Cândido Carvalho bate com a porta por ser “maltratado” pela direção dos bombeiros voluntários de Viana do Castelo
06 Abril 2020, 18:47
Cândido Carvalho demitiu-se hoje do comando dos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo, cargo que ocupava há 25 anos, queixando-se de "nunca se ter sido tão maltratado por uma direção" como pela atual.
“Estou nos bombeiros há 45 anos. Como comandante há 25 anos e nunca eu como os meus colegas do comando fomos tão maltratados por uma direção”, disse à Lusa Cândido Carvalho.
Em resposta escrita a um pedido de esclarecimento enviado pela Lusa, Cândido de Carvalho adiantou que “desde o primeiro dia após a tomada de posse” a atual direção “reuniu-se com funcionários, bombeiros e até com pessoas que não estavam no ativo, porque tinham sido postos fora da corporação por incumprimento, e fez suposições e acusações contra o comando, cujo trabalho mal conhecia “.
“A partir daí, logo nos apercebemos quais eram os seus propósitos, afastar o comando. Desde aí que alguns elementos desta Direcção se vem intrometendo em assuntos de âmbito operacional, desrespeitando ordens do comando, utilizando veículos operacionais sem dar conhecimento ao comandante, transmitindo ordens verbais através de funcionários a outros funcionários mesmo quando estes estão às ordens do comandante, e não fazendo o que lhes compete que é administrar a Associação para manter o corpo de bombeiros operacional. Procurar ter o apoio do comando e não desrespeitando-o com decisões avulsas ditadas só por alguns e não por toda a Direção. Não procurando soluções para fazer face às dificuldades financeiras que a Associação esta a atravessar e se vão agravar cada vez mais”, referiu.
Já o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo, José Salgado, disse ter recebido o pedido de demissão do comandante, que será analisado na terça-feira, em reunião da direção.
Questionado sobre as razões que motivaram o pedido de demissão, José Salgado, que é também presidente da direção da corporação, escusou-se a adiantar pormenores, referindo apenas que o comandante terá alegado “algum desalento com a direção”.
“Tenho de conversar com ele. Não sei se foi só um disparo que ele deu, mas temos de conversar e a direção tem de reunir para tomar uma posição sobre o assunto”, disse José Salgado, que afirmou que “não estava à espera” da posição assumida pelo comandante.
“Reconheço que o momento é difícil porque há muita atividade e muita falta de dinheiro”, disse, rejeitando a existência de salários em atraso: “Para já não há. Já equacionámos o recurso aos meios que nos estão a ser facultados pela lei, mas só iremos fazer isso em último recurso”.
O presidente da associação humanitária e da direção dos bombeiros acrescentou que “a estrutura hierárquica está a funcionar e o segundo comandante, Paulo Rodrigues, assume o comando da corporação até a situação estar resolvida”.




















