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Fábrica da Louça de Viana: Autarca garante que espólio vai ficar na cidade

Rádio Alto Minho

12 Maio 2016, 20:01

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O presidente da Câmara de Viana do Castelo diz que a administração da “Fábrica da Louça de Viana”, desativada desde 2006, lhe garantiu que o espólio de que a empresa dispõe “não vai sair da cidade”.

“O proprietário garantiu-me que o espólio está garantido e que irá dar, sempre, todas as informações à Câmara Municipal. Manifestei a minha disponibilidade de podermos evoluir para uma parceira no sentido da preservação e valorização deste património”, afirmou o autarca socialista.

José Maria Costa falava aos jornalistas no final da reunião camarária e após ter sido interpelado sobre o assunto, no período antes da ordem do dia, pelo vereador do PSD, Eduardo Teixeira.

O autarca revelou ter reunido com o proprietário da unidade fabril, situada na freguesia de Meadela, que o informou das tentativas que tem desenvolvido para concessionar a “Fábrica da Louça de Viana”.

“Há um problema que a fábrica relacionado com uma garantia que a autoridade tributária tem e que se prende com uma coima antiga, o que tem dificultado a concessão”, disse, acrescentando que “dentro de cerca de um mês haverá uma reunião” entre a autarquia a administração da fábrica.

Com 242 anos, a fábrica “Louça Regional de Viana” não produz há seis anos, mantendo somente uma loja para escoar ‘stock’ e um museu com o espólio de que dispõe.

José Maria Costa disse que a fábrica “não produz desde 2006” e afirmou que o proprietário lhe garantiu que o equipamento que foi retirado nos últimos dias daquela unidade “não interfere com uma eventual concessão no futuro”.

“Foi material adquirido em 2002 e que a administração quer rentabilizar noutra unidade fabril”, explicou.

O vereador social-democrata, Eduardo Teixeira, lamentou que as informações hoje prestadas pelo autarca sejam uma “reação ” a um comunicado emitido, esta semana, pela concelhia do PSD e que, na altura, José Maria Costa não quis comentar.

Aquela estrutura acusou a Câmara socialista de nada ter feito para impedir a desativação da fábrica “Louça Regional de Viana”.

“Não se trata de incapacidade ou falta de recursos para resolver esta questão. Tratou-se, isso sim, de analfabetismo cultural e pior ainda, inabilidade política, de resto características por que se tem pautado a gestão deste município nas questões deveras importantes para a cidade”, afirmou a concelhia do PSD.

A vereadora da CDU, Ilda Figueiredo sublinhou a “necessidade de preservar o espólio” daquela fábrica e apontou “as limitações com que a Câmara se confronta para garantir a reativação da laboração”.

Produzida em porcelana, aquela louça distingue-se por ser totalmente pintada à mão e cozida a uma temperatura de 1400º, que lhe dá uma resistência que outras não possuem.

Nos últimos anos de laboração adotou a denominação de “Louça Regional de Viana”, produzindo peças não só decorativas mas também utilitárias onde se destacam os motivos florais.

Em 1999 foi distinguida pela Câmara Municipal com o título de Instituição de Mérito da cidade pela “nobreza do seu passado e por constituir um “valioso património cultural do município”.

Em outubro desse mesmo ano, e após uns meses de negociações, foi adquirida pela família Adelino Duarte da Mota, sendo atualmente gerida por José Manuel Cardoso Mota.

Chegou ainda pertencer ao grupo Jerónimo Pereira Campos de Aveiro, passou em 1971 para as mãos do então Banco Pinto de Magalhães, tendo mantido o nome original.

Desde então, com as sucessivas mudanças de nome do banco proprietário (União de Bancos Portugueses, Banco Mello, este último adquirido pelo Banco Comercial Português (BCP)) atravessou dificuldades nessa ultima década.

 

FOTO:www.custojusto.pt

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