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Dona Emília-Casa de hóspedes abre na terça-feira em imóvel centenário situado no coração de Viana

Rádio Alto Minho

08 Agosto 2016, 11:55

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Um edifício centenário, situado em pleno centro de Viana do Castelo, foi transformado em casa de hóspedes e abre, na terça-feira, com alojamento e propostas turísticas “à medida” das necessidades de cada turista.

“É uma casa de hóspedes com tratamento personalizado. Não se trata de uma simples relação comercial. É muito mais do que isso. É a relação de amizade que se pretende estabelecer com o hóspede, perceber o que procura em Viana do Castelo”, disse à RAM um dos promotores, Nuno Freitas.

O alojamento também pode ser adaptado às necessidades específicas de cada hóspede, oferecendo diferentes tipologias e preços, com uma capacidade de alojamento até 27 pessoas por noite.

Os “anfitriões” da Dona Emília são um casal de 36 anos, ambos de Viana do Castelo. Nuno Freitas formou-se em arquitetura e Rute Esteves em Artes Performativas.

“Damos muita importância à partilha humana. Queremos tratar quem nos visita como gostaríamos que nos tratassem a nós. Um hóspede bem tratado volta e vai recomendar-nos”, referiu Rute Esteves.

O gosto por “bem receber” começou quando ainda eram estudantes universitários, no Porto. Para ajudar a pagar as despesas dos estudos decidiram arrendar um dos quartos da casa que habitavam e “adoraram a experiência”.

“Viajávamos sentados no sofá lá de casa. Mostrávamos a quem ficava em nossa casa o melhor do Porto e o hóspede mostrava-nos o melhor da sua terra. Criámos amizades e ainda hoje recebemos postais de vários pontos do mundo de pessoas que ficaram nossas amigas”, explicou Nuno Freitas.

A primeira experiência levou-os a novas apostas em turismo urbano em Barcelona e, durante os últimos três anos, num empreendimento de turismo rural perto do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG).

O projeto da Dona Emília surgiu há mais de um ano, “por acaso” quando visitaram o imóvel que estava para arrendar. Para “ultrapassar a crise e o desemprego”, em que ambos se encontravam, apostaram no financiamento para estimular a criação do próprio emprego.

“A casa foi recuperada com muita dedicação, mantendo alguns pormenores do passado, criando outros novos e reutilizando materiais”, explicou o arquiteto que criou várias peças da decoração do edifício de três andares. A reutilização de portas antigas, que passaram a ser cabeceiras de cama, ou a bancada de trabalhos oficinais de uma escola secundária da cidade, transformada em banca de cozinha são alguns exemplos.

Situada em plena Praça da República, ex-líbris da cidade, a casa tem, ao lado, o Museu do Traje e vista para o templo de Santa Luzia. Vai abrir na terça-feira e receber, como primeira hóspede, a jovem brasileira que este ano dá rosto ao cartaz da Romaria d’Agonia.

Uma “dinâmica cultural forte” é outra das apostas do novo espaço, através da realização de residências artísticas, de exposições e workshops para os turistas, entre outras iniciativas.

“Temos várias ideias, mas o conceito que queremos irá evoluir naturalmente”, sublinhou Rute Esteves.

Além de “incluir o turista na comunidade local” o objetivo do novo espaço “é envolver a comunidade” no novo conceito e promover “um trabalho em rede”, com os restantes setores de atividades, por exemplo, a restauração ou outros operadores turísticos.

A parceria com artesãos da região é outra das apostas. Vários utensílios da cozinha, para utilização dos hóspedes, foram produzidos por tecedeiras e artesãos da região e podem ser adquiridos pelos hóspedes, na loja, no rés-do-chão onde funciona ainda galeria de arte.

A cerca de 100 metros da casa de hóspedes, na Avenida dos Combatentes, existe ainda uma área com cerca de 200 metros quadrados com um jardim, uma piscina e um espaço de apoio a actividades de relaxamento, bem-estar e eventos para uso exclusivo de clientes da Dona Emília

O nome da casa de hóspedes é uma homenagem à avó de Nuno Freitas, de quase 89 anos. Ainda canta o fado, é “exímia” cozinheira da gastronomia regional, costureira e modista, ajudou no governo da casa e da educação dos três filhos, alugando quartos durante vários anos a hóspedes “que passaram a ser como família”.

“Nasceu em 1927, viveu grande parte da vida sob a ditadura que combateu, fazendo de sua casa um abrigo para resistentes e baluarte pela igualdade de direitos das mulheres”, explicou o neto.

Fotos: Facebook Dona Emília

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