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Gigantones de quatro metros e mais de 100 quilos viajam da Bélgica para desfilar nas festas da Agonia

Rádio Alto Minho

18 Agosto 2016, 15:07

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Dois gigantones com mais de quatro metros de altura e mais de 100 quilos de peso cada um são, este ano, o destaque do cortejo histórico-etnográfico das festas d’Agonia, dedicado àqueles bonecos de figura humana.

De acordo com o coordenador do cortejo, Gil Viana adiantou que “os gigantones com cerca de 4,5 metros de altura, que vão ser carregados por dez homens, e apresentados à cidade, no domingo, a partir das 16:00, por duas associações Ath, na Bélgica”.

“Na maioria das romarias do Alto Minho surgem gigantones e cabeçudos. Este ano o que pretendemos no cortejo das festas de Viana é explicar como surgem na região” afirmou o responsável que integra a VianaFestas, entidade organizadora da romaria.

Com o tema “Gigantones e Cabeçudos” é o tema do cortejo histórico-etnográfico vai percorrer as principais artérias da cidade, num percurso de mais de três quilómetros, integrando um total de 28 gigantones e 29 cabeçudos, de todo o tipo, retratando figuras míticas ou santos.

Os gigantones não passam de figuras humanas de grandes dimensões suportadas por uma estrutura com a forma de um corpo e onde o homem que o manuseia se introduz, carregando o boneco apoiado nos seus ombros. Os movimentos são dificultados pelo peso e equilíbrio, mas procuram andar ao som do ritmo da festa.

São acompanhados por cabeçudos, rapazes vestidos de forma desleixada onde sobressai a enorme cabeça usada como.

No total, o desfile de domingo vai integrar cerca de 120 quadros temáticos, mais de 30 carros alegóricos, e “entre 2.500 a 3.000 figurantes”.

O antropólogo de 37 anos explicou que o objetivo é abordar um pouco da história destes gigantes, cuja presença passa pela pré-história, pela cultura celta, resultando da “existência” de seres sobrenaturais que habitavam as zonas mais recônditas ou ainda pela inspiração das tradicionais festas do Corpo de Deus e do combate com o dragão, ele próprio uma figura mítica.

Gil Viana que, pela primeira vez é responsável pela organização e coordenação daquele número emblemático das festas da Senhora d’Agonia, adiantou que o modelo que deu origem às atuais figuras da festa minhota, “terão chegado a Viana do Castelo após a visita, em finais do século XIX através de um vereador da Câmara de então, Luís Valença, às festas de Santiago de Compostela, na Galiza, Espanha”.

Mais tarde, no século seguinte, o trabalho de adaptação posterior dos mestres locais Maria Taipeira de Darque e mestre Levinho da Meadela deram um novo corpo aos gigantones e cabeçudos de Viana do Castelo.

Segundo os historiadores locais estas figuras resultaram da evolução das tradições pagãs europeias, como as utilizadas pela Bélgica, França e Espanha, passando por Portugal, e que representam figuras locais, bíblicas ou mitológicas nas diversas festas populares.

Gil Viana, cuja tese de mestrado foi sobre o Traje à Vianesa e que desde os quatro anos desfila e participa nas festas da cidade explicou que na parte etnográfica o cortejo vai ser dedicado aos, Romeiros e Romarias.

“A aborda toda a história, desde o peditório para as festas, quando se começa a festa, até chegar ao dia da romaria, com todos os trajes e tradições do concelho”, disse.

“É uma grande honra e um grande orgulho poder colaborar com as festas da cidade onde nasci, onde cresci e onde desde os quatro anos desfilo e participo ativamente. A minha mãe sempre me incutiu a alegria da festa e do trajar e, por isso, estou na organização com muito amor e carinho”, referiu.

 

 Foto : dokatano.blogspot.com

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