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Defensor Moura diz que Praia Norte foi a sua primeira escolha para o Caramuru

Andrea Cruz

16 Maio 2018, 17:58

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O antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo, Defensor Moura diz que a Praia Norte foi sua primeira escolha para instalar a polémica estátua de homenagem ao navegador Caramuru, hoje, retirada da praça da República.

“O Caramuru acaba por ir para o local que tinha sido, inicialmente, programado por mim e pelo José Rodrigues (autor da obra). Foi o poeta e professor Amadeu Torres (Castro Gil), autor do livro do Caramuru que, publicamos nos 750 anos de elevação de Viana do Castelo, que me convenceu a colocar o vianense que teve maior influência no mundo, pela convivência intercultural, sem opressão e, pela miscigenação de que foi primeiro protagonista, na principal praça da cidade”, afirmou Defensor Moura.

Em causa está a estátua de Caramuru, ou Diogo Alvares Correia, natural de Viana do Castelo e historicamente apelidado de “destemido navegador”, que naufragou no Brasil em 1508 e passou a vida entre os indígenas da costa brasileira, em especial na Bahia, facilitando o contacto dos primeiros europeus com os povos nativos.

O monumento em bronze fundido, do escultor José Rodrigues, foi inaugurado na Praça da República, ponto central da cidade, em dezembro de 2008, pelo ex-autarca Defensor Moura, antecessor do atual presidente da Câmara, José Maria Costa, na altura vereador da maioria socialista.

Com cinco metros de altura e três de largura, o navegador e a sua companheira indígena, Paraguaçu, surgem em trajes reduzidos, perante as críticas de moradores, há dez anos, face à dimensão e ao enquadramento arquitetónico.

A estátua foi retirada hoje, cerca das 07:00, da praça da República e transferida para um armazém da Câmara onde aguardará a conclusão da construção de um espelho de água, na Praia Norte, para ser recolocada na nova localização, o que deverá acontecer até final do mês, início de junho.

Defensor Moura, que liderou o município entre 1993 e 2009, explicou que, na altura, concordou com opinião “erudita e fundamentada do professor Amadeu Torre” de instalar da peça na praça da República, sublinhado que a decisão “foi aprovada, por unanimidade, pela Câmara Municipal”.

“De qualquer modo já se cumpriu o objetivo de Castro Gil – durante dez anos falou-se do Caramuru e a sua vida foi divulgada. Agora o Caramuru vai namorar com a sua Paraguaçu para junto do mar, onde ela o pescou há 510 anos”, disse o socialista que na passagem do ano de 2008 inaugurou a escultura, acompanhado de José Rodrigues, no âmbito das comemorações dos 750 anos do foral de Viana do Castelo.

Sobre a decisão do atual executivo, liderado pelo seu sucessor, José Maria Costa, de transferir a estátua do centro da cidade para a praia Norte, afirmou: “Não concordo nem discordo. Eu mudei de opinião por influência erudita e fundamentada do professor Amadeu Torres. Agora muda-se a empurrão da oposição”.

A remoção da estátua de homenagem ao navegador da principal praça da cidade é reclamada há anos, pela população e pelos partidos da oposição na autarquia.

Segundo Defensor Moura, as estátuas “têm rodas em Viana”.

“O Fagundes, o Mercúrio, a Estátua de Viana e até do Fontenário da Ribeira/Largo da Casa Melo Alvim também andaram em bolandas”, ironizou o socialista atualmente com 73 anos.

Além de ter governado o município de Viana do Castelo durante 16 anos foi ainda candidato independente, em 2011, às eleições presidenciais que elegeram Cavaco Silva. Médico especialista em medicina interna, já reformado, foi ainda deputado à Assembleia da República na IV e XI legislaturas, pelo Partido Renovador Democrático (PDR) e pelo Partido Socialista (PS), respetivamente, sempre eleito pelo distrito de Viana do Castelo.

A obra de arte hoje removida do “ex-libris” da cidade vai ser reinstalada “a sul da recente intervenção de valorização da Praia Norte”.

Será instalada “no centro de um espelho de água atualmente em construção, um projeto da autoria da arquiteta Maria João Patronilho.

Aquela intervenção integra-se na empreitada de requalificação daquela praia, a cargo da sociedade Polis Litoral Norte, orçada em 2,4 milhões de euros” e, fortemente, contestada por Defensor Moura, por “destruir a Praia Norte” e “delapidar um património secular”.

 

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