Inocêncio Araújo pode perder confiança do PS por ter aceitado lugar na Câmara PSD de Ponte da Barca
27 Dezembro 2018, 16:27
O vereador eleito pelo PS, Inocêncio Araújo pode perder confiança do partido por ter aceitado lugar na Câmara PSD de Ponte da Barca, liderada por Augusto Marinho. A decisão vai ser tomada, na sexta-feira, em reunião extraordinária da concelhia do PS de Ponte da Barca na sequência da proposta do secretariado local para a retirada da confiança política a Inocêncio Araújo.
Em declarações, hoje, à RAM, a presidente da comissão política, Sílvia Torres adiantou que a reunião, extraordinária, tem como único ponto na ordem de trabalhos a apreciação daquela proposta aprovada, por unanimidade, pelo secretariado do partido.
A responsável explicou apenas que a “retirada da confiança política ao vereador Inocêncio Araújo não implica a perda de mandato”, escusando-se a tecer mais comentários sobre o assunto e remetendo as razões daquela medida para um comunicado emitido pelo secretariado local do PS.
A RAM tentou obter a reação do vereador Inocêncio Araújo, mas sem sucesso.
Na semana passada, em conferência de imprensa, o presidente social-democrata de Câmara de Ponte da Barca, Augusto Marinho anunciou “o reforço da equipa executiva com a atribuição de meio tempo ao vereador Inocêncio Araújo”.
Augusto Marinho realçou a “atitude de proatividade, colaboração e disponibilidade” que Inocêncio Araújo “sempre” manifestou ao longo do atual mandato, “contribuindo ativamente para um debate sério e responsável, apresentando formal e informalmente, propostas para a resolução dos problemas do concelho”.
Augusto Marinho adiantou que “da alteração no quadro da equipa de vereadores irá resultar uma alteração à distribuição de pelouros que será comunicada à Câmara Municipal na sua primeira reunião de janeiro de 2019”.
Em novembro, Inocêncio Araújo viabilizou o orçamento para 2019 da maioria PSD. Dos quatro elementos que compõem a maioria social-democrata naquele município do Alto Minho, apenas o presidente e um vereador votaram favoravelmente. Além da abstenção vice-presidente da autarquia, Maria José Gonçalves, que alegou “não ter sido envolvida” na sua elaboração decidida “unilateralmente” pelo presidente da autarquia, um outro vereador do PSD não marcou presença na reunião camarária que aprovou o documento, por se encontrar em gozo de férias.
Em comunicado, o secretariado do PS de Ponte da Barca alega ser “inaceitável para a imagem e bom nome do partido correr a ideia junto da população de que a crise política no seio do executivo PSD foi resolvida através da compra do vereador da oposição”.
“É hoje evidente que, no exercício do mandato autárquico, Inocêncio Araújo criou na opinião pública a desconfiança de utilização do seu cargo de vereador para obtenção de vantagens pessoais como funcionário da Câmara Municipal de Ponte da Barca”, sustenta o partido.
Para o PS, a “divulgação pública da decisão tomada por Inocêncio Araújo de aceitar integrar o executivo de Augusto Marinho surgiu no dia seguinte a uma promoção profissional, isto é, à sua passagem de encarregado operacional para a carreira e categoria de Técnico Superior, sob proposta do presidente de Câmara, deliberada na reunião de dia 20 de dezembro de 2018”.
“O secretariado do PS, em defesa da ética e da moral ao serviço da política, entende que Inocêncio Araújo não tem condições para continuar e deverá renunciar, imediatamente, ao mandato de vereador, fazendo cessar uma situação inaceitável de suspeição e de conflito de interesses”, defende.

Inocêncio Araújo, adjunto do anterior presidente socialista da Câmara de Ponte da Barca, Vassalo Abreu, que não se recandidatou nas últimas eleições por ter atingido o limite de mandatos, encabeçou a lista do PS às autárquicas de 2017.
Na altura, o PS apontou a “larga experiência” de Inocêncio Araújo, de 41 anos, classificando-o como “um homem de convicções firmes e princípios sólidos”.
Inocêncio Araújo integrou, durante 12 anos, os executivos do PS e desempenhou, durante três mandatos, as funções de presidente da Junta de Freguesia de Entre Ambos-os-Rios.
No comunicado, o secretariado do PS acusa Inocêncio Araújo “a decisão de integrar o executivo camarário liderado pelo PSD não foi comunicada ao partido e, em consequência, não foi concertada com o mesmo, revelando uma total falta de lealdade, solidariedade e de respeito institucional pelo partido que o elegeu e que seria suposto representar”.
“Desde o início do presente mandato autárquico, o vereador Inocêncio Araújo manifestou comportamentos onde foi notória a sua falta de cooperação, de diálogo e de compromisso com a concelhia do PS e com os colegas de vereação do PS”, acrescenta a nota.
No documento onde aponta as 11 razões que sustentam a proposta de retirada da confiança política, o secretariado socialista realça ainda que “o quadro de distanciamento e deslealdade manifestou-se em várias situações, designadamente pela não comparência nas reuniões da comissão política (onde é membro por inerência), pela falta de iniciativa e de dedicação como líder da oposição no executivo camarário (primeiro candidato eleito pelo PS), bem como por uma gestão unilateral da sua conduta nas reuniões de Câmara, teimosamente orientada por critérios individuais”.
“Estão em causa valores e princípios fundamentais. Os interesses pessoais de um militante eleito pelo partido socialista não poderão nunca se sobrepor aos interesses do coletivo que o elegeu e deve representar. Esta é uma regra fundamental da democracia representativa”, reforça o PS local.





















