões de euros”, disse.

Victor Mendes referiu que “não há plano B para substituir uma tradição com a dimensão e o envolvimento de milhares de pessoas”. No entanto, adiantou que a associação que organiza os festejos está a trabalhar numa solução digital, ainda a apresentar, para que “a romaria não passe completamente despercebida”.

A Romaria de São Bartolomeu, em Ponte da Barca, decorre durante seis dias, em agosto. Na edição 2019, “passaram pela vila mais de 300 mil pessoas”.Segundo o presidente da Câmara, Augusto Marinho (PSD), este ano “a perda de receitas rondará os 4,5 milhões de euros”.

Em Arcos de Valdevez, antes da covid-19 as festas em honra de Nossa Senhora da Lapa, que duram uma semana, recebiam cerca de 100 mil visitantes.

Este ano, os festejos não se fazem nos moldes habituais e as contas do autarca social-democrata João Manuel Esteves apontam para perdas de “dois a três milhões de euros”.

“Se somarmos os prejuízos de outras festividades importantes no concelho, como do São Bento, Senhora da Peneda e da Senhora da Porta, deixam de ser injetados na economia local, no total, entre cinco e seis milhões de euros”, especificou.

As festas vão, este ano, ser “celebradas em formato digital para cumprir as contingências impostas pela pandemia de covid-19”.

Em Caminha, as festividades são em honra de Nossa Senhora da Bonança e estão muito ligadas à classe piscatória de Vila Praia de Âncora. Incluindo a novena, a romaria dura cerca de duas semanas.

O presidente da Câmara, Miguel Alves, explicou que “os prejuízos rondarão os 300 a 400 mil euros, entre o que os visitantes iriam gastar com o alojamento, restaurantes, cafés, comércio e diversões”.

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