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Caramuru removido da Praça da República e reinstalado na Praia Norte

Rádio Alto Minho

05 Maio 2018, 18:25

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Dez anos depois de ter sido inaugurada na Praça da República,  a polémica estátua de homenagem ao navegador vianense Caramuru vai ser relocalizada para a Praia Norte. A informação foi avançada à RAM por fonte da Câmara de Viana do Castelo.

A mesma fonte adiantou que a obra de arte da autoria do Mestre José Rodrigues vai ser removida da Praça da República e recolocada na Praia Norte, “a sul da recente intervenção de valorização desta frente marítima pontuando um espaço verde”. A fonte autárquica não especificou o prazo de concretização da mudança nem o investimento estimado para a relocalização da escultura.



“A  Praça da República vai retomar, em breve, a sua traça original”,frisou, referindo que a estátua “será localizada ao centro de um espelho de água atualmente em construção, um projeto da autoria da arquiteta Maria João Patronilho e desenvolvido no âmbito da empreitada de requalificação daquele espaço, a cargo da sociedade Polis Litoral Norte, orçada em 2,4 milhões de euros”.

Caramuru, ou Diogo Alvares Correia, natural de Viana do Castelo, e historicamente apelidado de “destemido navegador” naufragou no Brasil em 1508 e que passou a vida entre os indígenas da costa brasileira, em especial na Bahia, e que facilitou o contacto dos primeiros europeus com os povos nativos.

O monumento foi inaugurado na Praça da República, em dezembro de 2008, pelo ex-autarca Defensor Moura, antecessor do atual presidente da Câmara, José Maria Costa, na altura vereador da maioria socialista.

Com cinco metros de altura e três de largura, o navegador e a sua companheira indígena, Paraguaçu, surgem em”trajes menores”, perante as críticas da população, há já vários anos, face à dimensão e enquadramento arquitetónico.

A instalação daquele monumento aconteceu no âmbito das comemorações dos 750 anos do foral de Viana do Castelo.

“A intervenção urbanística na Praça da República foi realizada em 1985 pelo arquiteto Viana de Lima, um dos mais representativos arquitetos modernistas portugueses e que veio dar à sala de visitas de Viana do Castelo uma grande nobreza realçando através da sua intervenção discreta os edifícios de elevado valor patrimonial que a ladeiam”, sustentou a fonte da autarquia.

A “obra de arte do mestre José Rodrigues, em bronze fundido, foi colocada em frente ao museu do Traje, na passagem de ano de 2008”.

A remoção da estátua de homenagem ao navegador da principal praça da cidade é reclamada há anos, pela população e pelos partidos da oposição na autarquia.

A relocalização daquela obra foi uma das promessas eleitorais do PSD que, nas últimas autárquicas, elegeu dois vereadores, Hermenegildo Costa e Ana Paula Veiga.

No anterior mandato, a bancada social-democrata liderada por Eduardo Teixeira formalizou uma proposta para a remoção da estátua que foi chumbada pela maioria socialista liderada por José Maria Costa.

“Numa praça cujo desenho se deve ao grande arquiteto Viana de Lima, tal obra reveste-se de uma intromissão que sob o ponto de vista estético e funcional nos parece desadequado”, argumentava o PSD.

Naquela proposta, os três vereadores que compunham a bancada do PSD consideravam que a atual localização da estátua é “desadequada”, por “não aguentar o objeto escultórico” quer seja “pela sua impressionante imponência, pelo seu caráter monumental e artístico, pelo seu desenho e espaço formal e espacial”.

Propunham a sua remoção “para um sítio mais adequado, junto à frente marítima, com vista para o Oceano Atlântico”.

Antes, em 2010, a maioria socialista chumbou a remoção da escultura, proposta pelo então vereador do CDS-PP, Aristides Sousa, por razões de estética e arquitetónicas.

A proposta mereceu os votos contra da maioria socialista e dos vereadores do PSD, tendo o único voto a favor sido assinado pelo proponente.

Na altura, José Maria Costa alegou que as prioridades do concelho eram outras, como a economia e a educação.

O PSD, pela voz de Carvalho Martins, justificou o chumbo com a conjuntura económica desfavorável, mas sublinhou que também não concorda com a localização da estátua remetendo a sua deslocalização para um período de “maior fartura”.

Já o então vereador do CDS-PP argumentou que escultura “chocou a sensibilidade dos vianenses, agrediu a consonância arquitetónica da centenária Praça da República e gerou uma opinião pública que se manifesta inequivocamente contra a localização desta obra”.

Aristides Sousa garantiu que o CDS-PP de Viana do Castelo tinha lançado um inquérito à população com a finalidade de recolher a sua opinião relativamente à localização da estátua dedicada a Caramuru, tendo “95,16 por cento” dos inquiridos manifestado a sua discordância.

FOTO: Ricardo Sousa

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