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Julgamento de suspeito de traficar 20 toneladas de droga começa hoje no tribunal de Viana

Rádio Alto Minho

15 Maio 2017, 8:55

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O julgamento de um homem suspeito de traficar 20 toneladas de haxixe começa hoje no tribunal de Viana do Castelo.

A apreensão da droga, transportada no interior de um pesqueiro português no mar Mediterrâneo, em águas internacionais, a 28 milhas do Cabo de Gata (junto de Almeria, Espanha), ocorreu em novembro de 2014, no âmbito da operação “Adiada” e resultou de uma investigação de combate ao tráfico internacional de haxixe tutelada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que decorria há vários meses.

O caso chega à barra dos tribunais por decisão do juiz de instrução Carlos Alexandre que, num documento com 287 páginas, confirma a acusação do MP.

O navio associado aos factos – o Corsário I, antes denominado Eiskos – foi adquirido pelo arguido em setembro de 2014, está registado em Viana do Castelo e foi intercetado em alto mar pelas autoridades espanholas a pedido da Polícia Judiciária (PJ).

Quando foi intercetado, “os tripulantes, explodiram um bidão de gasolina para incendiar e afundar a embarcação e fazer desaparecer a droga que transportavam”, explicou, na altura, a PJ.

A polícia acrescentou que, “devido à explosão, dois dos tripulantes do pesqueiro ficaram feridos com gravidade e foram retirados da embarcação pelo serviço de salvamento marítimo de Espanha”.

Além da droga apreendida, com um valor de mercado superior a 31 milhões de euros, que tinha como destino o norte da Líbia, a operação conjunta permitiu deter os 11 tripulantes que se encontravam a bordo.

De acordo com o processo, datada de janeiro de 2016, o homem de 61 anos, natural do concelho de Caminha e desde 1989 também com nacionalidade espanhola, é acusado e pronunciado, pela prática, em coautoria material e em concurso real, de um crime de tráfico de estupefacientes agravado, de um crime de associação criminosa, e ainda, em autoria material de um crime de branqueamento, um crime de falsificação, e um crime de incêndio.

O arguido, que em sede de instrução se manteve em silêncio, foi detido em fevereiro de 2015, em Marrocos, em cumprimento de um mandado de detenção internacional, tendo sido, depois, extraditado para Portugal onde está preso preventivamente desde o dezembro desse ano, no estabelecimento prisional da PJ de Lisboa.

O arguido, que “em tempos, se dedicou a atividades relacionadas com o mundo da pesca, desde data não concretamente apurada, mas pelo menos desde 2010, passou a dedicar-se ao tráfico de estupefacientes, designadamente ao transporte de fardos de haxixe por via marítima, inserido numa organização criminosa sedeada na Galiza, Espanha, zona onde também residia”, lê-se na acusação.

“Tal organização, para levar a cabo essa atividade, utilizava embarcações que adquiria, por intermédio da atuação do arguido, com essa finalidade”, lê-se ainda.

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