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Governo alerta que Alto Minho tem “escassez” de bombeiros face ao número de incêndios

Rádio Alto Minho

21 Abril 2016, 14:37

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O secretário de Estado da Administração Interna manifestou-se hoje preocupado com “a escassez” do efetivo de bombeiros voluntários no Alto Minho que considerou “insuficiente” para dar resposta ao número ignições registadas, por ano, na região.

“O distrito tem um efetivo bastante escasso para as necessidades que tem. Isso preocupa-nos. Gostávamos de perceber o que está a acontecer. Há falhas no voluntariado? As pessoas não querem ser bombeiras? Nós não estamos a dar resposta aos anseios dos voluntários?”, questionou Jorge Gomes.

O governante, que falava em Ponte de Lima durante a apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) para o distrito de Viana do Castelo, justificou a “preocupação” com o facto do distrito de Viana do Castelo ser “ um dos mais problemáticos do país”.

“Viana do Castelo, a par de Braga e do Porto, é o distrito que tem maior número de ignições” frisou, sublinhando a região “é importadora de ajuda de bombeiros de outros distritos”.

Jorge Gomes destacou que este governo “já criou alguns incentivos”, atribuindo aos bombeiros a isenção do pagamento de taxas moderadoras e que estão previstos mais benefícios na próxima discussão orçamental. Sublinhou que “o Orçamento de Estado para 2016 isentou do pagamento do Imposto Sobre Veículos (ISV) todas as viaturas operacionais e de transporte de doentes”.

Questionado pelos jornalistas, o comandante operacional distrital de Viana do Castelo, Armando Silva, reconheceu que o distrito “não conta com um quadro ativo de bombeiros de grande número”.

“O principal problema do distrito, mais do que os combatentes é o elevadíssimo número de ocorrências”, disse, afirmando que existem atualmente na região “entre 590 a 600 bombeiros” e, em média, por ano, ocorrem cerca de 1.500 ignições, condensadas em períodos específicos e não distribuídas, uniformemente, ao longo do ano”.

O comandante distrital adiantou que o dispositivo de combate a incêndios florestais previsto para fase mais crítica “é igual ao do ano anterior”, com 55 equipas, 255 operacionais e 55 veículos.

Armando Silva adiantou que “o mesmo número de equipas dos corpos de bombeiros mantém-se”, sendo que na primeira fase, em maio, a região vai contar “com mais três Equipas de Intervenção Permanente (EIP), mais duas equipas da AFOCELCA e a entrada em funcionamento da vigésima terceira equipa de Sapadores Florestais, instalada em Melgaço”.

Em termos de meios aéreos o dispositivo “mantém-se igual”, com um avião na fase Bravo, dois na fase Charlie, e um na fase Delta.

Na deslocação a Ponte de Lima, o secretário de Estado da Administração Interna anunciou que este ano vão ser investidos 24 milhões de euros na substituição de viaturas de combate a incêndios florestais que ardem mas também as que envelhecem.

“Em maio, vamos abrir avisos aos fundos comunitários para aquisição de veículos no valor de cinco milhões de euros, e sete milhões de euros para requalificação de infraestruturas. Em outubro vamos abrir avisos da mesma importância. Se conseguirmos executar 24 milhões de euros este ano, em 2017 vamos ter mais 24 milhões de euros”, sublinhou Jorge Gomes.

O governante adiantou aquela verba está disponível para candidaturas a apresentar pelas associações humanitárias de bombeiros voluntários e pelas Câmara Municipais.

“Temos de começar a renovar o parque de viaturas. Não podemos continuar a ter um parque velho e caduco como está, muito, muito caduco”, sustentou.

Respondendo a um pedido do presidente da Câmara de Ponte de Lima, o secretário de Estado da Administração Interna prometeu, juntamente com o Ministério da Agricultura e Florestas, “tentar encontrar formas de financiamento para renovar a frota automóvel dos Sapadores Florestais”.

“Esse é um problema nacional. No país há 280 equipas de Sapadores Florestais que fazem um papel de excelência durante todo o ano”, disse.

O governante revelou ainda que “este ano serão investidos 3,5 milhões de euros de fundos comunitários, sem a componente nacional”, na substituição de viaturas do Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro (GIPS) da GNR.

“Pretendo começar rapidamente a substituição de viaturas do GIPS. Pelas suas características são viaturas que se degradam mais rapidamente que as outras”, disse.

Segundo o governante este ano, “só o Ministério da Administração Interna (MAI) vai investir 70 milhões de euros no dispositivo de combate a incêndios florestais que, na fase mais crítica vai empregar mais de duas mil equipas, dez mil operacionais, mais de dois mil veículos e 47 meios aéreos”.

Jorge Gomes adiantou que foram ainda realizadas este ano 305 ações de formação que envolveram 7.100 operacionais, entre eles, cerca de 5.400 bombeiros.

O secretário de Estado da Administração Interna anunciou também que o governo “vai lançar este ano um projeto-piloto de georreferenciação, atribuindo a 18 corporações de bombeiros, uma por distrito do país, de uma aplicação de georreferenciação como forma de controlar melhor todos os equipamentos que estão no teatro de operações”.

Jorge Gomes disse que existem todas as condições para que 2016 seja um “ano melhor que o anterior” no que respeita a incêndios florestais.

“Se todos nos portarmos um bocadinho melhor eu acho que vamos ter um ano melhor que o anterior embora a nossa meta é sempre que este ano seja o melhor de todos. Temos que acreditar que os cidadãos, este ano, vão fazer menos fogueirinhas e assar menos sardinhas sem cuidado, ou seja, fazer menos ignições que é o que nós queremos” disse o governante que garantiu que o país tem um sistema de combate aos incêndios florestais “consolidado, seguro e bem treinado”.

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