Espectadores da peça “Anjo Branco” selecionados com mesmo sistema utilizado nos hospitais
18 Maio 2016, 19:09
A seleção dos espectadores para a peça “Anjo Branco”, que estreia no domingo a bordo do antigo navio hospital Gil Eannes, vai ser feita através do sistema de Triagem de Manchester, utilizado nas unidades hospitalares.
Segundo Elisabete Pinto, a diretora da companhia profissional de teatro de Viana do Castelo, pelo facto da nova produção se desenrolar a bordo do antigo navio hospital, em vez de um bilhete, os espectadores vão usar uma pulseira, com diferentes cores, tal como acontece nas unidades hospitalares em que a triagem dos doentes é feita por prioridades clínicas, atribuindo-se uma cor consoante a gravidade dos casos.
“Tendo em conta que os espectadores vão subir a bordo de um navio hospital, para entrarem vão passar pela triagem e receber uma pulseira colorida, em função da gravidade do seu problema, como explicou a diretora do Teatro do Noroeste – CDV.
A responsável, que falava à margem da antestreia da nova peça, uma homenagem à embarcação construída nos estaleiros da cidade em 1955, e há 18 anos transformada em museu, explicou que a ação começa no exterior do barco e depois desenrola-se em cinco espaços diferentes onde acontecem cinco representações para cinco grupos com 25 espectadores cada.
“Cada espetáculo é feito cinco vezes, em simultâneo, para que as 125 pessoas que sobem a bordo consigam ver tudo. De cada vez, cada parte da representação é apresentada a um grupo de 25 pessoas, que vão rodando”, explicou, acrescentando que o espetáculo passa pela sala de jantar dos oficiais, pela cozinha, pela pequena capela, pela casa das máquinas e até pela enfermaria, terminando no convés da proa do navio.
Elisabete Pinto adiantou que a peça “Anjo Branco”, designação atribuída à embarcação pelos pescadores da frota bacalhoeira, quando o avistavam no mar, não pretende ser uma “recriação histórica da pesca do bacalhau” mas antes “viver as memórias da história da vida dos pescadores, das suas vidas no alto mar, das suas famílias que aguardavam a sua chegada em terra”.
Ao todo são 46 participantes, entre eles, os atores da companhia profissional e os amadores que participam nas oficinas de teatro amador, a ATIVAjúnior, a ATIVAsénior e a Enquanto Navegávamos com ex-trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), onde o Gil Eannes foi construído em 1955.
O presidente da Câmara, José Maria Costa, assistiu à antestreia de “Anjo Branco”, e realçou o “interesse” do projeto teatral “por relembrar a importância que o navio Gil Eannes teve na pesca do bacalhau, não só para Viana do Castelo mas também para o país”.
O autarca socialista sublinhou “a forma cuidadosa como toda a peça foi preparada, com muito envolvimento da comunidade e das associações, com testemunhos e com recurso a pessoas que ainda tiveram participação neste navio”.
“Vamos relembrar a importância que este navio teve ao ser o Anjo Branco, porque era como um bálsamo, curava e tratava as pessoas, levando também mantimentos e informações das famílias dos pescadores”.
“O Gil Eannes está a cumprir a sua função, a ser uma referência, a servir de testemunho e a relembrar histórias e percursos de vida de muitas pessoas que passaram imenso e que tiveram um ombro amigo neste navio”, frisou.
O processo criativo do “Anjo Branco” foi baseado na obra de Bernardo Santareno que, durante dois anos, foi médico psiquiatra no navio Gil Eannes e que é considerado o mais importante dramaturgo português do século XX.
Os ensaios da nova criação começaram em outubro de 2015, dirigidos por Graeme Pulleyn, o encenador inglês convidado pela companhia profissional de Viana do Castelo.


























