CD “A Várias Vozes” revisita folclore de Viana pela mão do Grupo Etnográfico de Areosa
14 Dezembro 2019, 17:12
Cerca de 50 músicos locais e nacionais, entre eles, Daniel Pereira Cristo, Prémio Carlos Paredes´2018, e Celina da Piedade, cantora, acordeonista e compositora, dão voz ao novo projeto do Grupo Etnográfico de Areosa (GEA). O CD “A Várias Vozes”, com 21 temas, a apresentar ao público num concerto dia 13 março de 2020 no centro cultural de Viana do Castelo, junta também os contributos de Augusto Canário e do Pi d’Areosa, entre outros músicos.

O projeto “Grupo Etnográfico de Areosa A Várias Vozes” foi apresentado, hoje, no museu do traje de Viana do Castelo.
“O objetivo não foi só dar uma nova roupagem aos temas mas fazê-lo com a comunidade e com o país , reunindo músicos locais e nacionais” disse Flávio Cruz, o diretor artístico do GEA.
Flávio Cruz destacou que a conceção da imagem gráfica do álbum foi também feita por quatro artistas locais que criaram uma “peça única, que é a identidade do projeto”.
“O objetivo é que a imagem realçasse o movimento das dançarinas e a beleza do traje. Os diferentes contributos conjugados resultaram numa imagem coesa”, explicou a designer Helena Soares, que juntamente com os artistas plásticos João Gigante, Hugo Soares e Sara Costa, assina o trabalho.
O cantautor e multi-instrumentalista Daniel Pereira Cristo referiu que “o GEA é diferente dos outros, um exemplo a seguir pelo folclore português”.
“Depois da importância dada à beleza inequívoca do trajar e das fantásticas danças tradicionais, é fundamental tratar com o máximo rigor possível as nossas canções tradicionais, os nossos instrumentos seculares e a produção de espetáculos que possam ganhar o seu lugar na contemporaneidade”, afirmou.
“Se não queres perder público, queres atrair juventude para a tradição, então este é o caminho certo. Candeia que vai à frente alumia duas vezes e o GEA vai mostrar aos outros que este é o caminho certo”, afirmou Daniel Pereira Cristo que, este ano, convidou Ana Bacalhau para um concerto que decorreu em agosto em Viana do Castelo.

Augusto Canário referiu que a “participação coletiva prova que não há ninguém que, sozinho, faça algo de jeito”.
“Na área da tradição , o que vai restar é o que nós, no nosso tempo, conseguirmos transmitir às próximas gerações”, sublinhou.
Também Pi d’Areosa, elemento do GEA desde os quatro anos, destacou o “arrojo” do GEA por “juntar pessoas diferentes na conceção de um disco que tanto valoriza a componente etnográfica e folclórica da nossa cultura”.
“Não conheço nenhum projeto com este arrojo por perpetuar a cultural tradicional, mas sem a fossilizar e tornar estanque”, observou.
Para Pi d’Areosa, é “fácil” falar do GEA por ter “muito boas memórias” de uma associação a que está “umbilicalmente ligado” desde os quatro anos de idade, e “difícil” por hoje ter uma relação com o grupo que “não é tão presente e constante” como gostaria.
“Faço questão de levar o nome da Areosa no apelido. É uma forma de me vincular à freguesia. O GEA permitiu que crescesse muito a nível pessoal e profissional”, disse.
A vereadora da Cultura da Câmara de Viana do Castelo, Maria José Guerreiro, agradeceu a escolha do Museu do Traje para a apresentação do novo projeto por considerar que se tratar de um espaço “icónico” da cidade.
“Se Viana é a capital do folclore, o museu do Traje é a catedral do folclore”.
A responsável sublinhou a importância de “pegar na tradição e dar-lhe uma linguagem contemporânea”.
“Viana do Castelo tem valores para valorizar a tradição. É uma obrigação nossa meter cada vez mais gente neste processo. Incluir outros registos. Pegar na tradição e introduzir uma linguagem contemporânea, sempre com respeito e rigor e nunca atraiçoando a tradição”, apelou.
O presidente do GEA, Alberto Rego, destacou o “contributo” dos cerca de 50 músicos que participaram no projeto hoje apresentado, e que explicou, está a ser “trabalhado em laboratório há muitos anos”.
“Só há uma maneira de salvar a tradição. É juntar a interpretação de cada geração. Não é alterar, é juntar os contributos de cada geração, valorizando o que vem do passado para o fazer chegar ao futuro”, referiu.
O projeto ainda integra outros músicos como o maestro Vítor Lima, Rafaela Alves e Diana Leitão dos Contraponto, a soprano Tânia Esteves e a fadista Elsa Gomes.
Para além destes, o CD inclui atuais e antigos componentes do Etnográfico de Areosa, assim como alguns dos seus amigos de sempre: Júlio Viana, da Orquestra Sopro de Cordas; João Gigante, do projeto PHOLE; Dario Rocha; a Tuna de Veteranos de Viana do Castelo e Fabíola Carneiro.
Neste CD são apresentados 21 temas interpretados pelo GEA desde a sua fundação, mas também “Rosa Tirana”, uma canção original composta pelo maestro José Pedro com letra de José Fernandes.
Os instrumentos utilizados são: bandolim, braguesa, cavaquinho, contrabaixo, guitarra, guitarra baixo, violino, violoncelo, flauta transversal, gaita-de-foles, acordeão, concertina, assim como vários instrumentos de percussão.
A sua apresentação ao vivo, com todos os participantes, terá lugar no Centro Cultural de Viana do Castelo, a 13 de março de 2020, às 22:00.




















