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Escola Superior Agrária do IPVC vai dar continuidade ao Insectário

Rádio Alto Minho

17 Agosto 2021, 10:42

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Vai ser candidatada em dezembro ao programa operacional MAR2020, ao abrigo de um projeto que pretende utilizar insetos como fonte de proteína nas rações para rãs. Com as novas instituições a funcionar desde fevereiro, a unidade autónoma do Insectário da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, continua a investigação sobre a produção de insetos. O Insectário da ESA-IPVC pretende diminuir a dependência do uso da farinha de peixe nas rações para a aquacultura.

Este projeto, coordenado pela ESA-IPVC, conta com a parceria da Associação Portuguesa de Ranicultura onde foi iniciada uma unidade experimental para a produção de insetos (Insectário ESA) com o intuito de avaliar as diferentes formas de produção baseando-se na qualidade nutricional e no desempenho zootécnico das espécies, com a possibilidade da produção de componentes a integrar nas dietas experimentais  da Unidade de Investigação em Aquacultura.

Em funcionamento nas próprias instalações, projetadas para a produção de insetos em ambiente controlado, o Insectário produz atualmente uma espécie de coleópteros (escaravelhos) Tenebrio molitor (também conhecido como larva da farinha) e duas espécies de ortópteros (grilos) sendo os Gryllus assimilis e Acheta domesticus. Neste momento, está a ser também ultimado o processo para a produção da mosca soldado negro (Hermetia illucens), cujas larvas são muito eficientes no processo de compostagem de resíduos vegetais e também são utilizadas como fonte proteica para alimentação animal.

“O nosso insectário surgiu na escola como estrutura complementar a um projeto que candidatamos ao programa operacional MAR2020 e no âmbito da inovação na aquacultura com o envolvimento de técnicas para novas culturas”, afirmou Júlio Lopes, referindo que pretendia desenvolver uma técnica para produção de anfíbios, nomeadamente rãs. “Há mercado na Europa para as pernas de rãs para consumo humano, mas o mercado europeu importa nomeadamente da Ásia e da Turquia o material que é comercializado. Na Europa, apesar de alguma insistência dos grupos que pretendiam avançar nesta área para conseguir autorizações para a produção da espécie, ainda é proibida”, explicou.

Quando a ESA avançou com o projeto e numa fase inicial, deparou-se com um problema “Estes animais não estão habituados a alimentarem-se com rações secas, precisávamos garantir alimento vivo para fornecer ao animal. Tivemos que avançar com uma alternativa”, explicou o docente responsável. “Durante a primeira fase, ocupamos um espaço improvisado e começamos a desenvolver em paralelo o projeto dos anfíbios, que acabou por demorar algum tempo para a arrancar devido à construção das infraestruturas”. Júlio Lopes adiantou ainda que começou a fazer ensaios com diferentes alimentos para os insetos para “verificar o que trazia em termos de melhoria nos tempos de crescimento e na composição química das próprias larvas para a formulação das rações”.

O insectário, agora nas novas instalações, vai ser o centro de produção de alimento vivo. “Fizemos a transferência do material para o local, que é totalmente controlado a nível de climatização e aí teremos maior controlo na própria produção”, assegurou o professor. O próximo passo é produzir ração para rãs adultas. Segundo o professor “existem produtores, nomeadamente no mercado francês, que produzem rãs em cativeiro, sendo que é o único país da União Europeia que autorizou uma espécie diferente da autóctone e alimenta as rãs com rações para peixe”. Mas estas têm um problema. “Têm uma quantidade muito grande de farinha de peixe e esse produto é considerado não sustentável, porque é preciso capturar espécies que não têm valor comercial para produzir as farinhas e alimentar os peixes que têm valor comercial”, explicou. A ideia, por isso, “seria produzir as rações para anfíbios, mas sem utilizar a farinha de peixe e em alternativa utilizar os insetos como fonte de proteína para as rações”.

O insectário ainda não está a funcionar em pleno, devido a “algumas dificuldades” na conclusão das obras. O projeto foi financiado em  740.000€ através do Programa Operacional MAR2020, sendo financiado em 75% através do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP) e em 25% através de comparticipação nacional (dos quais cerca de 50.000€ serão investidos na construção e equipamento do Insectário experimental).

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