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Ex-pescador de Darque “sonha com arte” e cria esculturas a partir de lixo

Andrea Cruz

08 Setembro 2018, 9:00

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Joaquim Pires, 66 anos, ex-pescador de Darque,  cria esculturas a partir de materiais que ninguém quer.  O autodidata utiliza as mãos e meia duzia de ferramentas para fazer nascer obras de arte a partir de raízes, troncos de árvores, chapas de ferro ou zinco, tachos ou panelas velhas. Do  atelier improvisado,que construiu nas traseiras da casa onde reside há 42 anos, num bairro de habitações pré-fabricadas no lugar da Senhora das Areias, no Cabedelo já saíram muitas peças , tantas que já perdeu a conta.

Dedicou 42 anos à pesca do bacalhau, mas era a “ânsia de dar nova vida a materiais que já ninguém queria” que lhe “ocupava a mente” durante “a vida escrava no mar”.

Há dois anos chegou a reforma e a possibilidade de “passar os dias a dar largas às ideias que lhe assaltam a cabeça”.

“Há alturas que nem consigo dormir. Surge-me uma ideia para fazer uma peça e levanto-me da cama para ir procurar um tronco de árvore ou uma velharia que alguém deitou fora e fazer nascer o que me está a martelar na cabeça”, contou.

Da faina diz não ter saudades, por ser uma atividade “muito dura” que não escolheu, antes “herdou do pai e do avô”. Já as horas que passa “às voltas com as esculturas, não as sente a passar”.

“Estou aqui entretido com as minhas obras e as minhas ferramentas. Um formão, as lixas, a motosserra e a navalha. Só isso basta para fazer as minhas peças”, afirmou enquanto dá forma aos flamingos e às garças que está a esculpir em pedaços de madeira. Pedaços de baldes velhos de tinta servem de asas e galhos finos fazem de pernas e pescoço das aves.

Parte do material recolhe durante as caminhadas que faz pela praia do Cabedelo mas há outras “velharias” que os amigos lhe vão arranjando, “sabedores da sua veia de artista”.

De acordo com a forma de cada material, assim nascem serpentes, crocodilos, imagens religiosas, helicópteros, aviões, entre muitas outras peças, a que já perdeu a conta e o ateliê de zinco “ficou pequeno”  para guardar a criatividade de Joaquim.

No bairro onde vive, todos lhe conhecem a faceta de artista. Já quem passa pela avenida, em frente à casa, é alertado pelas duas enormes antenas parabólicas, enfeitadas com motivos ligados ao mar, colocadas no portão da entrada da habitação.

“Iam deitá-las fora. Eu pintei-as e enfeitei-as com um barco, os peixes, as gaivotas. Tudo ligado à pesca”, especificou.

Ao lado, no café onde passa a08um tempo, tem expostos algumas peças, uma cortesia do proprietário para o “ajudar nas vendas”.

“Não peço muito dinheiro pelos meus trabalhos. É só para compor a reforma”, referiu, lamentando a falta de divulgação do seu trabalho: “Estou um pouco escondido aqui”, desabafou.

O Quim, como é tratado pela vizinhança, já fez “duas exposições em Lisboa, outras tantas no Porto, em Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira”.

“Em 2016 participei, a convite do senhor Agostinho Santos, na Bienal de Arte de Cerveira”, destacou orgulhoso, referindo-se ao artista plástico e jornalista, natural de Vila Nova de Gaia.

A exposição, intitulada “Imaginário” esteve patente no Fórum Cultural de Vila Nova de Cerveira com as “interpretações plásticas de Joaquim Pires e Agostinho Santos.

No mesmo ano, os Antigos Paços do Concelho de Viana do Castelo acolheram a mostra “O escultor de memórias e de sonhos”, onde tratou os valores culturais locais e regionais, traduzindo e representando o universo em que vive, as crenças e costumes.

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