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Fogo em Nogueira destrói “grande parte” da produção do vinho Phulia

Rádio Alto Minho

10 Agosto 2016, 12:10

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O incêndio que na terça-feira fustigou a freguesia de Nogueira em Viana do Castelo destruiu “grande parte” da produção da marca  “Phulia” lançada em 2015 por dois jovens que aproveitaram terrenos abandonados e recuperaram uma adega desativada para produzir vinho .

Em declarações à RAM, João António Lisboa Martins adiantou que as chamas atingiram a vinha, plantada em cerca de um hectare de terrenos, ao início da tarde e que a “destruição causada vai impedir a produção de milhares de garrafas”.

“Ainda não avaliámos os estragos mas a marca vai continuar mesmo com estas condicionantes”, garantiu João António Lisboa Martins que, juntamente com Luís Brito, detém a marca de vinho.

Além de Nogueira, os dois jovens empreendores exploram ainda cerca de meio hectare de vinha em Santa Marta de Portuzelo.

O projeto nasceu em 2013, eram ainda estudantes universitários, com o objetivo de “não sobrecarregar” os pais com a despesa das propinas.

Inicialmemte a ideia passava apenas “por produzir e vender uva”, já que ambos ainda estudavam engenharia agropecuária. Acabaram por decidir “adquirir algum material usado” e produziram “os primeiros 400 litros de vinho”.

As primeiras três mil garrafas da colheita de 2013 começaram a ser distribuídas, o ano passado, “porta a porta, a amigos e familiares”.

Em 2015, com o dobro da produção, os dois empreendedores lançaram o “Phulia” em feiras e mostras  com preço de venda ao público, por garrafa, de três euros.

Sem “apoios comunitários e sem recurso à banca” o projeto tem avançado “passo a passo”, dentro da mesma lógica, sendo que todo o “lucro gerado é reinvestido na adega de garagem”.

O trabalho é dividido pelos dois, desde o tratamento da vinha ao produto final. O “engenho” dos dois permitiu “poupar” no investimento, através da reutilização de material usado.

O processo de vinificação é garantido por”engenhocas” que os dois vão criando conforme as necessidades.

A “transformação de antigas máquinas de finos em refrigeração para as cubas”, um “sistema de lavagem da adega e das cubas feito através do aproveitamento de águas” e, uma “máquina de rotulagem das garrafas”, em madeira, “encomendada a um artesão local, que “funciona à manivela”, são exemplos da imaginação dos dois empreendedores.

“Com o mínimo de recursos queremos fazer vinho de qualidade”, explicou Luís Brito, o porta-voz da dupla de produtores.

A escolha do nome do vinho não foi ao acaso, até porque ambos estiveram, desde cedo ligados ao folclore e às tradições locais.

“Escolhemos Phulia porque transmite, alegria e romaria e porque se adequa ao espírito dos vianenses”, explicou Luís.

No rótulo, desenhado por um ‘designer’ amigo, estão representados símbolos dos costumes locais.

“Tem três círculos que representam as três libras que as mordomas levam no dia do casamento, e que representam a virgindade. Dentro desses círculos estão símbolos que são utilizados nos bordados dos lenços de namorados”, explicou.

 

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