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Covid-19: Presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez vacinado sem ser prioritário

Rádio Alto Minho

23 Janeiro 2021, 22:20

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Notícia Observador. O presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez também foi vacinado sem ser prioritário. E justifica isso porque "havia sobras". Francisco Ramos diz que é "inadequado".

É o segundo caso que se descobre em poucas horas. Há pelo menos mais um autarca, além de José Calixto, o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, que foi vacinado contra a Covid-19 sem estar no primeiro grupo prioritário. Trata-se deFrancisco Araújo, presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez e provedor da Santa Casa da Misericórdia local. Contactado pelo Observador, o responsável confirmou que já foi vacinado com a primeira toma – está à espera de ser chamado para a segunda dose – apesar de ter apenas 59 anos.

Francisco Araújo explica ao Observador que, sem que estivesse minimamente a contar com isso, foi contactado pela enfermeira responsável pelo processo de vacinação que estava a decorrer nas instalações da Santa Casa – estavam a ser vacinados os idosos residentes e os funcionários. “Estava no meu gabinete e a responsável telefonou-me a perguntar se queria ser vacinado porque havia sobras”, conta, sublinhando que foi algo que se passou na Misericórdia e frisando que “não tem nada a ver com a Câmara”.

“A enfermeira sabe que eu tenho problemas cardiovasculares, fui operado às coronárias, e foi por isso que me perguntou se estava disponível para ser vacinado com uma das sobras”, afirma Francisco Araújo, notando que achou a situação perfeitamente natural e reiterando que não foi algo planeado – “cada frasco dá para 5 ou 6 doses e, por isso, penso que é normal haver sobras, mas isso são coisas que me ultrapassam”.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez diz, sublinhando que não tem um profundo conhecimento de causa, que “tem havido muitas sobras” e que, pelo que sabe, até já foram funcionários do centro de saúde local receber algumas destas vacinas.

Na quinta-feira foi noticiado pelo Expresso o caso de José Calixto, o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, que foi vacinado invocando o facto de ser presidente da fundação que detém o lar de idosos local.

Confrontado pelo Observador com o caso, o coordenador da task force para o plano de vacinação, Francisco Ramos, começou por dizer que, de facto, a regra de não desperdiçar doses de vacina faz parte das orientações gerais. É isso, aliás, que deve ser feito quando “por exemplo um lote de vacinas vai a caminho de um lar no qual, entretanto, é detetado um surto — são muitas vacinas que sobram”. Mas esta não é a única orientação.

“A outra regra importante, quando sobram doses, é procurar outros candidatos dentro do primeiro grupo prioritário”. Ou seja, aproveitar uma dose sobrante para vacinar o provedor da Santa Casa de Arcos de Valdevez, mesmo que comprovadamente tenha um historial médico de problemas cardíacos, não é boa prática. “É inadequado. Ponto”.

Aliás, complementou Francisco Ramos, “nesta fase não deverá ser muito difícil encontrar pessoas prioritárias” a quem dar a vacina.

 

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